A bruxa das contusões voltou



A Copa se avizinha e a bruxa desce da vassoura. Verruga no nariz e sorriso sarcástico na boca.  É sempre assim. Nos dias que antecedem o início de um Mundial, um festival de contusões assola e preocupa seleções. E, por um capricho que sugere ações do além, em muitas situações o afetado é o craque do time. Ou, no mínimo, um jogador muito importante por motivos diversos. Outro dia, Ballack, que não chega a ser um grande craque, rodou e está fora da Alemanha que buscará o tetracampeonato mundial. Repito que não chega a ser um craque, mas certamente o jogador mais famoso e o líder do grupo germânico.

Agora vem essa do Drogba. Se a Costa do Marfim tem alguma chance de aprontar contra brasileiros e portugueses é pela presença do atacante do Chelsea (a maldição vem do clube inglês?). Não me venham dizer que Tourès e Kalous da vida podem segurar a onda. Não podem!

A importância da Copa para Didier e os chamados Elefantes é tamanha que ele vai operar o braço para poder atuar no Mundial. Vai dar uma de Beckenbauer-70? Para quem não lembra, o Kaiser jogou pela Alemanha com uma tipoia no braço na semifinal da Copa de 70, contra a Itália, por ter deslocado o ombro. A certeza é que o zagueiro Ferdinand já está fora. E a superdupla defensiva da Inglaterra esboroou. E a faixa de capitão perambula mais uma vez na operação ‘Escravos de Jó’: De Terry (escândalos sexuais com a ex de um companheiro) para Ferdinand (contusão) que passa para Gerrard.

Eu fico imaginando, e o leitor me abra alas para a divagação, a tortura mental que deve ser para o jogador, às vésperas de um Mundial, sofrer uma contusão. Eu me refiro ao momento pontual, quando vem a dor física do choque – seja ela na intensidade de uma fisgada na coxa ou de uma perna fraturada – mesclada à dor do sinal fechado para o Mundial.

Quando vi a imagem de Drogba se contorcendo fiquei tentando imaginar (imagine!). Lembrei-me também de Dibrij Cissè, às portas da Copa da Alemanha, quando viu sua perna ganhar novos contornos em um ‘inofensivo’ amistoso contra a China. Ou então em Emerson, ao cair inocentemente para fazer as vezes de goleiro, num treino para a Copa de 2002, e ali jogar fora a chance de conquistar o Mundo. E em milhares de outros casos que teimam em assaltar nossas mentes futebolísticas.

Para eles, um trecho de ‘Retrato em preto em branco’ (Chico Buarque/Tom Jobim):

“Já conheço os passos dessa estrada, sei que não vai dar em nada, seu segredos sei de cor. Já conheço as pedras do caminho e sei também que ali sozinho eu vou ficar tanto pior”



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