Os antimessis na eleição da Fifa



Você já ouviu falar de Aminul Haque, Chiang Ming Ham, Glayds Bokese, Rodolfo Bodipo, Ryan Nelsen, Dominio Gadia, Emelio Kaligdong e Ashley Williams? Possivelmente nunca. Mas saiba que eles têm algo em comum com os zagueiros Lúcio e Lugano, bem mais familiares aos brasileiros. Todos eles, além de capitães de suas seleções nacional de futebol, acham, pasmem, que Lionel Messi NÃO esteve entre os três melhores jogadores do mundo em 2009.

Você já ouviu falar em Droji Kandhu, Stanley Thosane, Chang Twu Hei, Muntubile Santos, Lobo Diarte, Paul Put, Norio Tsukitate, Bob Houghton, Mamic Drago, Nigel Worthinghon, Jose Ariston Caslib e Tunoa Lui? Creio que não. Mas saiba que eles têm algo em comum com Berti Vogts, Dunga, Raymond Domenech e Javier Aguirre, bem mais familiares aos amantes do futebol. Todos eles, além de técnicos de seleções nacional, acham, pasmem mil vezes sem respirar, que Lionel Messi NÃO esteve entre os três melhores jogadores do mundo no ano que se encerra.

Na eleição da Fifa para escolha do melhor jogador do globo terrestre neste ano, Messi passeou. Nos votos de capitães e técnicos das seleções do mundo inteiro, onde cada votante aponta três atletas, o argentino obteve a maior diferença da história para o segundo colocado, no caso o português Cristiano Ronaldo, vencedor de 2008. Mas ainda assim houve gente achando que a bola dele não foi tudo isso na fileira de seis títulos do Barcelona. Vá lá que alguém discuta se ele foi o maioral – e essa discussão já pode soar insana -, agora não indicá-lo entre os três parece um despautério sem tamanho. Será que só acompanharam jogos da Argentina?

Mais intrigante é perceber que dos pouquíssimos nomes conhecidos que incorreram nesse absurdo estão os brasileiros Dunga e Lúcio. Ou seja, se dependesse da participação do Brasil na escolha o jogador do Barcelona nem estaria concorrendo. Difícil não pensar que a rivalidade (para dizer o mínimo)  não pesou na hora de votar. Só pode ser isso. Ou no conceito de Dunga, que escolheu Fernando Torres, Lampard e Drogba, o futebol de Messi está supervalorizado? Ou na opinião de Lúcio, que apontou Drogba, Eto’o e Ibrahimovic), o argentino é um atleta normal e seu conceito anda inflado? Nós lembramos muito bem de como Messi saiu aplaudido do Mineirão no jogo das Eliminatórias, em 2008, e o rancor que jogadores brasileiros demonstraram com a postura da torcida. Difícil não associar as coisas. Lembram-se das frases queixosas de Elano?

Outro ilustre que não enxergou o óbvio foi Domenech, o técnico da França. Será que, assim como não convoca Trezeguet por questões astrais, o francês também recorreu ao mapa, com suas casas para cima e para baixo, para descartar Lionel? E o que dizer de Diego Lugano, curiosamente um uruguaio, que apontou Cristiano Ronaldo, Henry e Gerrard?

Vale saber que dos 40 participantes da votação que não mencionaram o nome de Messi, 22, ou seja, mais da metade jogam ou dirigem países que nunca estiveram em uma Copa do Mundo. Nações sem a mínima tradição futebolística, tais como Butão, Bangladesh, India, Botsuana, Myanmar, Macau, e por aí vai. E a curiosa postura dos dois representantes de Taiwan, que votaram em Diego – sim, ele mesmo, campeão brasileiro pelo Santos e atualmente na Juventus (ITA) – e simplesmente ignoraram Messi? E os neozelandeses Ryan Nelsen e Rick Herbert, que estarão na Copa do Mundo e votaram exatamente igual, inclusive na mesma ordem: Cristiano Ronaldo, Kaká e Drogba? Mera coincidência?

Gosto é gosto, reza a sabedoria popular. Mas há limites que prefiguram o bom senso. Caso a votação fosse restrita a esse pessoal antimessi, contando os votos dos argentinos Maradona e Mascherano, que não poderam escolher um compatriota, Cristiano Ronaldo e Drogba dividiriam o prêmio.

 



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