O Loco que o povo gosta



Ave, Loco Abreu! Tu es o sopro de sandice necessária nesse nosso futebolzinho tão cheio de melindres e corretices políticas. Tu tens a faca que vai na jugular das falsas carmelitas do esporte moderno. Tuas cavadinhas são o sarcasmo que fazem a epifania de
nosso povo, que um dia vibrou com os dribles debochados de Garrincha e hoje é muitas vezes privado das gracinhas vitais. Que ironia, loucão! Um uruguaio, com suas milongas, vem aqui nos ensinar o que é que o futebol tem de transa lúdica. Dissestes um não co-
rajoso ao festival de caretices e discursos vazios que assola o país.

Na primeira cavadinha, tomastes uma chamada de Cavalieri. Com o cenho franzido, o goleiro do Flu decretou: "Menos, menos!". Mas não adianta, tu és nossa réstia de folclore e fazes do menos o mais. Dando de ombros à bronca rival, na segun-
da cobrança a cavadinha veio mais estilosa. E então, em programa de TV, veio a pergunta capital: "Afinal, Loco, você não ficou com medo de errar o segundo pênalti?" E a resposta, deliciosa, foi um tapa na cara dos conservadores e chatonildos de
plantão: Se eu tiver medo, não saio de casa”.

Loco, bem que podias bater um papo com o técnico Adilson Batista e dar a ele umas aulas de falta de etiqueta. Pô, pedir para o menino Felipe Anderson parar de driblar? Tsc,tsc... Eles (os amargos) querem fazer do futebol um esporte de quin-
tal de convento. Por isso, tu deves seguir nessa cruzada de loucuras e impedir que as palavras do teu compatriota Eduardo Galeano, que celebrou no livro “Futebol ao sol e à sombra” as lindezas desse esporte, virem cinzas.


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