Renovações da bola



Ao pular as sete ondas no próximo dia 31, muitos não se furtarão a, entre desejos de novos empregos e saúde farta para toda a família, reservar um espaço para o seu time do coração. O acesso à Primeira Divisão, um título inédito, o fim de uma freguesia para o arquirrival, o retorno de um ídolo… O cardápio de desejos ludopédicos é variado, mas o fato é que o futebol também guia a vida de brasileiros do Oiapoque ao Chuí. A felicidade no ano que está para nascer terá contribuição decisiva do desempenho do time amado.

Aquele sujeito que você vê subir as escadarias da Igreja do Bonfim ou ir até Aparecida envergando a camisa clubística pode estar pagando as promessas desse período de renovação. Para ele, o futebol é uma bela causa, vale a dedicação, não há esforço desmedido. As oferendas a Iemanjá cumprem seu papel: revigorar sua crença em um futuro futebolístico bom, com domingos repletos de vitórias do seu clube.

Na hora de fazer seus pedidos, o garoto dividirá o sonho de passar no vestibular para medicina com o desejo de ver seu Corinthians campeão da Libertadores. O senhor, apoiado em sua bengala, reafirmará a esperança de manter a pressão controlada, mas até concederia um pequeno sobressalto na farmácia em troca de ver seu Flamengo vencendo os principais rivais. São pequenos exemplos de multidões que minutos antes da virada do calendário estarão prostradas aos céus pedindo que os próximos 365 dias sejam de glórias nos gramados.

Essa profissão de fé, reiterada ano a ano, é um benefício que o futebol concede aos milhões de apaixonados. Por mais que os tempos sejam de humilhação, que o rebaixamento seja recente, a luz no fim do túnel cisma em aparecer quando um novo ano bate à porta. As competições serão disputadas do zero, o time é outro, o sentimento é de que “daqui pra frente tudo vai ser diferente”.

Antes, o Natal…
Os devaneios dos torcedores começam a pipocar antes mesmo do Ano Novo. Próximo ao Natal, as contratações passam a ser anunciadas e são vistas como presentes – algumas (!!!) – que prefiguram um futuro de glórias. Por isso, mesmo sem bola rolando, em um período que se anuncia modorrento, o torcedor arregala os olhos para ler jornais e acompanhar as atualizações na internet. Nos botequins, o zunzunzun já é geral e as apostam são feitas com palito nos dentes.

Como disse, é lá no dia 31 que os pedidos aos céus serão feitos. Mas eles podem ter o tamanho dos reforços contratados nas últimas semanas. O humor do torcedor varia mais que as ações nas bolsas de valores. Otimismo e pessimismo se revezam no pódio, ao sabor das notícias. E essa gangorra deve-se muito ao ciclo do futebol, um ciclo que promete se estender por mais algumas décadas.



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