Na traição, o futebol imita a vida



A traição é um tema caro, me assobia no ouvido uma alma penada. Ninguém esquece! Judas é malhado até hoje por aceitar 30 dinheiros e deixar Jesus Cristo perto da cruz. E o futebol, como suprema arte que alguns não reconhecem por pedantismo, nada mais faz do que imitar a vida. Para os torcedores do Milan, Leonardo, ao dirigir a rivalíssima Inter, “paga com traição a quem sempre lhe deu a mão”.

Depois de montar uma Santa Ceia para escarrar seu ódio com pão e vinho, não duvide que os torcedores milanistas tenham contratado vodus haitianos para pinicarem um boneco do seu ex-técnico. Os cincos gols do Schalke, ontem, foram fruto da mais irada feitiça-ria dos traidos rossoneri.

O discurso do profissionalismo não sobrevive à rivalidade, e está lhe é superior. Quem em um clube finca raízes, ja-mais deveria bandear-se para a casa vizinha. Ver um ídolo vestir a camisa do adversário odiado é sentir as dores do corno, o chifre que cala fundo na alma. É ter o olho furado. Para alguns, a fidelidade pode ser um valor careta, mas para as massas é o que as conduz aos estádios. Elas não viram a casaca e, idealistas, esperam dos ídolos o mesmo espírito canino. Zico no Vasco?  Ceni no Corinthians? Falcão no Grêmio? Nem pensar!

Ao ouvir que Ganso pode pular a cerca para o Corinthians, os santistas sentem calafrios. Não é para menos. Para o apaixonado, a possibilidade da traição por si só é um grande tormento. Do aplauso, faz-se a vaia em um piscar de olhos. E quem condena esse sentimento tem sangue de barata.



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