Leite derramado II



A nossa cartolagem vive choramingando a extinção do passe. Culpa essa lei abolicionista (mais de cem anos após a famosa Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel) pela penúria dos cofres dos clubes. Diz que não vale o investimento em categorias de base. Pasmem! Mas e quando uma revelação é negociada, antes do fim do contrato, a bons valores? Ou então, quando consegue uma caroninha no tal mecanismo de solidariedade e fatura uma graninha inesperada com a transferência de atleta Veja o caso do São Paulo. Em 2003, o clube repassou Kaká ao Milan por R$ 10 milhões. O contrato caminhava por fim e o Tricolor não teve opção, ou corria o risco de ficar de mãos abanando. Mas na época o valor foi tido como baixo. Pois agora, o meia caminha da Itália para o Real Madrid. E eis que o São Paulo irá aquinhoar R$ 7 milhões por ter participado da formação do atleta. Ou seja, receberá uma grana quase equivalente a que obteve quando negociou o jogador.

O tal mecanismo de solidariedade, que consta do artigo 21 do Regulamento de Aplicação do Estatuto de Transferência de Jogadores da Fifa, regula os direitos dos clubes que formam um atleta entre 12 e 23 anos. Dos 12 aos 15 anos o clube tem direito a 0,25% do valor da transferência por cada ano. E dos 16 aos 23 essa porcentagem passa a 0,5% anuais. É nessa esteira que o São Paulo sai ganhando.

O Santos recentemente amealhou R$ 3,8 milhões pela transferência de Robinho do Real Madrid para o Manchester City. E poderá faturar mais se no futuro o atacante der seus pulinhos por aí. Convenhamos que os clubes não têm do que se queixar nesse aspecto.



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