O mundo da ternura do Juvenal



“Há um mundo bem melhor, todo feito pra você, é o mundo pequenino que a ternura fez!”. É nesse mundinho feito pela ternura, na delicada versão do saudoso comediante Rogério Cardoso, que Carpegiani e Rivaldo vivem. Só mesmo nesse mundinho da ternura, criado por Juvenal Juvêncio, é que engolimos a seco essas pazes súbitas, como se a terra futebolística fosse  cor de rosa e toda pimpona. Habitada por monges que veneram, acima de tudo, a harmonia.  Será que acham eles, Gonzaguinha, que a gente tem cara de panaca? Estamos com a bunda exposta na janela pra passarem a mão nela?  Deram os dedos mindinhos e tornaram-se amigos para sempre! Como aquelas crianças que, após briga no quintal, pedem: Vamos ficar de bem? Humm, ok… Há cinco dias, um sugeriu falta de caráter no outro, que sugeriu que um o humilhara. Bastou um singelo papo, intermediado pelo diplomata Juvenal, para que a pomba da paz sobrevoasse a cabeça dos dois veteranos profissionais! Que lindeza. Um gesto de cortesia de fazer inveja à Organização das Nações Unidas.

Não foi Carpegiani quem dissera não querer mais Rivaldo em seu grupo? Roda mundo, roda gigante? Metamorfose ambulante? Ora, ora, ora, tenha a santa paciência. Não vamos esculachar as inteligências, per favore! Desculpar-se é nobre, reconheço. É o que berram também as religiões. Um gesto de humildade causa comoção.  Mas daí ao ambiente adquirir o cheiro de alfazema, com a bandeira da paz tremulando, vai uma distância. De fato, há algo de podre nesse reino tricolor. Esse engolir de sapos mútuo só é aceito por ingênuos. Ou Carpegiani escalará Rivaldo com mais assiduidade? Se não o fizer, o meia não sentir-se-á mais humilhado? Era tudo pegadinha do malandro?

Ao expor uma ferida, Rivaldo não contribuiu nem um centímetro para sua cicatrização. O rombo está feito. O que impressiona é a capacidade de persuasão de Juvenal, ou JJ, em um modelo mais intramuros. Como se deu esse convencimento é que eu gostaria de saber… Vamos a um diálogo imaginário para a restauração da paz no Morumbi:

JJ (com seu fraseado rebuscado): Carpegiani, nós queremos você aqui conosco nesta empreitada meticulosa. O mercado de técnicos está embolorado e não temos opções assaz interessantes para um clube desta magnitude. Desta forma, julgamos que você deveria permanecer no comando de nossa arauta equipe…

Carpegiani: Presidente, seria uma honra. Acho que eu estava de cabeça quente em função dos maus resultados. Não consegui ainda improvisar os jogadores da forma que gosto. Ainda não testei o Marlos de zagueiro nem muito menos o Dagoberto na lateral esquerda. Se der certo, pretendo também colocar o Rodholfo na armação, que tal?

JJ: Calma, não olvide jamais, você ainda poderá fazer todas essas mexidas pertinazes. Tenha paciência! Mas você terá que conviver com o Rivaldo, pois sua contratação foi honorífica para o clube.

C: Isso não é problema, presidente. Posso improvisar o discurso também e reconhecer que o caráter dele até que é de um bom homem. Grande sujeito, quem sabe! Nada como um dia após o outro.

JJ: E você, Rivaldo, retirará os dizeres pérfidos e inefáveis contra Carpegiani?

R: Claro, presidente. Sou presidente de um clube, como o senhor, e sei que precisa ter tudo certinho. Não vou mais me sentir humilhado não. Quero honrar a camisa tricolor e dar aquele passe de qualidade no meio de campo quando o professor Carpegiani precisar. Tô aqui para ajudar o grupo a sair vitorioso.

JJ: Muito bem. Estando bom para os dois grandiloqüentes lados eu decreto a paz restaurada neste clube maravilhoso e singular, cujas glórias se esparramam pelo planeta e hão de vingar em tempos futuros como já vingaram em tempos passados.

E assim viveram feliz para sempre na terra feita pela ternura!

 



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