Máquina alemã e jejum argentino



Vulnerável era o lado direito, o lado direito era o vulnerável. Na estrutura drumonniana resumo o que foi esse chocolate germânico na Argentina. Parecia evidente que a Alemanha era mais time, mais conjunto, mais solidez… Nossos hermanos eram o talento individual, o Messi, o Tevez, o Agüero que poderiam decidir. Só que nos tempos modernos é cada vez mais difícil o fenômenos do jogador-que-ganha-sozinho, à Maradona 86. A Alemanha também tem individualidades fantásticas, tais como os monstros S, Özil e Müller, mas tem a carta fatal: um time, com toda a conotação de harmonia que ele pode (e deve) ter para ser vencedor.

A sensação antes do jogo era justamente de que para os argentinos ficava a esperança de um Messi contundente e resolvedor, mesmo sem Xavi e Iniesta ao seu lado… E que a defesa argentina, em especial no seu lado direito, não suportaria as investidas rápidas, de toques precisos, do ataque adversário. Pois foi esse o enredo que se viu. Um baile pelo setor. Baile que permitiu a Klose marcar duas vezes e ficar (isto é incrível!) a um gol de Ronaldo na ponta da tabela dos maiores artilheiros de todas as Copas. E que deixou Maradona estanque na lateral do campo, sem saber como reagir. Por essa o Pibe de Oro não esperava. Talvez porque acreditasse na repetição do seu fenômeno de 24 anos atrás, mas agora nos pés de seu camisa 10 Pulga.

A desolação argentina deve aumentar pelo fato da quinta Copa seguida sem conseguir nem mesmo chegar entre os quatro. Nesse período seleções como Bulgária, Suécia, Turquia, Coreia do Sul e Croácia, bem menos representativas no cenário internacional, conseguiram o que os sul-americanos não. A mesma Argentina que, se tem dois títulos mundiais, um foi em casa e o outro foi na base da maradonadependência. Já a Alemanha, agora mais qualitativa, é a rainha das semifinais. Apenas duas vezes não chegou entre os quatro primeiros. E aí vale a reprodução da velha frase: o futebol são 11 contra 11 onde no fim vence a Alemanha!



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