Futebol, esse menino sempre estreante



Não há nada mais volúvel que o mundo do futebol. Até por sua dinâmica de competições sem fim, temporadas que se sucedem, é um eterno recomeçar que, pelo visto, só terminará quando o sol apagar-se (dizem os cientistas que um dia isso ocorrerá!). Enquanto o astro-rei seguir nos iluminando, o esporte bretão reavivará as esperanças. Você, leitor maduro, nunca mais terá dez anos de idade e guardará na cachola as doces lembranças de sua infância querida. Mas você, torcedor maduro, sempre terá um novo Campeonato Brasileiro para saborear e crer, mais uma vez, no título do seu time. De certa forma, o futebol permite o que a vida censura: recomeçar do zero.

A primeira rodada do Brasileirão é mostruário dessas renovações. Bastou a Ronaldinho mostrar as asas na estreia do Flamengo para que seu nome parasse, ao menos por ora, de ser amaldiçoado por aqui. Ao Palmeiras, que há quase 20 dias tomava uma surra hospitalar do Coritiba, foi suficiente triunfar no debute, contra um esfrangalhado Botafogo, para gerar entusiasmo em seus torcedores. O São Paulo, dos agora entristecidos Carpegiani e Rivaldo, vê nova luz abrir-se com um 2 a 0 nos atuais campeões. E o Coritiba, que pintava como a sensação deste 2011, trazendo um caminhão de vitórias, perdeu para o humilde Atlético Goianiense e já vê sua crista baixar-se. Isso para não falar dos rivais Cruzeiro e Atlético. Uma semana atrás, torcedores celeste riam dos rivais ao ganhar o título mineiro. Pois na estreia no Nacional, a seta inverteu-se. O Galo começou com o pé direito e o Cruzeiro com as barbas de molho.

Nos terrenos de jogo e nas arquibancadas basta um dia, não mais que um dia, um meio dia para  fazermos desatar a nossa fantasia, como na canção de Chico Buarque. Nas canchas suadas não há mal que dure para sempre. Uma vitória, mesmo que esporádica, tem a força de um tufão. Crises perdem o fôlego em magros 1 a 0. No fundo, esse é charme do jogo popular. Em meio a um cotidiano de burocracias, problemas familiares e desenganos, há a possibilidade de reaver-se com a vitória esportiva. Por isso, o torcedor é, acima de tudo, um otimista.



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