Sábado repleto de emoções



O sábado foi de maratona na reta final das Eliminatórias para a Copa de 2010. Mais três seleções sairam de campo com passaporte carimbado para o torneio sul-africano: Nova Zelândia, Camarões e Nigéria. Agora já são 26 classificados e seis vagas a serem preenchidas. Vamos aos pitacos e informações:

Repescagem Ásia – Oceania – Os neozelandeses têm que agradecer à Fifa pela recente medida de transferir a Austrália para a disputa asiática. Pois somente assim os All Whites (ao contrário do famoso time de rugbi, os All Blacks) poderiam retornar a uma Copa do Mundo. Digo retornar porque já tiveram experiência em 82, na Espanha. Amarga experiência. Na ocasição, perderam os três jogos de goleada, um deles para o encantador Brasil de Zico, Sócrates e Falcão (Escócia 5 x 2, União Soviética 3 x 0 e Brasil 4 x 0). O Bahrein, por outro lado, perde pela segunda vez consecutiva na repescagem a chance de debutar em um Mundial. Para 2006, haviam caido diante de Trinidad e Tobago, na última insania da Fifa de colocar frente a frente seleções antípodas geograficamente – prova agora de que há ainda vida inteligente no planeta bola! O dado curioso desse Nova Zelândia x Bahrein, disputado na cidade de Wellinton é que o público de 35 mil pessoas no Westpac Stadium foi o maior da história do futebol local. Lá a sensação é o irmão quase gêmeo do ‘soccer’, o rúgbi. Se parece incrível vale para sublinhar um velho detalhe: mesmo em países onde não é o esporte número um, o futebol pode conseguir proezas. A Nova Zelândia não deve fazer grande papel ano que vem, mas é sempre bacana ver times novos em Copas.

Enquanto isso, no Novo Continente…. – Camarões e Nigéria, duas forças do futebol africano, obtiveram vaga neste sábado. E ambas retornam após sentida ausência na Alemanha. O fato é que a classificação dos Leões Indomáveis, com o artilheiro Eto’o no comando, era dada como certa. Já das Superáguias era remota, mas o futebol… Os camaroneses venceram Marrocos por 2 a 0 e evitaram a tragédia de quatro anos atrás, quando perderam para Costa do Marfim, na rodada derradeira, seu lugarejo ao sol. Desta vez, nada de dar sopa para o azar. Já a Nigéria contou com o trotamundos Obafemi Martins – sim, o mesmo Oba Oba Martins que esteve na Italia (Internazionale), na Inglaterra (Newcastle) e agora desfila pela Alemanha (Wolfsburg) – para, usando clichê horrendo do futebolês, operar o milagre. O time fez seu papel ao superar o Quênia por um suado 3 a 2. Mas não bastava, precisava de um tropeço da intrépida Tunísia diante de Moçambique – terra muito mais conhecida pela lingua portuguesa e o esplendoroso escritor Mia Couto que por seu futebol, reconheçamos. E não é que aconteceu? Os tunisianos, que tentavam a quarta passagem consecutiva para um Mundial, perderam por 1 a 0. Uma coisa interessante de se destacar nas Eliminatórias africanas é que como elas valem também para a Copa da África de Seleções, que ocorre a cada dois anos, as equipes sem chances de ir ao Mundial ainda podem brigar para ir ao torneio continental, o que aumenta o interesse de alguns selecionados mais fracos.

Ainda na porção de terra da Copa… – Ainda resta uma vaga à África. Egito e Argélia a disputam de forma renhida. Neste sábado, os egípcios ganharam por 2 a 0, no Cairo, e fizeram exatamente o placar que deixou os rivais empatadíssimos até no saldo de gols. Resultado, um novo jogo ocorrerá na próxima quarta, no Sudão – sim, o mesmo país que nos últimos anos tem aparecido no noticiário por conta de crimes contra a humanidade de Darfur. Dois detalhes significativos desse duelo de países do norte africano, da chamada África branca: os dias que antecederam a partida no Egito foram de apreensão e estado de quase guerra. Ônibus com jogadores da Argélia foi apedrejado e teve jogador e treinador de goleiros ferido. Tudo por conta de rivalidade que remonta às Eliminatórias de 85, quando deu os argelinos. O outro é que o gol egipcio que forçará o jogo-desempate saiu aos 50 minutos do segundo tempo. Mais emoção pra quê? De qualquer forma, na quarta uma seleção encerrará longo jejum. A Argélia está ausente da Copa desde 86 e o Egito desde 90. Lembrando que a equipe dos Faraós é a atual bicampeã africana (defenderá o título em Angola, ano que vem).

E na Europa… – Os quatro jogos de ida da repescagem européia deixaram a disputa em aberto. Mas a poderosa França foi quem se deu melhor. Os Bleus venceram a Irlanda do técnico Giovani Trappatoni por 1 a 0, em Dublin, e jogarão por simples empate no famoso Saint Denis, na quarta, para buscar o bicampeonato na África. Os irlandeses, aliás, perderam a invencibilidade na atual disputa eliminatória (inclusive empataram duas vezes com a Itália). A Rússia teve grande chance de abrir substancial vantagem contra a Eslovênia, mas a deixou escapar nos minutos finais em Moscou. No faladíssimo estádio Luzhniki – tudo porque a grama é artificial -, Dinyar Bilyaletdinov, jogador do Everton (ING) fez duas vezes, sendo que o primeiro foi numa jogadaça de Pavlyuchenko, de outro time inglês, o Tottenham. Os russos, semifinalistas da última Euro, dominaram o jogo mas vacilaram aos 43 minutos da segunda etapa ao sofrerem gol de Pecnik. O 2 a 1 joga luz nas possibilidades eslovenas de irem ao seu segundo Mundial – estiveram na dobradinha Coréia do Sul – Japão, em 2002. Isso porque um magro 1 a 0 será suficiente na quarta-feira para a ex-república iugoslava chegar lá. Grécia e Ucrânia ficaram num modorrento 0 a 0 em Atenas. Ótimo placar para o time de Shevchenko, que precisa de triunfo simples em Kiev. Assim, se a tendência se concretizar, deveremos ter a repetição de uma sina dos últimos anos: o lugar dos gregos é na Eurocopa (estiveram em 2004, quando foram campeões, e 2008) e dos ucranianos na Copa do Mundo (ficaram entre os oito primeiros em 2006). Para fechar, Portugal venceu na conta do chá a surpreendente Bósnia: 1 a 0. Os lusos, no entanto, agora terão que suportar um caldeirão no jogo de volta, além de um rival muito bom tecnicamente. Sem Cristiano Ronaldo, diga-se, talvez a seleção ibérica seja inferior à bósnia. A dupla eslava Dzeko e Ibisevic é infernal. E no fim foi até bom que o árbitro encerrasse o jogo, porque os visitantes pressionaram e numa jogada incrível colocaram duas bolas seguidamente na trave. Carlos Queiróz e sua trupe correm, e muito, risco de ver o Mundial da África do Sul pela telinha. Na quarta-feira saberemos de fato.



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