Adilson Batista, um inventor moderno



“O técnico é um inventor. Inventa tão completamente que chega a pensar que é invenção a invenção que deveras tem em mente”… Peço licença a Fernando Pessoa para parodiar canhestramente suas poéticas e inesquecíveis palavras em “Autopsicografia” e saudar (é ironia!!) Adilson Batista.  Meu caro, tu és um inventatimes, apropriando-me e subvertendo a ideia de Haroldo de Campos do inventalinguas. Para quê fazer o simples se pode complicar, não é mesmo? A essência do sadismo para estar em ti . Parece até uma vontade recôndita de ouvir o “burro, burro” dos arquibaldos? Ou pura vaidade? “Espelho, espelho, meu, existe um inventor mais criativo do que eu?”

Por que essas palavras?

Maikon Leite e Zé Eduardo começaram o ano com a corda toda e foram esquentar o banco. Qual o sentido disso? Dizem que o futebol é simples, mas os treinadores teimam em dificultá-lo. É mais ou menos como aquela antiga mania dos técnicos da Seleção Brasileira de não convocar quem o povo clama. Afinal, para quê dar pelota a toda essa gente? Os professores são eles, não é mesmo? O óbvio sofre estupro a todo momento em tentativas de se ter eventuais méritos pela originalidade. Pois fazer o que todos pedem é dividir os méritos, é pendurar a vaidade no varal.

A irritação do torcedor faz-se mais que justa. O sujeito vê o time molenga, preguiçoso, pétreo e deseja mudanças. Espia no banco e vê a leveza, a velocidade, a perícia ali paradas, esperando uma oportunidade. Todo mundo vê. Mas o treinador, abraçado às suas convicções, mantém sua obra sem fundamentos. E como fica tudo isso? É o duelo da evidência contra a consciência (ou seria onipotência?).

Nas coletivas, o olhar de Adilson perambula de um lado para o outro, repare! Parece procurar nos vários horizontes ideias que colidam com o senso comum. “Não vou fazer o que eles querem, não posso fazer o que eles querem”. E nisso possivelmente reside  seu erro. Nem sempre o senso comum é vergonhoso. Às vezes é necessário para o bem de todos e felicidade geral de uma dada nação. Não fosse assim e o Brasil não teria conquistado o título mundial de 94. Romário só foi convocado por Parreira, um símbolo da burocracia da bola, em cima da hora, apesar do clamor popular. Mas deu tempo para que o futuro ganhasse outro rumo.



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