Ganso, o ilusionista da Vila Belmiro



A diretoria do Santos apressou-se em valorizar Neymar e impedir que ele fosse driblar em paragens inglesas, mais especificamente no Chelsea. Ganso, assim como o verão, ficou para mais tarde e, ao que consta, zangou-se. A meu ver, prenhe de razão. Porque se é o atacante que carrega o apelido de joia, o verdadeiro diamante da Vila Belmiro é o paraense de nariz adunco e pose de flautista.

A estirpe de Ganso é muito mais rara que a de Neymar, o que não tira deste as perspectivas de ser um fora-de-série. Só que é essa raridade de estilo que faz do meia um craque que merece miradas mais atentas. No último sábado, voltando a campo após quase sete meses de flagelante recuperação, resolveu um jogo, que desenhava-se sofrido, em poucos minutos. Um passe no invisível que só ele vê abriu o placar. E, na sequência, um gol comum para provar que titãs também descem do altar.

Em recente matéria da revista ESPN, Ganso fez a sua mais bela confissão estética: “Nunca quero dar mais de dois toques na bola. É uma coisa que eu me imponho”. É um testemunho franciscano, de desapego à bola. Assim como Drummond cortava palavras para dar o tom certo aos seus poemas, o meia santista economiza gestos para deixar o futebol mais leve, fluido e letal.

Quando vemos Neymar jogar notamos que as fintas e gols demandam algum esforço, olhos esbugalhados e, muitas vezes, voos de encontro ao gramado. Já Ganso, como Zidane, é um ilusionista. Nos vende a ideia de que jogar futebol é tarefa simples e que o virtuosismo é para todos.



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