Palpites, a grande ficção do Brasileirão



É sempre assim! Vai começar o Brasileirão e aqui na redação pedem pra fazermos uma lista pitaqueira. Os prognósticos de blogueiros, colunistas e editores para a competição que se avizinha. Lá, no papel de profetas de ocasião, colocamos nossos achismos (uma delícia, confesso!). Quem será o campeão? Quem vai se classificar para a Libertadores? E quem vai arder no inferno do rebaixamento? Exercemos essa atividade de adivinhos com um sabor macabro na boca. É muito bom dar palpites, guardá-los e, dependendo do andar da carruagem, exibir-se para os colegas: eu avisei que tal clube ia cair, que tal clube não seria campeão, etc… É um divertimento! No fundo, é como se, iludidos, nos enxergassemos como senhores do destino. Há também aqueles que adoram uma polêmica e aproveitam a situação para mergulhar nessa fonte. Esses tentam fugir dos lugares-comuns e fazem que, creem, são ousadas. Se errarem, os comentários serão exíguos. Se acertarem, posarão de sábios da pelota.

A verdade é que, no fundo, fazer previsões para um campeonato que durará mais de sete meses (uma eternidade!) e no qual invariavelmente os times mudam no embalo de contusões, cartões e trasnferências,  não faz muito sentido. As variáveis são inúmeras e, olhando retrospectivamente, estamos errando muito mais que acertando.  Lembro-me que, em 2004, o LANCE! fez uma matéria após as primeiras rodadas sobre a magnífica campanha do Criciúma, utlizando-se do mascote da equipe, um tigre. O time catarinense liderava a disputa e a todos surpreendia, como um felino dos bravos. Mas havia mais fumaça que fogo. Ao final, o time foi ladeira abaixo e caiu pra Segundona. Quer mais? Em 2007, o Corinthians começou a todo vapor e, nas dez primeiras rodadas, lutou cabeça a cabeça pela ponta. Em dezembro, para tristeza de uma nação, o Alvinegro seria rebaixado pela primeira vez em sua imensa história. Quem seria o expert a prever tal reviravolta? No ano passado, quando a Copa do Mundo interrompeu o Brasileirão, o vice-líder era ninguém menos que o Ceará, um dos recém-egressos da Série B. Criou-se até uma expectativa para a primeira rodada pós-Mundial, pois nela estariam frente a frente os cearenses e o Corinthians, o líder de então. Um triunfo  no Castelão e o Vovô roubaria a ponta. O jogo terminou 0 a 0 e, a partir dali, a equipe nordestina foi perdendo fôlego até encerrar a disputa no miolo da tabela. Nas rodadas finais já não aspirava ao inédito título. Esses são alguns poucos exemplos que me veem assim, de chofre, sem nenhuma cata em arquivo. Bastaria uma pesquisa mais detalhada para citar outras tantas situações.

O fato é que o campeonato vai rolar e as opiniões flutuarão rodada a rodada. Uma arrancada inesperada, uma sequência inglória, um desmanche na janela de transferência e o vento mudará de direção. Poderá ser uma brisa como um tufão. Não há circulo de “especialistas” em que Santos, Cruzeiro, Inter, Flamengo e São Paulo não sejam citados como os bambambans na busca pelo troféu máximo. É o impressionismo do momento. Quem acompanha um pouco de política já ouviu o dito de que a política é como nuvem, uma hora tá de um jeito, noutra já mudou. Podemos conduzir essa ideia para o Brasileirão. Nas primeiras rodadas vemos uma coisa. Lá na frente nossa percepção certamente mudará. O nivelamento do futebol por aqui acentua essa situação. Esse é o fluxo da coisa, a metamorfose ambulante da bola que por aqui rola. Mas há as ressalvas que tornam qualquer aposta frágil. E se o Santos vencer a Libertadores? Manterá o foco no Brasileiro ou fará como times em anos recentes que passaram o ano esperando o Mundial de Clubes? E os outros favoritos, manterão o elenco ou sucumbirão a pilhas de euros? E se o Corinthians seguir contratando grandes jogadores?

Apesar de tudo isso, sigo gostando de palpitar. Por isso, aqui vão minhas apostas, que irão ferir suscetibilidades de torcedores:

Quatro primeiros: Santos, São Paulo, Corinthians e Cruzeiro

Quatro rebaixados: Atlético-GO, Figueirense, Bahia e Atlético-PR

 



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