A África é logo ali



O espaço que jornais e revistas ao redor do mundo dedicam ao noticiário do continente africano não costuma ser dos mais nobres. Miséria, guerras tribais, ditaduras sanguinolentas, índices alarmantes de infectados com HIV… É um cardápio sem fim de tragédias humanas. Com a proximidade do primeiro mundial no Novo Continente, as vuvuzelas sul-africanas anunciam que o futebol local pede espaço. Pela primeira vez, a África será o segundo continente com mais representantes em uma Copa. Serão ao todo seis países dessa porção de terra, atrás apenas dos 13 europeus. Faz até sentido pela quantidade de países, mas causa espécie se pensarmos no nível futebolístico (discussão para outro momento). A questão é que haverá mais africanos que sul-americanos. Não vamos considerar o continente americano como um todo porque as disputas classificatórias são historicamente divididas entre hemisférios.

A África do Sul, anfitriã, já tem seu lugar assegurado. Os outros cinco postos são disputados a unha por 20 seleções nesta reta final. Desde nações tradicionais, como Camarões, Marrocos, Tunísia, Nigéria, Gana, Costa do Marfim e Argélia, até os surpreendentes Gabão, Mali, Burkina Faso, Benin e Zambia. Recorrendo ao divertido, porém inócuo, joguete poderíamos dizer que se as Eliminatórias locais se encerrassem hoje estariam classificadas três que compareceram à disputa de quatro anos atrás (Costa do Marfim, Gana e Tunísia), uma que está ausente desde 1986 (Argélia) e outra que debutaria em Mundiais (Gabão). Camarões, do artilheiro Samuel Etoó, estaria fora pela segunda vez consecutiva. A tragédia de 2005, quando perdeu a classificação na última rodada, volta a atormentar os camaroneses. Além disso, a Nigéria também tenta evitar mais uma ausência seguida.

Costa do Marfim, do goleador do Chelsea Didier Drogba, e Gana, do também jogador da equipe londrina Essien, estão com a classificação muito bem encaminhadas. Ambas acumulam três vitórias em três partidas. O azarão Gabão, que tem uma população inferior a 1 milhão e meio de pessoas, também registra 100% de aproveitamento. E a briga mais interessante está justamente no grupo A, dos gaboneses. A equipe tem cinco pontos a mais que Camarões, porém ambos tem um jogo a menos que os outros dois rivais da chave: Togo e Marrocos. Detalhe: Gabãe e Camarões se enfrentarão duas vezes na mesma semana, nos dia 5 e 9 de setembro próximos.

Confira situação de cada grupo na zona africana:

Grupo A

Classificação: Gabão – 6 pts (2j); Togo – 4pts (3j); Marrocos – 2pts (3j) e Camarões – 1 pt (2j)

Análise: O surpreendente Gabão ganhou os dois jogos que fez até aqui, contra Marrocos (2 a 1) e Togo (3 a 0). Porém, os confrontos decisivos deverão ser contra os camaroneses, que participaram das Copas de 90, 94, 98 e 2002. Os duelos ocorrerão em uma mesma semana. Togo e Marrocos, que têm uma partida na frente, ainda alimentam possibilidades e, como se encontrarão no dia 5 de setembro, um deles deve virar carta fora do baralho.

Grupo B

Classificação: Tunísia – 7 pts (3j); Nigéria – 5 pts (3j); Quênia – 3 pts (3j); Moçambique 1 pt (3j)

Análise: Moçambique tem chances remotíssimas. Precisa vencer as três partidas que restam e ainda esperar, na platéia, por resultados favoráveis. A disputa tem tudo para ficar restrita a Tunísia e Nigérias, duas seleções acostumadas a jogar Copas – os tunisianos estiveram nas três últimas, inclusive. No dia 6 de setembro as equipes duelarão na Nigéria e se os donos da casa venceram tomam a dianteira. No primeiro jogo, na Tunísia, empate por 0 a 0.

Grupo C

Classificação: Argélia – 7 pts (3j); Zambia – 4 pts (3j); Ruanda – 1 pt (2j); Egito – 1pt (2j)

Análise: Os egípcios, que deram um suadouro danada no Brasil e derrotaram a Itália na Copa das Confederações, está mal das pernas. Mas, assim como Ruanda, tem um jogo a menos que os dois líderes da chave. Se derrotar Ruanda em casa no dia 5 de setembro, o que deve acontecer, volta ao páreo. Então deveremos ter três brigando por uma mísera vaga. No returno, os argelinos terão dois jogos em casa contra apenas um de Zambia e Egito, o que pode ser decisivo. O Egito fará confronto árabe diante da Argélia no Cairo, o que é um alento.

Grupo D

Classificação: Gana – 9 pts (3j); Mali – 4 pts (3j); Benin – 3 pts (3j); Sudão – 1pt (3j).

Análise: Gana tem situação confortabilíssima. Com 100% de aproveitamento, está muito perto de ir pela segunda vez seguida a um Mundial. A equipe tem a melhor defesa desta fase das eliminatórias africanas. Não levou nenhum gol em três partidas. Para completar, jogará duas vezes em casa e uma fora. Ou seja, dá para cravar que vai ao torneio. Mali, do atacante sevillano Kanoute, precisará vencer os ganeses em seus domínios e ainda torcer por outro tropeço dos rivais. Isso se vencer os seus outros jogos.

Grupo E

Classificação: Costa do Marfim – 9 pts (3j); Burkina Faso – 6 pts (3j); Guiné – 3 pts (3j); Malawi – 0 pt (3j).

Análise: Além de ter vencido todos os jogos até aqui, os marfinenses têm mais um motivo para ver-se com um pé e meio na África do Sul. Venceram seu principal oponente, Burkina Faso, fora de casa por 3 a 2 e, no próximo dia 5, fará o jogo de volta. Uma vitória selará a vaga para Drogba e companhia.

 



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