O lado bom (para o futebol) da saída do Reino Unido da União Europeia



Desde que a saída da Grã-Bretanha da União Europeia foi aprovada em referendo, o mundo do futebol tem se mostrado preocupado com o futuro do Campeonato Inglês. E isso faz sentido. Porém, muito já se foi falado sobre isso. Mas, há um lado bom nessa história, que não tem sido tão repercutido. Os clubes ingleses estão investindo pesado em suas categorias de base. Mas pouco estão utilizando os valores que saem de lá. Agora, podem se ver “obrigados” a isso, e os frutos devem chegar. Além disso, os clubes terão que ser mais seletivos na hora de contratar alguém de fora e evitar algumas aberrações.

Falando primeiramente dos jovens. O Manchester United, por exemplo, tornou-se o clube que é por causa dos jogadores criados lá. Principalmente os da Classe de 1992: Beckham, Giggs, Scholes, Butt e os irmãos Neville. Com o tempo, mais e mais estrangeiros chegaram, e a prata da casa foi deixada de lado um pouco. Nesta última temporada, Louis van Gaal não foi bem. Mas um mérito foi ter dado chance à garotada. Os mais significativos são Lingard e Rashford. Deram conta do recado, e este último virou a sensação da Premier League, sendo até convocado para a Eurocopa. Além de outros, como Bortwick-Jackson e McNair.

O jovem Rashford apareceu muito bem no United (Divulgação)

O jovem Rashford apareceu muito bem no United (Divulgação)

O Chelsea e o Manchester City, dois dos clubes mais ricos do mundo, investiram pesado recentemente nas instalações para a base. Principalmente os Citizens. E jogadores estão sendo criados. Porém, pouco jogam. Nos Blues, o único que teve algumas chances na última temporada foi Loftus-Cheek. No City, o jovem atacante Iheanacho, profissionalizou-se lá, teve boas chances, mas é nigeriano.

No fim das contas, estes dois clubes acabam emprestando muitos dos seus jovens. É fácil ver algum prata da casa do Chelsea jogando no Vitesse, da Holanda. O City cede jogadores para diversos países, e também para divisões inferiores da Inglaterra. Mas poucos conseguem oportunidades no time de cima, a transição para o profissional não é boa, e muitas vezes talentos acabam sendo perdidos.

– Se alguma coisa acontecer para que estes jovens tenham boas chances, então dou as boas-vindas (ao referendo). Uma das minhas preocupações como presidente era a falta de oportunidade aos garotos nos clubes grandes. Poucos fazem isso – disse Greg Dyke, presidente da Federação Inglesa (FA) à Sky Sports.

Um bom exemplo é o Tottenham. Nos últimos anos, o clube fez muitas contratações e gastou uma boa grana. Nem sempre foi bem. Na última temporada, apostou em ingleses como Walker, Rose, Dele Alli e Kane. Disputou o título até o fim, e os quatro estão na Eurocopa. Como titulares.

Dele Alli explodiu nesta temporada (Foto: Divulgação)

Dele Alli explodiu nesta temporada (Foto: Divulgação)

Ao mesmo tempo, os clubes preciserão ter mais cuidado em suas contratações. Com muito dinheiro nos cofres das diretorias, as compras ficaram mais caras. E inflacionadas. Jogadores de qualidade duvidosa foram transferidos por valores irreais. Exemplos não faltam. O City pagou 45 milhões de euros (R$ 168 milhões) por Otamendi, o Liverpool desembolsou 41 milhões de euros (R$ 153 milhões) por Roberto Firmino, o Chelsea deu 27 milhões de euros (R$ 101 milhões) por Pedro. Não são jogadores ruins. Mas por esses valores…

Isso vale até para clubes menores. O Stoke pagou 24 milhões de euros (R$ 90 milhões) por Imbula, o Newcastle desembolsou quase 60 milhões de euros (R$ 225 milhões) pelo trio formado por Mitrovic, Thauvin e Wijnaldum. Foi rebaixado.

Será difícil os clubes se adaptarem ao novo modelo. Quem for inteligente e começar desde já, antes dos tais dois anos de adequação e implementação das novas leias, vai sair na frente. A Inglaterra já provou que tem uma boa geração de jovens talentos. Se os times souberem utilizar isso, fizerem as contratações certeiras, podem no fim até se dar bem e ficarem com as contas mais equilibradas.

Porém, a tendência é que no fim das contas, todas essas discussões sejam desnecessárias. É dinheiro demais envolvido, e os clubes vão pressionar demais para que a legislação se altere e continue como está.

– Eu acho que os clubes vão querer manter o mercado totalmente aberto. Mas enquanto isso, não sabemos se será possível por pelo menos dois anos – disse Dyke.



  • Eduardo

    Thiago arruma seu texto Grã-Betanha é diferente do Reino Unido.
    A primeira não inclui a Irlanda do Norte.
    O referendo foi para o Reino Unido e não grã betanha.

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