Maradona brinca de “Escravos de Jó”



Maradona, quando jogador, era o talento e a criatividade à serviço dos argentinos – boquenses, barcelonistas e napolitanos também o sabem. Mas parece que a improvisação que o caracterizou como atleta, ele transferiu para a carreira de treinador. Poucas vezes se viu, pelo menos a minha curta memória não me acode, um técnico que muda tanto uma equipe de um jogo para outro como o Pibe de Oro. É um troço que beira o insano. Parece um menino brincando de escalar uma equipe. Você sabe o time-base de Dunga, certo? Pode até haver uma dúvida ou outro em posição específica, o que é natural, mas em geral dá para cantar do camisa 1 ao onze.

Maradona está prestes a completar um aninho só no leme celeste. E do primeiro jogo da Eliminatória que dirigiu, um 4 a 0 sobre a Venezuela, até a partida do último sábado diante do Peru, apenas quatro jogadores seguiram titulares: Heinze, Gutierréz, Mascherano e Messi. Muito pouco. E o pior é imaginar que dois desses titulares indiscutíveis justamente Gutierrez e Heinze, que qualquer observador sabe que são péssimos. Mascherano, el jefito, é o líder da equipe e, embora tenha dado a entregada incrível no primeiro gol peruano, tem escalação justificada. E Messi não precisa dizer.. Mas nas outras posições Maradona realiza um “Escravos de Jó” que impressiona. Até no gol, posição que costumam dizer ser de confiança, o treinador já escalou Abondanzieri, Andújar,

O Diário Olé, em sua versão eletrônica, trouxe um dado interessante nesta terça-feira. Do jogo contra a Venezuela para o confronto diante da Bolívia, Maradona fez três mudanças na equipe. Da Bolívia para a Colômbia, quatro; Da Colômbia para o Equador, quatro; do Equador para o Brasil, quatro; do Brasil para o Paraguai, quatro e de Paraguai para o Peru, sete. Contra os peruanos, em jogo decisivo, dois jogadores estrearam na gestão maradoniana: Pablo Aimar, que não era chamado desde a Copa América de 2007, e Higuain, que fez o primeiro tento diante dos peruanos.

São números que impressionam e justificam o tango que vive a Argentina. Não dá para afirmar que com um Marcelo Bielsa ou Carlos Bianchi a Argentina fosse nadar de braçada. Ainda mais porque o futebol dos nossos rivais vive um seca tremenda de jogadores de defesa, mas certamente não estaria passando esse sufoco todo.



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