O valor do favoritismo espanhol



Em 93, a Colômbia estraçalhou a Argentina em Buenos Aires, pelas Eliminatórias do Mundial. O placar de 5 a 0 elevou, naquele momento, o país a candidato ao título da Copa dos Estados Unidos. A equipe do técnico Francisco Maturana era festejada pela imprensa de todos os cantos e entrava no rol de favoritas. Mas, convenhamos, a folha corrida daquela seleção não a credenciava realmente a ingressar no topo. E o Mundial confirmou isso: derrotas para Romênia e Estados Unidos e uma vexatória queda ainda na primeira fase.

Pelé, na década de 90, declarou que aproximava-se o tempo em que uma seleção africana conquistaria o mundo. Disse isso por onda, por vibrações de empolgação. Porque os resultados do continente na competição não lhe davam respaldo. Camarões nas quartas de 90 era o feito mais notável – sim, teriam chegado ás semi não fossem dois pênaltis evitáveis contra a Inglaterra. Ou seja, mais um caso em que as apostas não condiziam com o cartel, com o currículo.

Não é nenhum desses casos o da atual seleção espanhola. Há todos os motivos do mundo para apontar a Fúria como favorita única ao título mundial. E quando digo favorita, não significa que vá chegar ao título inédito com sobras ou que seja líquido e certo que vá chegar. Apenas me fio nos números da equipe que era comandada por Aragonés e agora está com Vicente del Bosque.

Como não apostar fichas em um selecionado que acumula 35 jogos de invencibilidade, a maior da história ao lado do Brasil (de dezembre de 93 a janeiro de 96) . Se ocorrer o óbvio na próxima quarta e superarem os Estados Unidos, os ibéricos irão isolar-se nesse índice. Reparem que nesse álbum de jogos há seis pela Eurocopa, quando teve pela frente equipes de alto nível como Rússia (duas vezes), Suécia, Grécia, Itália e Alemanha. Há boas chances de todas essas equipe estarem no próximo Mundial.

Como não apostar fichas em um selecionado que venceu os últimos 15 jogos, recorde absoluto para seleções em todos os tempos? Nesse caminho teve adversários com alguma expressão, tais como Turquia e Bélgica.

Como não apostar fichas em um selecionado que tem 100% de aproveitamento em seu grupo nas Eliminatórias? Sim, Inglaterra e Holanda também detêm esse percentual. Mas esse número é amparado por outros, como os 13 gols a favor e singelos dois contra Casillas.

Mesmo que os espanhóis percam a Copa das Confederações, acho que devem pontificar na lista dos favoritos ao título mundial. Ouço gente dizer que a Espanha na hora agá amarela, treme na base. Ouvi esse mesmo discurso às vésperas da Eurocopa. O favoritismo espanhol pode ser comparado ao que cercava a França em 2002. Os gauleses eram os então campeões mundiais e da euro. E fracassaram redondamente na Copa. O que, obviamente, pode acontecer com Fernando Torres e companhia. Mas não acredito. O mais provável é que chegue no pelotão da frente. Podem esbarrar nas camisas de Brasil. Argentina, Alemanha e Itália. Só não podemos ignorar que os números estão aliados à Fúria.



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