Parreira, um fracasso com seleções estrangeiras



Carlos Alberto Parreira tem grande afeição pela Copa do Mundo. Ao aceitar retornar ao comando da seleção sul-africana demonstrou uma volubilidade curiosa – saiu ano retrasado dizendo precisar, nessa fase da vida, viver mais próximo da família – e um grande senso de oportunidade. Leiam bem para não me acusarem depois. Eu não disse oportunismo, mas oportunidade. Falta menos de um ano para o início da Copa e é glamoroso dirigir a seleção anfitriã em uma competição dessas, não? Apenas Flávio Costa, em 1950, teve essa chance. E naquele Mundial o Brasil foi sede. Agora, Parreira terá a visibilidade que Joel Santana teria e viu esvair-se. No jogo de abertura do primeiro Mundial no continente africano, um marco político acima de tudo, lá estará ele aboletado no banco de reservas dos donos da casa. Não, Parreira não precisa de holofotes. Já dirigiu o Brasil em duas Copas e, em 1994, deu termo a uma fila de 24 anos do escrete canarinho. Mas os ganhos para o ego são monumentais.

Parreira, que no último Mundial assistiu impassível os arroubos e festividades da seleção em Weggis – e ao extrapeso de Ronaldo -, viveu algumas situações inusitadas na história das Copas. Dirigir os Bafana Bafana não será um episódio tão pitoresco. Em 1982, na Espanha, comandou o pequeno Kuwait. Sim, o mesmo país que oito anos depois seria pivô do embate George Bush, O PAI, e Saddam Husseim. Pois não é que na partida contra a França de Giresse e Platini o presidente da federação do país árabe, um tal de Fajid Al-Yaber Al-Sabah, invadiu o campo após um dos gols franceses, o que seria o quarto. E o árbitro, inibido, simplesmente ANULOU o lance. Incrível! Em uma Copa do Mundo. Mas mesmo assim os gauleses venceram por 4 a 1. O treinador, não satisfeito, liderou mais dois selecionados árabes na maior competição do futebol mundial. Os Emirados Árabes, em 90, e a Arábia Saudita, em 98. Com os sauditas, quando era o campeão de ocasião com a Seleção Brasileira, passou por uma humilhação. Foi demitido durante a disputa do torneio, mais precisamente após a segunda rodada, quando sua equipe perdeu simplesmente para os donos da casa e futuros campeões, os franceses, por 4 a 0. A outra derrota havia sido para a Dinamarca. No confronto mais parelho, diante da sua atual seleção, a África do Sul, os sauditas conseguiram um empate por 2 a 2.  

Nessas três Copas com seleções estrangeiras, Parreira não conquistou uma mísera vitória. Tentará, com a África do Sul, obter o primeiro triunfo. Foram oito jogos, com sete derrotas e um empate. E derrotas contundentes, como vocês podem conferir na lista abaixo. A curiosidade é que Parreira tem a França como seu pesadelo em Mundiais – o mesmo que acontece com o Brasil. Levou goleadas em 82 (4 a 1) e 98 (4 a 0) e ainda foi eliminado pelo time de Raymond Domenech no último Mundial, em 2006, como recordamos bem.

Confira o desempenho das seleções dirigidas por Parreira nas Copas do Mundo:

Kuwait na Copa 1982 (Espanha) – eliminado na primeira fase

Kuwait 1 x 1 Tchecoslováquia

Kuwait 1 x 4 França

Kuwait 0 x 1 Inglaterra

Emirados Árabes na Copa de 1990 (Itália) – eliminado na primeira fase

Emirados Árabes 0 x 2 Colômbia

Emirados Árabes 1 x 5 Alemanha

Emirados Árabes 1 x 4 Iugoslávia

Brasil na Copa de 1994 (Estados Unidos) – campeão

Brasil 2 x 0 Rússia

Brasil 3 x 0 Camarões

Brasil 1 x 1 Suécia

Brasil 1 x 0 Estados Unidos

Brasil 3 x 2 Holanda

Brasil 1 x 0 Suécia

Brasil 0 x 0 Itália (4 x 2 nos pênaltis)

Arábia Saudita na Copa de 1998 (França) – demitido após o segundo jogo

Arábia Saudita 0 x 1 Dinamarca

Arábia Saudita 0 x 4 França

Brasil na Copa de 2006 (Alemanha) – eliminado nas quartas-de-final

Brasil 1 x 0 Croácia

Brasil 2 x 0 Austrália

Brasil 4 x 1 Japão

Brasil 3 x 0 Gana

Brasil 0 x 1 França



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