Ronaldo, o Dom Quixote que deu certo



Mirem-se no exemplo desse rapaz de Bento Ribeiro. Sua carreira é página virada, mas o legado de superação tem que ficar. Escrevam um livro, aqueles de boa vontade, e espalhem nas escolas desse Brasil de gente obreira a boa nova fenomenal: nem sempre o decreto do fracasso deve ser levado em conta. Às vésperas da Copa de 2002, Ronaldo estava descendo à mansão dos mortos. Sua carreira, para alguns (muitos), havia acabado. Mas, como diria Jean Cocteau, não sabendo que era impossível ele (o cara!) foi lá e fez.

E fez mais que a encomenda: campeão e artilheiro no Mundial da Ásia e, quatro anos depois, já com a barriga saliente, se tonaria o maior goleador da maior competição de futebol do planeta terra. Do pó de um joelho moido e dos espasmos de uma convulsão mal explicada, Ronaldo se reinventou como nenhum outro. Virou a encarnação da música de Raul Seixas: “Não diga que a vitória está perdida. Se é de batalhas que se vive a vida. Tente outra vez”.

Faltou às emissoras de TV a devoção devida ao craque. Nem ao menos um “piiiiii”, sempre usado em xingamentos, quando ele falou em “fracasso no projeto Libertadores”? Um filho teu que não fugiu à luta não pode nunca ser associado à lona!

Ronaldo é o Dom Quixote que deu certo, meus amigos! Se na novela de Cervantes, o Cavaleiro de Triste Figura lutava contra moinho de vento imaginários, na novela da vida real o Fenômeno precisou derrotar o ceticismo da crítica e os boicotes do próprio corpo. Esse é o legado de uma carreira feita de dores e glórias.



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