Na futeboleia, só vale o luxo, não vale o lixo



No rico reino da futeboleia, jogadores, técnicos e dirigentes, seus habitantes, estão cada vez mais cheios de não-me-toques. Essa gente, salvo raríssimas exceções, só admite o lado doce e glorioso do passado. As feridas são cicatrizadas a fórceps e, quando reabertas por alguém, são tratadas com ironias, reclames e lições de moral.

Mal começou a coletiva e Emerson, talvez crendo ser mesmo um xeque árabe, bufou: “Pô, acabei de chegar e já querem saber isso?” No juízo particular do novo atacante corintiano, juízo bastante comum na terra da bola, perguntar ofende, e muito. Se em algum lugar do passado sua identidade migrou de Marcio Passos de Albuquerque para Marcio Emerson Passos e ele abandonou o signo de sagitário para entregar-se ao de virgem, isso não deve ser lembrado. Seguindo sua linha não revelada de pensamento, bons devem ser os jornalistas festeiros, que adulam jogadores com adjetivos a mais e alfinetes de menos.

Esse pensamento da concórdia é uma onda por aqui. Pouco antes da Copa de 2010 tivemos o exemplo mais circense dessa tendência, que esconde coceiras de censor. Incomodado com críticas ao então técnico Dunga, seu auxiliarJorginho interrompeu uma entrevista para, exaltando, evocar o espírito verde-e-amarelo de cada um dos jornalistas ali presentes. Na hora, lembrei desses pastores que invadem as TVs brasileiras madrugada adentro tentando nos apresentar Jesus. Nas entrelinhas, o recado era antiquíssimo, herdado de tempos sombrios: Brasil, ame-o ou deixe-o!

Desde que o mundo é mundo, calo bom de se apertar é o dos outros. Mas no futebol o pensamento “com açúcar, com afeto” tá demais. Essa gente da futeboleia só quer o luxo da profissão. O lixo querem varrer para debaixo do tapete.



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