O tédio que o Paulistão me dá



Minha coluna publicada neste domingo, no LANCE!

O tédio que o Paulistão me dá

A primeira fase do Paulistão é um porre. Como nos versos buarquianos, uma cachaça muito amarga de tragar. Em pouco mais de dois meses, 19 balofas rodadas – metade do Brasileiro por pontos corridos (???) – com pouco jogo que preste. Uma fórmula feita para acarinhar dirigentes do interior, arrebentar o físico de elencos e entediar o torcedor.
Ontem me deu uma inveja dos cariocas que veio a somar-se ao brilho do calçadão de Ipanema e seus corpos dourados. Enquanto o sábado de Carnaval por lá era de semifinal da Taça Guanabara, com clássico no Maracanã, na Terra da Garoa – ou seria do Dilúvio? – a opção era ir ao Canindé ver Lusa x Corinthians pela oitava rodada da primeira fase.
Não espanta o prestigioso público de pouco mais de oito mil pessoas. Corajosos e abnegados torcedores, diga-se, que poderiam ficar em casa tirando uma soneca reparadora da lida semanal e estariam prenhes de razão.
A fórmula de disputa do Rio tem ainda a simpática coincidência das semifinais do primeiro turno cairem no período carnavalesco. Permite ao torcedor ir ao Maracanã assistir a uma decisão como aquecimento para a noite dos mascarados. Uma dobradinha perfeita!
Por que não importar o modelo para São Paulo? Muitos alegam que a cultura é diferente. Acreditar nisso é acreditar que as gentes paulistas preferem o morno. É colocar praia e concreto como definidores de essência. Duvideodó que se ontem tivéssemos um Corinthians x Palmeiras, por exemplo, por uma hipotética Taça Bandeirantes, a motivação não seria outra. Basta ousar.

 



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