Fábio Costa – tática Gigantes do Ringue



No mês passado, entrevistei o goleiro santista Fábio Costa com os amigos e repórteres Alexandre Lozetti e Luiz Fernando Cardoso. O tema principal, naturalmente, foi o temperamento explosivo do camisa 1. A fama de destemperado que acompanha o jogador é tão presente que em praticamente todas as respostas, mesmo nas questões relativas a outros temas, Fábio retomava o assunto de sua personalidade e atitudes. Ao mesmo tempo que parecia querer se justificar o tempo inteiro, em nenhum momento ele foi incisivo e deu pistas de arrependimento. Inclusive ressaltou que considera-se punido por ser verdadeiro. Ainda afirmou que inverdades sobre ele saem repetidas vezes na imprensa. Nesse emaranhado de dizeres e explicações, porém, o capitão do Peixe acaba sendo derrotado pelas imagens.

O jogo contra o Santo André, na última quinta à noite, foi ilustrativo. O goleiro, em duas oportunidades, executou aquela sua saída de gol que, não bastasse o espalhafato, coloca em risco a integridade física dos adversários, O lateral-esquerdo Gustavo Nery foi vítima de fato. Ficará dois meses parado após sofrer uma tesoura à Gigantes do Ringue – antiga atração televisiva de luta livre de sábados à noite. A não-marcação de pênalti foi um absurdo. Para completar, no segundo tempo outra saída “enérgica”, desproporcional, do goleiro. Desta vez, no bom atacante Nunes. O jogador andreense, acredito eu que num ato de defesa e irritação, levantou a perna. Errou, é claro! Mas se fosse normalmente para a bola poderia ter o mesmo destino do companheiro de time. Foi uma forma de defesa. E o que aconteceu? Nunes expulso! Fábio Costa absolvido pelo árbitro!

Essa modalidade de saída de gol tem duas consequências possíveis, ambas danosas. A primeira, e mais preocupante, é gerar contusões em atletas. O goleiro vem em velocidade e com as pernas levantadas. É uma espécie de tática “sai da frente que eu quero passa, vamos ver no que vai dar!” A outra é para o próprio time. Sempre que joga-se com esse fervor, Fábio predispôem-se a cometer pênaltis e, por tabela, prejudicar o time que defende, Isso se não for expulso em seguida, para piorar o enredo.

Fábio Costa é um goleiro de reflexos raríssimos. Especialista em defender cabeçadas à queima-roupa. Nessa partida no ABC, foram duas espalmadas nesse estilo. Poderia ter uma carreira ainda mais vitoriosa e elogiável. Com idas frequentes à Seleção Brasileira. Mas esse tipo de atitude acaba manchando sua reputação. Porque, não duvide, daqui a alguns anos será lembrado mais pela fúria que bela bola. A memória é punitiva nesse tipo de coisa. Emerson Leão que o diga…



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