Possíveis jogos e grupos do Mundial



No próximo dia 4 de dezembro acontece um evento que empolga os amantes da Copa do Mundo. Digamos que é o verdadeiro pontapé inicial do maior torneio esportivo: o sorteio dos grupos. Pois sairam as prováveis configurações dos potes que abrigarão as famosas bolinhas – aquelas que só gente do status de Pelé, Puskas e Di Stéfano colocam a mão, exceto quando há divergências com os poderosos da Fifa. O fato é que já podemos vislumbrar possíveis grupos do Mundial sul-africano. Brincar de adivinhação. Mesmo que ainda faltem seis participantes (quatro europeus, um africanos e um das américas) pouca coisa deve mudar até lá. A única mudança notável acontecerá se a França perder para a Irlanda, no Saint Denis, o que seria uma zebraça. O Uruguai, que deve selar a vaga também nesta quarta, será o único campeão do mundo que não será cabeça-de-chave. Aos outros seis campeões do mundo (Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, Inglaterra e França) estarão a favorita Espanha e a África do Sul, anfitriã. O pote 2 terá os outros oito europeus, o terceiro os outro cinco africanos e três sul-americanos e o pote quatro as teóricas “babas” – quatro asiáticos, dois da oceania e três da Concacaf.

Algumas coisas curiosas dessa configuração, que, como sempre, leva em conta critérios técnicos e geográficos, é que a Argentina se livrou de uma bucha que há deixou em maus lençóis em 2002 e 2006. Nessas duas edições a Alviceleste enfrentou dois europeus na primeira fase – Inglaterra e Suécia, em 2002, e Holanda e Sérvia, e, 2006. Outra curiosidade é que o Brasil, assim como os próprios argentinos, obrigatoriamente enfrentará um africano. Isso porque no pote 3 os únicos acompanhantes das equipes do continente-sede são os sul-americanos. Isso só mudará se a Costa Rica provocar um autêntico Centenariazzo e eliminar o Uruguai.  Além disso, os potes 2 e 3 nos dão a certeza de que a tradição de termos um “grupo da morte” seguirá viva – com o perdão do trocadilho – na África do Sul. Imagine uma chave Alemanha, Holanda, Uruguai e México? Ela é possível… Ou então Brasil, Portugal, Camarões e México? Também pode acontecer.

Independentemente de como terminar o quadro de classificados nas próximas 24 horas outro fato é que nenhum grupo da Copa de 2006 poderá se repetir desta vez. E na primeira fase poderemos ter alguns duelos que estão na história das Copas do Mundo. Confira:

Itália x Coréia do Norte – Em 1966, na Inglaterra, os norte-coreanos fizeram sua única participação em Mundiais e provocaram uma zebra antológica ao derrotarem a Itália por 1 a 0. Resultado que decretou a precoce eliminação da Squadra Azzurra.

Brasil x Holanda – Duelo que por três vezes foi decisivo em Copas. Em 1974, a Laranja Mecânica venceu o Brasil de Zagallo e foi à final contra a Alemanha. Em 94, a famosa cobrança de falta de Branco que garantiu os 3 a 2 e a consequente classificação brasileira às semifinais. Em 98, novo triunfo brasileiro, desta vez nos pênaltis e que selou nova participação verde-e-amarela em uma finalíssima.

Espanha x Dinamarca – Em 1986, a Dinamarca era a sensação da Copa e havia destroçado Uruguai (6×1), Escócia e Alemanha (2 a 0) na primeira fase. Nas oitavas de final, porém, os espanhóis com um iluminado Emílio Butrageño, marcaram 5 a 1 e deram fim à idolatrada Dinamáquina.

Alemanha x Uruguai – Em 1966, as duas seleções encontraram-se nas quartas de final. E os germânicos aplicaram inapeláveis 4 a 0. A polêmica é que até hoje se fala de complôs de arbitragem. Nessa partida, o árbitro foi inglês, enquanto no outro duelo Europa versus América do Sul, Inglaterra x Argentina enfrentaram-se com apito alemão. Mas se houve alguma interferência…

Argentina x Camarões – Se o destino, vestido de bolinhas, colocar essas duas seleções frente a frente muitos lembrarão de 1990. No jogo de abertura daquele Mundial os camaroneses começaram a impressionar o mundo ao derrotar os atuais campeões, com Maradona e Caniggia em campo, por 1 a 0. E ali naquela edição se consagraria a maior campanha até hoje de um africano em Copas. Camarões chegaria às quartas de final. Senegal igualaria o feito 12 anos depois, na Ásia, ao cair na mesma fase diante da Turquia.

Inglaterra x Portugal – Em 1966, a maior equipe portuguesa de todos os tempos, comandada por Euzébio e Coluna, era a sensação. O time do técnico Oto Glória havia vencido o Brasil de Pelé por 3 a 1, na primeira fase, e aplicado virada espetacular sobre a Coréia do Norte nas quartas de final depois de estar perdendo por 3 a 0. Mas nas semifinais, os lusos sucumbiriam para os donos da casa ingleses: 2 a 1.

França x Paraguai – Qualquer francês que pense no título mundial de 98 – o único da seleção gálica até hoje – irá se lembrar do sufoco vivido nas oitavas de final. Porque se a França passou por Dinamarca, Itália e Brasil para chegar ao título, talvez o jogo mais suado tenha sido contra os paraguaios, da sólida defesa montada pelo brasileiro Paulo César Carpegiani, com Gamarra e Arce. A vitória por 1 a 0 veio no extinto golden gol (gol de ouro) com cabeçada do hoje treinador Blanc.  

Como devem ser os potes:

POTE 1: África do Sul, Brasil, Argentina, Alemanha, Itália, Espanha, Inglaterra e França ou Holanda*

POTE 2: Holanda ou Irlanda**, Rússia ou Eslovênia, Portugal ou Bósnia, Grécia ou Ucrânia, Suíça, Eslováquia, Dinamarca e Sérvia.

POTE 3: Camarões, Costa do Marfim, Gana, Nigéria, Egito ou Argélia, Chile, Paraguai e Uruguai ou Costa Rica

POTE 4: Coréia do Sul, Coréia do Norte, Japão, Austrália, Nova Zelândia, México, Estados Unidos e Honduras.

Grupos da morte possíveis com o Brasil:

Brasil, Portugal, Camarões e Estados Unidos

Brasil, Holanda, Costa do Marfim e México

Grupos da morte possíveis envolvendo outras seleções :

Argentina, Holanda, Camarões e México

Argentina, Portugal, Costa do Marfim e Estados Unidos

Alemanha, Holanda, Uruguai e Austrália

Itália, Portugal, Chile e Estados Unidos

Espanha, Rússia, Uruguai e México

França, Sérvia, Paraguai e Estados Unidos

Inglaterra, Holanda, Chile e México

Grupos mais fáceis para o Brasil

Brasil, Eslováquia, Egito e Coréia do Norte

Brasil, Suíça, Nigéria e Honduras

Grupos mais fáceis para outras seleções

Argentina, Suíça, Egito e Coréia do Norte

Alemanha, Eslováquia, Paraguai e Nova Zelândia

Itália, Grécia, Camarões e Coréia do Sul

Espanha, Bósnia, Paraguai e Coréia do Norte

 



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