A Liga dos Campeões e a Copa do Mundo



A final da Liga dos Campeões foi um baita aperitivo para quem espera ansioso pela Copa do Mundo. Como o blog é de Copa, vou procurar me ater ao que ele se refere, mesmo que indiretamente. Mas antes vale registrar que o técnico José Mourinho tomou conta dos holofotes porque é muito acima da média. Não foi à toa que no caminho para a conquista a equipe de Milão superou nada menos que os campeões dos três mais importantes campeonatos nacionais do mundo ao lado do próprio Italiano: inglês (Chelsea), espanhol (Barcelona) e alemão (Bayern de Munique). Samuel Eto’o sempre foi um atacante nato, com velocidade e conclusão. Daqueles vaidosos, que ficava contrariado em grupos nos quais seu espaço ficasse em questão. Incrivelmente, com Mourinho aceitou virar uma espécie de ponta mais recuado. Tornou-se uma arma poderosa na marcação e articulação, quase desaparecendo na frente. O gol contra o Chelsea, no Stamford Bridge, foi uma exceção. E, sabendo que sem Ribery as jogadas alemãs se concentrariam em Robben, o que fez o técnico português? Escalou Chivu para o combate, reforçando a marcação pela esquerda da sua defesa com as ajudas de Cambiasso e Samuel. Ações de um técnico competente e decisivo.

Para efeito de Copa do Mundo, alguns registros:

1 – Não foi coincidência o fato de Diego Milito ter definido o jogo. Na temporada interista ele foi um dos jogadores mais importantes.  Não à toa a imprensa italiana o define como ‘un immenso’: na temporada que se encerra marcou 22 gols na Lega Calcio e cinco na Liga dos Campeões (sendo umas nas quartas diante do Chelsea e dois na decisão deste sábado). Será a principal referência do ataque argentino e é candidato a ser artilheiro da Copa.

2 – Samuel: Todos repetem insistentemente a mesma cantilena – a Argentina tem poderio ofensivo, mas a defesa… Pode até ser verdade, já que Heinze, Burdisso, Demichelis e Otamendi não são maravilhas universais. Mas Samuel destoa. Ótima Liga dos Campeões, anulou o ataque do Chelsea nas quartas e foi imprescindível na ajuda à marcação de Robben na final. Pelo menos ele pode ser um bastião da defesa alviceleste.

3 – Sneijder e Robben provaram na decisão que a Holanda terá um poder de fogo respeitável em campos sul-africanos. Vale lembrar que deverão formar quadrado com Rafael Van der Vaat e Van Persie. No passe para o primeiro gol de Milito, Sneijder mostrou perícia idêntica à que mostrara contra o Chelsea, em Londre, no gol de Eto’o. Já Robben foi o responsável principal pela surpreendente presença do Bayern na decisão. Foi o grande jogador da equipe na finalíssima e, não fosse Júlio César em um chute cruzado, poderia ter deixado a história com feitio diferente.

4 – Os brasileiros Júlio César, Maicon e Lúcio formaram um trio-barragem na temporada interista. E são titulares absolutos de Dunga. Impressiona a segurança do goleiro nos momentos decisivos. Impressionam o vigor físico, a qualidade na chegada à linha de fundo e o bom passe do lateral. E impressionam mais ainda a liderança, tempo de bola e qualidade técnica do zagueiro. Se o Brasil não parece ter um time dos mais fornidos de talento do meio para a frente, lá atrás…

5 – Os alemães Philip Lahm e Klose já não têm o mesmo nível de quatro anos atrás. O lateral aparece bem menos no jogo e faz muitas jogadas burocráticas, como toquinhos de lado. Já o atacante, que se fizer cinco gols no Mundial igualará Ronaldo como o maior artilheiro da competição em todos os tempos, é reserva do Bayern.



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