O desequilíbrio do Santos



O desempenho ofensivo do Santos neste início de Brasileiro sugere um time que briga pelo título. O rendimento defensivo, por outro lado, é de um time que luta contra o rebaixamento. São 14 gols pró em cinco jogos e uma excelente média de 2,8 tentos por partida. Já lá atrás, são nove gols sofridos, quase dois por confronto. E esse desequilíbrio pode ser fatal no fim da contas. Repare, internauta, que o Peixe teve duas vitórias na mão e as entregou de bandeja para Goiás, na Vila, e Santo André, no ABC, por conta desse desnível ataque-defesa.

E o que explica essa vulnerabilidade defensiva? No esquema do técnico Vagner Mancini, com três atacantes e um meia como Molina, que pouco marca, os laterais precisam ser sacrificar, ser mais laterais que alas. Guardar posição. Mas não basta fincar terreno, é necessário ter características de marcação. E Luizinho, pela esquerda, não tem. Muito pelo contrário, parte a todo momento para a frente – e sem qualidade técnica para isso. Rodrigo Souto não consegue cobrir o lado e o Santos permite um festival de lances adversários pelo linha de fundo. No jogo contra o Santo André foi um festival de bolas alçadas na área. E como Eller estava em um dia pouco inspirado…

Pela esquerda, Léo também já não tem mais o mesmo potencial de marcação. Ou seja, o Santos joga e deixa jogar. A filosofia fica parecida com aquela dos idos dos anos 60, quando Pelé, Coutinho e companhia ganharam quase tudo em jogos com placares de 5 a 2, 7 a 6, etc… Mas obviamentes os tempos são outros e aquela equipe era de outro mundo.

O Internacional, por exemplo, fez a metade dos gols do Santos até agora. No entanto, só levou dois e tem a melhor defesa. Em suma, é uma equipe mais equilibrada e, por isso, lidera a competição. O Alvinegro está invicto mas à custa de três empates. Para ter condições de brigar pelo troféu, a equipe da Baixada precisará dar mais solidez à defesa. Wagner Diniz não é esse marcador, e isso serve de preocupação. Um jogo que pode servir de lição a Mancini e seus comandados é a vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo, na primeira fase do Paulistão, na Vila Belmiro. Naquela ocasião, o time neutralizou as fortes jogadas aéreas do Tricolor e saiu com os três pontos. Só que jogou com três zagueiros (Fabão, Eller e Domingos), tática que o treinador parece ter eliminado. Apenas um atacante isolado na frente (Roni). Agora, seria Kléber Pereira. O problema é abdicar do time envolvente que tem ido á campo. Um imenso dilema para Mancini..



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