Agora é que são elas!



Agora só sobrou 1/4 das seleções no Mundial. As quartas-de-final são o momento-chave, a hora da ‘onça beber água’, no dia popular. Desta feita, são quatro campeões do mundo que sobrevivem, contra seis da Copa da Alemanha. A novidade nessa tropa é o Uruguai, que nem sequer participou da competição há quatro anos, e agora chega a tal etapa pela primeira vez em 40 anos. A última campanha digna de suas tradições havia sido no México, em 70, quando fez semifinal contra o Brasil – situação que pode se repetir na próxima terça-feira, diga-se.
Espanha e Holanda também dão toques de tradição à nova etapa que começa na sexta. Afinal, a Laranja tem duas finais de Copa nas costas e a Fúria é a atual campeã europeia. Gana e Paraguai insinuam serem coadjuvantes, mas também dão toques interessantes. Uma representa a África e já iguala a melhor campanha de uma seleção do continente, repetindo Camarões, em 90, e Senegal, em 2002. E os nossos vizinhos paraguaios chegam de forma inedita entre os oito e fazem com que a América do Sul tenha 50% dos representantes.
Segue uma breve análise dos confrontos de quartas-de-final:

Brasil x Holanda

Dizem que é feio ficar em cima do muro, mas é difícil ver favoritismo no confronto. O Brasil aparenta uma ligeira vantagem pelo tal fator ‘camisa’. Mas se ela pesasse tanto assim não seriamos freguezes da França, sendo eliminados três vezes recentemente por eles. Em 74, a Laranja Mecânica impôs-se sobre o Brasil por ter mais time. Até aquele ano, o que era a Holanda para o futebol mundial em termos de resultados? Um nada galopante!
A expectativa é para um jogo do mesmo nível daqueles que tivemos nos Mundiais de 94 e 98. Qualidade as equipes têm de sobra. Kaká, Robinho e Luis Fabiano de um lado,. Sneijder, Robben e Van Persie, do outro, podem decidir. Vou de Brasil, mas sem muita convicção.

Gana x Uruguai

Já ouvi muita gente entrando na onda de teorias conspiratórias. Que assim como aconteceu com a Coreia do Sul em 2002, Gana terá ajuda da arbitragem para termos um africano nas semifinais. Sinceramente, se achamos isso temos que parar o futebol. Espero que seja tudo na bola. O jogo tende a ser uma queda de braço, com muito jogo físico, garra, suor e lágrimas. Nenhuma das equipes prima pela técnica. E é incrível escrever isso quando tem um time africano, já que é um continente normalmente associado á técnica. Mas isso mudou, e muito. O time de Gana joga na força. Nem mesmo o atacante Asamoah Gyan, que tem três gols no Mundial, é um primor. O Uruguai, com o trio de ataque Forlán, Suares e Cavani, ‘descoberto’ por Oscar Tabarez, deve levar vantagem,. Vou de Uruguai.

 Alemanha x Argentina

Outro jogo que tende a ser parelho. A Alemanha passa a sensação de ter mais equipe, enquanto a Argentina é o time dos craques do meio para a frente. Os contra-ataques germânicos, com Özil e Muller, são letais, mas Messi e Tevez também são. O lado direito alviceleste exige atenção, apresenta fragilidades e Maradona ainda não encontrou a solução. É verdade que no amistoso entre as duas seleções, no começo do ano, os alemães não viram a cor da bola e a formação no 4-4-2, com os quatro zagueiros em linha, segurou o ímpeto do adversário. O aspecto histórico também pesa. Em 86, Argentina venceu a Alemanha na final e os rivais deram o troco quatro anos depois. Agora, a vingança pode ter a mão contrária na fase de quartas de final. Aposto na Alemanha.

Paraguai x Espanha

É o confronto mais desigual desta fase. A superioridade espanhola é enorme e o time de Vicente del Bosque parece que ganhou corpo na vitória sobre Portugal. Por ganhar corpo leia-se acertar seu toque de bola refinado com alguma objetividade. Villa vem sendo melhor o atacante da Copa e é difícil imaginar que os zagueiros Paulo da Silva e Alcaraz possam segurar. O Paraguai parece o Chile no quesito bons atacantes. Mas eles em conjunto, assim como no caso chileno, não costumam funcionar também. Santa Cruz, por exemplo, foi mais armador que definidor contra o Japão. A verdade é que o Paraguai já chegou longe demais e poderá festejar sua melhor participação na história. A Fúria, por outro lado, tem tudo para consagrar sua melhor campanha em 60 anos – a última vez que chegou entre os quatro foi no Brasil, em 50. E depois brigará pelo título. Aposto na Espanha



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