Não há mais vagas nesse trem



Finalmente os 32 lugares ao sol estão preenchidos. Ninguém mais entra e ninguém mais sai. Mas o fato é que este último dia de Eliminatórias para a Copa de 2010 deu o que falar. Pessoalmente, lamento as eliminações de Egito e Rússia. Acrescentariam mais ao Mundial que eslovenos e argelinos, com todo o respeito que os dois países merecem. Os egípcios são os atuais bicampeões africanos e têm uma seleção mais simpática, por assim dizer. Na Copa das Confederações passada deu um suadoura no Brasil em um jogo que terminou 4 a 3 para a equipe de Dunga e derrotou a Itália por 1 a 0. Já a Rússia foi semifinalista da Euro-2008 e, mesmo que tenha tomado sete gols da Espanha não dá para tirar os méritos. Afinal, eliminaram a Holanda nas quartas, por exemplo.

Argélia e Eslovênia não estrearão em Mundiais, é verdade, mas quando participaram morreram na primeira fase. É verdade que os africanos estiveram no centro de um dos episódios mais polêmicos de todos os tempos no Mundial de 82, na Espanha. Primeiro surpreenderam a poderosa Alemanha ao fazer 2 a 1, numa zebraça que aparece sempre entre as Top 10 dos Mundiais. E depois ficou pelo caminho porque alemães e austríacos fizeram um reconhecido jogo de compadres que alçou os dois à fase seguinte e mandou os argelinos de volta para casa.

Registro digno merece a seleção de Portugal. Eu me arrisco a dizer que mostrou ter mais camisa do que pensamos. Depois de obter um espaço na repescagem quase que miraculosamente, os Tugas foram à Bósnia dar de cara com um caldeirão e uma ótima equipe, liderada por Dzeco e Ibsevic. Logo na entrada de campo já dava para entrever o clima. Pois o time de Carlos Queiróz jogou com personalidade admirável. Mesmo sem Cristiano Ronaldo mostrou decisão. O gol de Raul Meirelles no início do segundo tempo deixou os bósnios prostrados, já que precisariam marcar três para chegar á inédita classificação.

A Grécia recuperou-se da ausência do Mundial da Alemanha, o que foi esquisito tendo em vista que eram os campeões europeus, ao derrubar Shevchenko e companhia fora de casa. Sheva, aliás, chorou aos cântaros porque era sua última chance de jogar mais um Mundial – esteve em 2006 na bela campanha que encerrou-se nas quartas de final.

O Uruguai passou mais sufoco do que se poderia supor contra a Costa Rica. Mas fechou o ciclo de campeões do mundo que estarão em campos sul-africanos. Os sete estarão na competição, o que só a engrandece, obviamente.
Deixei para o fim o comentário sobre a classificação francesa. Injusta! Essa palavra é meio burlesca no futebol, principalmente porque o esporte não é um meio para justiças, reservado que é muito mais ao lúdico, ao surpreendente. Uma das facetas do futebol é a imprevisibilidade. Mas a forma como se deu a classificação foi patética. Depois de mais de 90 minutos de exibição grotesca dos comandados de Raymond Domenech – um técnico que me causa urticária por suas idiossincrasias -, o time perdia por 1 a 0 para os aguerridos irlandeses. Na prorrogação, uma jogada em que Henry não só dominou como conduziu descaradamente a bola com a mão e serviu Gallas, que marcou. O bandeira assinalou a irregularidade, mas o árbitro sueco Martin Hansson achou que sua visão era mais acertada – quando pareceu míope – e deu o gol. O resumo da ópera é que a França irá ao Mundial graças a uma mãozinha de Henry. É legal a França ir à Copa, não há dúvidas. Mas não dessa forma. Nem cabe discorrer sobre isso aqui, mas eis um lance para estampar na cara da Fifa que há situações em que a ajuda eletrônica seria de grande valia. A entidade prefere deitar em seu berço de conservadorismo e ter a história manchada por ilegalidade, como o gol de Maradona em uma partida de quartas de final de Mundial. Enfim, as 32 seleções estão definidas e nos próximos dias farei uma análise mais detalhada dessa configuração do primeiro mundial em território africano.



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