Quando os ídolos são de barro



Como é cruel o futebol! A vida em si é muito cruel, mas não quis dizê-lo para evitar dramalhões. Bem ao estilo Augusto dos Anjos: A ovação da torcida é a véspera da vaia/ As mãos que aplaudem são as mesmas que apedrejam. Todo cuidado é pouco, portanto. Sempre existe o alerta: Vamos, meu caro, pendure as chuteiras na hora certa! Faça como Raí e Zidane, que fecharam as cortinas quando o espetáculo ainda era uma apoteose Os dois evitaram, assim, o crepúsculo dos deuses. Ídolos são de barro.

Para evitar que a idolatria perca a cor, é vital não apenas saber a hora de pegar o banquinho e sair de mansinho, mas também correr riscos com a devida moderação. Temos visto jogadores atirarem na lata do lixo a imagem que construiram com algumas torcidas à custa de litros de suor. É fato que a segunda passagem de Robinho pelo Santos, embora menos brilhante que a primeira, manteve sua chama de ídolo alvinegro acesa.

Suas pedaladas ajudaram o time a conquistar o Paulistão e a Copa do Brasil. Adriano e Petkovic viram o afeto rubro-negro por eles ganhar mais corpo ao conduzirem o time a um título nacional após 17 anos.

Valdivia e Kleber, por sua vez, parecem estar do outro lado da rua assistindo ao enterro de uma relação de amor. Toparam o retorno, carregados pela saudade, sem analisar o conjunto. Avaliram mal os riscos. Não observaram o time que teriam para jogar, suas reais chances de glórias. O chileno, para piorar, permitiu-se jogar sem condições físicas, exposto aos leões. E assim vê o passado feliz morrer na memória.



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