De tudo fica um pouco…



Como diria o poeta soberano Carlos Drummond de Andrade, de tudo fica um pouco… Da Copa das Confederações, que marcou o restar de um ano para a Copa do Mundo, também ficou…

– Ficou um pouco mais de impressão que Dunga começa a surpreender os críticos, inclusive este que escreve. Nem mesmo a suposta teimosia do treinador tem sobressaido. Se ela estivesse presente, o implorado Ramires não ter-se-ia transformado em titular, desbancando o xodó Elano. E Daniel Alves não seria improvisado nos minutos finais da semifinal contra a África do Sul. Não duvido mais que Fábio Aurélio possa ganhar uma chance nesse ínterim até o Mundial e que Ronaldo e Adriano podem ansiar um lugarzinho lá. Afinal, Nilmar e Pato não parecem desfrutar de muito prestígio no momento com o comandante tapuia.

– Fica um pouco daquela velha sensação de que a Espanha não aguenta bafejos de favoritismo no seu cangote. Basta comparar a postura dos ibéricos quando chegou a hora de decidir com a da Seleção Brasileira. Mesmo sem Iniesta e Marcos Senna, vitais na conquista da Europa em 2006, os espanhóis não podiam ter ficado no caminho como ficaram. Continuam tendo um timaço e há que respeitá-los. Mas os velhos chavões que envolvem a Fúria recobraram seus contornos.

– Ficou um pouco de notoriedade para os norte-americanos no soccer. Verdade que a praia deles normalmente é com as mãos, no futebol local. Mas não podemos ignorar a evolução do bate-bola ianque. Depois de derrotas esperadas para italianos e brasileiros, os dirigido por Bradley, assecla da Universidade de Princeton, bateram com contundência os até então surpreendentes egípcios e engoliram os todo-todos espanhóis. E ainda deram algum calafrio para o Brasil na decisão. E lembrar que em 1990, quando jogavam uma Copa depois de 40 anos, eram patéticos. Em jogo contra a antiga Tchecoslováquia parecia futebol amador. De lá para cá muita evolução e uma participação em quartas de final em 2002 – destroçaram Portugal, recordam-se? É melhor não tê-los em sua chave no Mundial sul-africano. Eis uma dica.

– Ficou um pouco do futebol limitado da África do Sul, que não será um anfitrião ambicioso demais. Mas um recepcionista lutador, sem dúvidas. O time de Joel terá que fazer algumas rezas, talvez apelando para seus deuses, para cair em um grupo acessível na primeira fase. Assim, evitarão o ineditismo de um dono da casa dando adeus já no começo.

– Ficou um pouco mais do carisma de Joel Santana. Com seu estilo paizão, o brasileiro levou a equipe Bafana Bafana longe demais. E ganhou sobrevida que deve esticar-se até a Copa. Dá-lhe Joel.

– Ficou um pouco da sensação de que a Itália não brigará pelo penta. Embora historicamente a Azzurra já tenha dando demonstrações cabais de sua porção fênix. Vide 82 e 94. O time envelhecido, não assustou nem os egípcios – obra dos faraós? O fato é que ou Lippi mexe seus trapos ou a Itália pode ser um vexame na busca por defender um título.

– Ficou o eco perturbador de vuvuzelas tonitruantes. ok, hábitos locais. Mas a Fifa deveria ouvir o clamor e impedi-las no Mundial. É uma questão de preservação timpânica.

– Ficou o clarão em alguns estádios e o receio de que na Copa esses vazios se repitam. A preferência local pelo rúgbi pode deixar o futebol a ver navios em sua competição mais importante.



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