Sem tempo para comemorar



Por aqui não se saboreia necas! Não há mais deleite na era do futebol industrial. O domingo é de carnaval pelo título e na quarta-feira as cinzas se espalham. Nesse dia, já há que se botar as barbas, assim como as glórias, de molho. O nosso calendário é uma espécie de bedel a advertir os campeões: “Nada de bagunça, seus meninos levados! Tratem de se concentrar para mais provas!”. E assim, caro Quincas Borba, os vencedores ficam com as batatas quentes de um precoce novo desafio.

A festa dos campeões estaduais dura tanto quanto aquela rapidinha no elevador, em que o sexo, prazer supremo, perde o braço de ferro para o horário do expediente. O torcedor vê seu time derrubar um rival, encarnado no vizinho, no colega de trabalho ou no porteiro do seu prédio, e já corre o risco de ser zoado pela mesma turma uma semana depois, caso a equipe, de ressaca, perca na estreia do Brasileirão. Há quem veja nisso um bafejo da democracia da bola.Para os hedonistas, porém, é um chute calibrado naquela área que chamamos de Países Baixos. A overdose de jogos é uma castradora, uma espécie de coito interrompido do futebol.

Seria ótimo se houvesse tempo para o luto de uns e a embriaguez de outros. Um período sabático, que fermentaria as rivalidades e mexeria com as expectativas. Meu time sofre um duro golpe e tenho duas, três semanas para levantar-me da lona e olhar para a frente. Ou então, se meu time chega ao topo, posso me refestelar por dias. Mas a maratona de jogos poda qualquer pretensão do tipo. É preciso jogar. Acima de tudo, jogar!



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