Tristeza de uns, alegria de outros



No início do ano passado, Adriano era a tristeza que não tem onde encostar. Ao menos foi o que nos vendeu ao desfiar suas amarguras em rede nacional. A vida longe de sua gente era como a Itabira descrita secamente por Drummond, com suas noites brancas, sem mulheres e sem horizonte. A volta ao Brasil para defender as cores do Flamengo, seu clube de formação, cumpriria assim um papel terapêutico: o reencontro com a alegria.

Encerrado esse ciclo de recuperação anímica, eis que o jogador mergulha fundo no mar do non sense. Volta a respirar os ares que geraram seu muxoxo, a cabeça baixa, o desânimo fatal. Retorna à Europa! Mas não era a distância dos seus que o estragara? Se o seu valor supremo era a felicidade – seja lá o que signifique esse sentimento – o que o levaria aos caminhos de antes? Tomando novamente emprestado o poema drummoniano, seria o hábito de sofrer, que tanto o diverte? Ou a pura necessidade de ganhar mais dinheiro e, com ele, desfrutar de uma felicidade futura, aí sim em definitivo ao lado de amigos e parentes?

O fato é que essa gangorra emocional nos permite crer que Adriano voltará em breve para o Brasil. Ronaldo, sabedor dessas instabilidades, já mexeu seus pauzinhos. A felicidade pode estar no Corinthians.
Mudemos agora a fita, sem esquecer o gênero, para falar de Ronaldinho Gaúcho. Curiosamente um jogador associado à alegria por seu jogo de raro talento, driblador, inventor e definidor. Como pode nele faltar alegria se essa é sua grife? Como seu futebol pode, precocemente, deixar os píncaros da excelência para estacionar no ventre da mediocridade? Uma decadência tão grande a ponto de torná-lo reserva do Milan e na crista da onda para ser negociado.

Ao contrário de Adriano, cujas alegrias e tristezas são expostas sem pudor, o Gaúcho parece esconder seus sentimentos ao máximo. Todas as vezes que dizemos e ouvimos dizer que ele está triste é por intuição, achismo e inconformismo por seu futebol ter perdido parte do brilho de uns tempos para cá. Não há nele um expresso desejo de regressar à “pátria amada, salve, salve”. Salvo pela necessidade de ter mais espaço para manter-se na Seleção, não há razões concretas para vê-lo em campos brasileiros.

Há algum tempo clubes dizem ter planos para contratar o jogador, mas ele quer? Já ouvimos de sua boca as sacras palavras: “Está na hora de voltar para o Brasil, viver entre amigos e ser feliz de verdade?”  O GPS de Adriano funciona com pilhas emocionais. O de Ronaldinho, tem baterias mais racionais e pragmáticas.



  • Beatriz

    Caro jornalista, respeite os jornais da década de 60 e suas manchetes se quiser que sua opinião e manchetes sejam respeitadas daqui a 50 anos! O João Havelange, presidente da CBD na época pediu a unificação e equiparação dos títulos da Taça Brasil e Robertão! Não dá pra noticiar uma coisa na Folha, No Globo, na Gazeta Esportiva e depois fingir que nada aconteceu! Em 2002 ouvi a absurda manchete “Santos campeão brasileiro pela 1ª vez em sua história!” . Meu, eu nunca li uma mentira tão grande como essa! Parece até com uma outra que li há 10 anos atrás: “Corinthians, primeiro campeão mundial de clubes da história!” … É muita mentira publicada e engolida por várias pessoas. Vamos com calma! Vamos reconhecer e dar valor ao passado que um dia nós seremos passado também. Abraço!

  • Cristiano

    Parabéns pelo texto! Realmente eu não entendi nada quando o Adriano anunciou a sua ida para o Roma. Se ele estava quase se “suicidando” de tanta depressão, encontrou a alegria no Flamengo e só porque pegaram no seu pé (mais ou menos) pelas faltas em treino, perdeu o estadual e a Libertadores, já fez biquinho e cara feia! Ora, se é o Morro do Rio que lhe dá alegria porque sair tão precocemente assim? A sua história ficou parecendo que ele estava com dor de cabeça de uma ressaca, tomou um analgésico e quando melhorou já achou que podia beber de novo! Mas esqueceu que o efeito do medicamento passa logo, daí então a dor voltou! Também acho que no Corinthians, na grande São Paulo, ele não se dará bem, pois assim como o Romário nunca quis jogar lá, ele também não se adaptaria àquela vida longe da praia e dos amigos dos morros! Pegar a ponte aérea todo dia não dá e ficar em São Paulo ou em Roma será o mesmo tédio!

  • Paulo

    Será que eu estou maluco ou o comentario da Beatriz não nada a ver com o assunto em pauta ? Presta atenção, minha filha !!

  • Valdomiro, depois dirigentes, torcedores e imprensa reclamam, quando jogadores de futebol se sentem maiores que seus clubes.

    Analisemos, por exemplo, o interesse de Grêmio, Palmeiras e Flamengo pelo mais malabarista de circo que futebolista Ronaldinho Gaúcho.

    Uma ligação, um mísero D.D.I, via qualquer operadora, para Massimiliano Allegri, treinador do Milan, já seria suficiente para descobrir que um investimento estratosférico no ex-melhor do mundo é uma tremenda canoa furada.

    E digo isso por um simples motivo. Comprometimento, ou a falta dele, é igual na Itália, no Brasil, ou no Azerbaijão.

    Mas alguns bradarão, até xingarão o blogueiro, alegando que o investimento em estrelas decadentes funcionou em outras praças. Pois, vejamos.

    Ronaldo, no Corinthians, foi um sucesso no quesito Marketing, só. Sim, porque os bons resultados conseguidos pelo Timão no período foram decorrentes de uma espinha dorsal entrosada e que contava com jogadores de bom nível, os Elias, Jucileis da vida. E aplaudamos, caso se concretizem, as declarações do presidente Andrés Sanchez, ao afirmar não fazer loucuras para reforçar o time para o próximo ano.

    No Fluminense, o mesmo “fenômeno”. Em que pese o gol do título brasileiro ter sido marcado por um bam-bam-bam, não fossem os “guerreirinhos” Marquinho, Rodriguinho e Diogo, entre outros menos cotados, a segunda, ou terceira, como queira, conquista tricolor não passaria de um sonho.

    E até mesmo o Fla, campeão nas manchetes bombásticas, tem experiência recente em atletas de custo-benefício baixo, caso de Adriano, de bastantes gols, mas muita polêmica fora de campo.

    Aliás, um parêntese, é triste acompanhar as especulações desse fim de 2010 no futebol brasileiro, que, como vi alguém escrever outro dia, mais parece um filme “a volta dos que não foram”.

    “Craque o Brasil faz em casa”. É, craque o Brasil faz em casa. Mas craque, o Brasil tem mandado embora de casa cedo demais também.

    Conhecem Luis Gustavo, volante do Hoffenheim, pretendido por um certo Bayern de Munique?

    Já viram em ação Pedro Geromel, zagueirão firme do alemão Colonia?

    E a turma do Shakhtar, Fernandinho, Jadson, William e companhia, poderia brilhar por aqui, não é?

    Ah, pentacampeões, chega de viver de passado, de iludir o torcedor.

    Na era do Marketing, vender camisa é importante, sem dúvidas. Mas, que renovemos os nomes a serem nelas escritos. Porque, tal qual definiu Lincoln, ” é possível enganar alguém durante todo o tempo, também é possível enganar todos durante algum tempo, mas é impossível enganar todos todo o tempo.”

    Abraço!

  • CLAUDINEI FERREIRA

    POIS È MINHA CARA BEATRIZ E ASSIM A VIDA SEGUE ALGUNS JORNALISTAS FINGEM DIZER A VERDADE E NOS FINGIMOS ACREDITAR NELAS,E POR ESSAS VEREDAS CAMINHAM O MENTIROSO FUTEBOL BRASILEIRO REPLETO DE TEIXEIRAS,SANCHES,MALUFS,PERRELAS E TANTOS OUTROS DESPOTAS DE UMA DAS MAIORES PAIXOES DE BRASILEIROS.

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