A sanha dos tribunais esportivos



O Corinthians conseguiu efeito suspensivo e garantiu a presença do atacante Dentinho no time contra o Fluminense, nesta quarta, em jogo que definirá um semifinalista da Copa do Brasil. Por ora as barras da "Justiça" não irão interferir no campo. Mas até quando? Afinal, o pessoal dos tribunais esportivos no Brasil mostra uma voracidade inusitada para punir. Pega a TV, assiste e aponta o dedo para o infrator. Sem critérios ou o mínimo de bom senso. É um pouquinho de Brasil iáiá…

Não estou dizendo que as punições são  sempre erradas. Há casos até em que são devidas. Lembremos do italiano Tassoti em 1994. O jogador da Itália recebeu um gancho da Fifa após as quartas-de-final do Mundial dos Estados Unidos. No jogo contra a Espanha ele desferiu uma senhora cotovelada no atacante Luiz Henrique. O juiz não viu! A TV flagrou! E aí foi punido. Ha, portanto, situações em que a punição a posteriori é até didática.

Mas no Brasil há um exagero nítido. Todo lance virou caso para apreciação dos julgadores. Há uma sensação de que há falta do que fazer, com toda franqueza! Uma busca de trabalho em meio ao ócio. O procurador Paulo Schmitt pediu averiguação do puxão de cabelo do atacante Ronaldo em Fahel do Botafogo, no último domingo. Um lance bastante exótico, nada mais. Você, internauta, acha que Ronaldo merece ir a julgamento? Corremos o risco do futebol ser resolvido no tribunal. Prática, aliás, bem comum em nosso futebol. Em 1991, por exemplo, o Corinthians disputaria as semifinais do Brasileiro caso a decisão da "Justiça" não desse os pontos ao Fluminense do clássico diante do Botafogo. Tudo por conta de problemas com a torcida que interromperam o jogo. Já tivemos o caso Sandro Hiroshi, que redundou na monstrenga Copa João Havelange, nos pontos perdidos pelo Vasco na Taça Guanabara deste ano e outros tantos. Já deu, né?



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