As vozes contra a África



Já escuto as vozes que repercutem o simplismo bradarem: “O atentado contra o ônibus da seleção do Togo mostra que a Copa não pode ser na África do Sul”. Essas vozes certamente não fazem nenhum esforço analítico. Não buscam informações, simplesmente recorrem ao básico manual da generalização. E olha que hoje em dia as ferramentas de informação não são poucas. Mas o preconceito é o mais forte dos agentes contemporâneos. E o continente africano é visto pela humanidade como um bloco de subdesenvolvimento tribal onde não há sinal de civilização.

Primeiro deve-se dizer que assim como há grupos separatistas em alguns pontos na África, também há em locais de primeiro mundo. Na Espanha, por exemplo, onde o ETA já cansou de ganhar as manchetes em suas ações terroristas pela independência do País Basco, na fronteira com a França. Se em 2012 houver um desses atentados alguém pedirá para Londres, cidade que fica no mesmo continente, não receber os Jogos Olímpicos? Claro que não. Porque o senso comum berra que Espanha e Inglaterra são países diferentes, com realidades diferentes. Porque todo mundo sabe que existe o Reino Unido e existe a Espanha. Ao contrário da África, onde de uma maneira geral as pessoas enxergam um monolito, como se os países formassem uma massa única com a mesma cultura, os mesmos problemas, as mesmas reivindicações…

A região onde ocorreu o terrível atentado à delegação togolesa é conflagrada há muito tempo. Cabinda é palco de um grupo de rebeldes separatistas que até hoje agem contra a anexação do local por Angola. Logo, não poderia nessas condições receber uma competição esportiva importante. E mais: agora que aconteceu o fato, a atitude esperada dos organizadores da Copa Africana era retirar os jogos daquele local. Mas parece que não aprenderem a lição. Costa do Marfim, Gana e Burkina Faso continuam alocadas lá. Togo, numa atitude totalmente compreensível, já deixou o torneio.

A África do Sul é um país com diversos problemas sociais, entre eles a violência urbana decorrente do desequilibrio social. Porém, não há ações de grupos terroristas. Há mais de uma década o Apartheid (regime que segregou a população negra) foi extinto. Logo, associar as coisas é preguiça mental e de apuração. E fique claro: a África do Sul não é o paraíso.



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