Maradona ouve Adios Nonino



“Adios nonino” é um tango cortante de Astor Piazzola. Narra a história que ele o compôs em Nova York logo após a morte do pai, Vicente Piazzola, que chamava carinhosamente de nonino – vovô em italiano. A melodia, que no ápice é um réquiem de cortar a alma, muitas vezes simbolizou a arte de Maradona com a camisa alviceleste. Cansei de ver clipes em que a canção embalava os dribles do Pibe. Pois agora o ex-camisa 10 vive somente o lado choroso, encarna a verdadeira fronte desse tango.

Era olhar para as expressões de Maradona na beira do campo de Rosário, no sábado à noite, para ver que ele parece ser tudo, inclusive o grande gênio da bola, menos técnico de futebol. Parecia mais nervoso que toda a plateia argentina presente no estádio. Seus dentes foram máquina torturadora de unhas. Ele parece não saber onde está. A humilhante derrota de seis para a Bolívia, que parecia encoberta pela desculpa da altitude, vem mostrando que tinha razão de ser. Contra o Brasil, a Argentina inexistiu. Até tinha posse de bola, mas sem a mínima objetividade. Messi tinha seus lampejos, mas a jogada estava sem continuidade. É uma equipe sem sistema de jogo, que parece muito mais um punhado de amantes de Maradona que uma equipe. Verón, mais recuado, nada arma. Mascherano, o capitão, faz a sua no combate, Mas falta o toque de classe de Riquelme, que está às turras com o chefe. A zaga é uma lástima. Sebá, aquele mesmo, foi titular.

Não, não acho que a Argentina vá ficar fora da Copa. O que, aliás, seria péssimo para o Mundial (sem Messi e sem a tradição dos nosso vizinhos?). Mesmo tendo Paraguai e Uruguai ainda fora, o time receberá o Peru e na pior das hipóteses irá à repescagem. Lá pegará provavelmente ou Costa Rica ou Honduras. Ou seja, deve passar. O problema é: Maradona deve ficar? Não deve ser muito fácil demitir o ídolo mor, mas pesquisas já apontam que ele não é unanimidade entre os torcedores. Ele, que até virou santo de igreja por lá, não é adorado como treinador. Enquanto isso, tratado como “Loco”, Bielsa faz o Chile aproximar-se de um Mundial após 12 anos. Bianchi, o mago das Libertadores, está com outra função no Boca. E Pekerman só dá pitacos. O fato é que Evita estaria dizendo: no Llores por mi, Maradona.



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