logo lance
undo
Nacionais
Internacionais

BlogsL!

Colunistas

2 Pontos

por Rodrigo Borges e Fabio Chiorino

Blog da L!TV

Vídeos

Blog do Baldini

por Wilson Baldini

Blog do Bechler

por Marcelo Bechler

Blog do Kfouri

por André Kfouri

Blog do Garone

por André Schmidt

Blog do Gui Gomes

por Guilherme Gomes

Blog do Guilherme de Paula

por Guilherme de Paula

Blog do Janca

por João Carlos Assumpção

Blog do Mansell

por Eduardo Mansell

Blog do Marra

por Mário Marra

Blog do Salata

por Thiago Salata

Blog do Tironi

por Eduardo Tironi

Bulla na Rede

por Rafael Bullara

Crônicas do Morumbi

por Ricardo Flaitt

De Prima

por Fábio Suzuki e Igor Siqueira

Em Cima do Lance

por Bernardo Cruz e Igor Siqueira

Fora de Campo

O dia-a-dia dos atletas

Futebol & Ficção

por Valdomiro Neto

Futebol na Terrinha

por Thiago Correia

Gol de Canela FC

por Jonathan Oliveira

Humor Esportivo

Trollagem e zoação

Laguna Olímpico

por Marcelo Laguna

Lance! Livre

por Lucas Pastore

Made in USA

por Thiago Perdigão

Marketing & Economia da Bola

por Amir Somoggi

Números da Bola

por André Schmidt

O Mundo é Uma Bola

por Leonardo Pereira e Luiza Sá

Papo com Boleiro

por Luiz Otávio Abrantes

Planeta Fut

por Luiz Augusto Veloso

Press Start

por Lazlo Dalfovo e Pedro Scapin

Quem Não Sonhou?

por Gabriel Carneiro

Saque

por Daniel Bortoletto

Segunda Pele

por Leonardo Martins, Rafael Bullara e Vinícius Perazzini

Super-Raio X

por Alexandre Guariglia

Tênis

por Fabrizio Gallas

Clubes

Doentes

HISTÓRIA EM JOGO – Liga dos Campeões – Final 1962 – Benfica 5 x 3 Real Madrid | Blog Mauro Beting
logo lance
undo
Nacionais
Internacionais

BlogsL!

Colunistas

2 Pontos

por Rodrigo Borges e Fabio Chiorino

Blog da L!TV

Vídeos

Blog do Baldini

por Wilson Baldini

Blog do Bechler

por Marcelo Bechler

Blog do Kfouri

por André Kfouri

Blog do Garone

por André Schmidt

Blog do Gui Gomes

por Guilherme Gomes

Blog do Guilherme de Paula

por Guilherme de Paula

Blog do Janca

por João Carlos Assumpção

Blog do Mansell

por Eduardo Mansell

Blog do Marra

por Mário Marra

Blog do Salata

por Thiago Salata

Blog do Tironi

por Eduardo Tironi

Bulla na Rede

por Rafael Bullara

Crônicas do Morumbi

por Ricardo Flaitt

De Prima

por Fábio Suzuki e Igor Siqueira

Em Cima do Lance

por Bernardo Cruz e Igor Siqueira

Fora de Campo

O dia-a-dia dos atletas

Futebol & Ficção

por Valdomiro Neto

Futebol na Terrinha

por Thiago Correia

Gol de Canela FC

por Jonathan Oliveira

Humor Esportivo

Trollagem e zoação

Laguna Olímpico

por Marcelo Laguna

Lance! Livre

por Lucas Pastore

Made in USA

por Thiago Perdigão

Marketing & Economia da Bola

por Amir Somoggi

Números da Bola

por André Schmidt

O Mundo é Uma Bola

por Leonardo Pereira e Luiza Sá

Papo com Boleiro

por Luiz Otávio Abrantes

Planeta Fut

por Luiz Augusto Veloso

Press Start

por Lazlo Dalfovo e Pedro Scapin

Quem Não Sonhou?

por Gabriel Carneiro

Saque

por Daniel Bortoletto

Segunda Pele

por Leonardo Martins, Rafael Bullara e Vinícius Perazzini

Super-Raio X

por Alexandre Guariglia

Tênis

por Fabrizio Gallas

Clubes

Doentes


HISTÓRIA EM JOGO – Liga dos Campeões – Final 1962 – Benfica 5 x 3 Real Madrid

por Mauro Beting em 18.out.2010 às 16:47h

Cartaz da final de Amsterdan, vencida por um grande Benfica por 5 x 3

Você já viu na série HISTÓRIA EM JOGO as cinco conquistas  do Real Madrid, de 1956 a 1960.

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2010/10/01/historia-em-jogo-liga-dos-campeoes-da-europa-final-1960-real-madrid-7-x-3-eintracht-frankfurt/

Você já viu o Benfica ganhar do Barcelona na decisão das traves quadradas

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2010/10/11/historia-em-jogo-liga-dos-campeoes-1961-benfica-3-x-2-barcelona/

Agora é hora do bi benfiquista. Contra o Real Madrid que era penta. E continuou penta contra o maior dos Benficas.

O de Coluna. Germano. Costa Pereira. E, agora, também de Simões. E da Pantera Negra Eusébio, com apenas 19 anos.

O timaço que venceu um Real com Di Stéfano e Puskás. Mas com os anos pesando.

E deu Benfica.

Merecidamente. Na “Noite dos Pontapés Distantes”. Um jogo de muitos gols, e muitos gols de fora da área – metade deles.

Ao final de mais um jogaço decisivo da Copa dos Campeões da Europa, como então era chamada, Eusébio correu para perto de seu maior ídolo, o hispano-argentino Di Stéfano. Pediu e ganhou a camisa azul usada pelo gênio. Sem a camisola encarnada, logo Eusébio foi alçado pelos companheiros e torcedores na celebração que tomou conta do gramado. Com a mão direita, Eusébio socava o ar, ensandecido; com a esquerda, fazia volume dentro do calção com o maior troféu que ele até hoje guarda, na sua casa. A camisa do Real Madrid batido sem dó.

LOCAL – Estádio Olympisch, Amsterdã, Holanda. 2 de maio de 1962. 65 mil presentes.

A LIGA DOS CAMPEÕES 1961-1962

http://en.wikipedia.org/wiki/1961-62_European_Cup

OS GOLS DA FINAL DE AMSTERDÃ

http://www.youtube.com/watch?v=IhLAn5oGHok

Benfica num WM (3-2-2-3) torto, com o meia-direita Coluna mais à esquerda, próximo do meia-atacante (mais atacante que meia Eusébio), um autêntico ponta-de-lança daqueles anos. Do estilo comparável ao de Pelé; Real Madrid também no WM, mas com Di Stéfano tão atrás que era quase um esquema com três volantes. Duas variantes interessantes do moribundo WM de então

COMEÇOU O JOGO – De camisas escuras, mais para o lilás, o Real Madrid ataca à esquerda da cabine de TV; de uniforme tradicional encarnado, o Benfica vai ao jogo à direita.

2min – Di Stéfano mergulha de peixinho e quase abre o placar depois de falta cruzada da direita. Desatenção do excelente zagueiroi-central português Germano. Real começa com tudo, em partida nervosa, com passes errados e entradas duras.

4min  – O excelente, rápido e driblador ponta-esquerda Simões bate fechado, da esquerda, um escanteio com o pé direito (prática pouco comum, então). Melê na área até a boa saída do goleiro madridista Araquistáin – que não passava muita segurança à equipe.

6min – Simões driblou dois e só foi parado em boa defesa do goleiro rival. Benfica passa a dominar o jogo. Está bem melhor do que na final passada. Também porque é um time muito melhor dotado tecnicamente, com as entradas de Eusébio e Simões, e a manutenção de Coluna, Germano e José Augusto. Além do respeito e do entrosamento adquiridos. Do outro lado, é um Real Madrid envelhecido e tecnicamente enfraquecido.

7min – Coluna tenta sair pela direita mas é desarmado por Di Stéfano. O craque argentino é cada vez menos um centroavante (que é Puskás, nesta final na Bélgica), e cada vez mais um armador pela esquerda. Para não dizer um terceiro homem de marcação no meio. Impressionante a disposição do veterano argentino. Mas ele não só ajuda atrás. Também arma à frente. La Saeta Rubia sai em velocidade para o contragole, faz bela tabela com Puskás, e só não abre o placar porque, para variar, o não menos irrepreensível Germano aparece para salvar a zaga lusitana.  

Eusébio, Costa Pereira e Coluna

8min – Ele fazia os 100 metros em menos de 11 segundos. E fez algo parecido ao sair muito atrás do lateral-direito Mário João e chegar muito à frente dele. O ponta-esquerda Gento era demais. Em tudo. Estava impedido na sequência do bom lance armado por Di Stéfano.

15min – Enfim aparece o talento e a força de quem muito se esperava em Bruxelas. Eusébio pegou um rebote na área mas bateu mal, com muita força, por sobre a meta. Todo o lance foi do gigantesco Coluna, que teve de se readaptar no esquema, um tanto mais atrás e à direita, para dar suporte à presença de Eusébio, quase como quarto  atacante do Benfica. Jogo igual. E bom. Puskás começa a aparecer, recuando para armar o jogo e lançar os pontas Tejada e Gento. Porque Di Stéfano segue longe da árearival. Talvez para ajudar os dois médios defensivos merengues (Felo e Pachín), que não são grande coisa, e têm muito trabalho com Eusébio, Coluna e mais a entrada por dentro do ponta-direita José Augusto. Para piorar, Del Sol é outro de discreta atuação na meia direita merengue.

17min – Primeira falta do jogo. Felo, médio-direito, dá uma senhora porrada em Coluna. Hoje, caso para amarelo. Benfica segue um tanto melhor no jogo, até pelo recuo e excessiva lentidão merengue.

17min – GOL. 1 X 0 REAL MADRID. PUSKÁS. PÉ ESQUERDO. FORA DA ÁREA. Estava lento o Madrid? Pois é… Mário João cruzou aquela falta feia sobre Coluna na área espanhola. Zaga corta, rebote na intermediária para Tejada tocar de primeira, de puxeta, para Di Stéfano; o gênio argentino lançou por elevação o Major Galopante Puskás, ainda no próprio campo. Ele partiu em condição legal, aproveitando-se da marcação alta da zaga portuguesa. Sozinho, Puskás chegou até praticamente a marca do pênalti, para bater cruzado, de canhota, no canto de Costa Pereira, que demorou a sair, e ainda saiu pouco, até a linha da pequena área. Como na final de 1960, o rival tinha a bola, as melhores chances, mas bastou um vacilo para o Real mostrar sua força diante do então campeão europeu.

Puskás, o craque húngaro, em outra partida pelo Real Madrid. Dos maiores canhotos de todos os tempos

23min – GOL. 2 X 0 REAL MADRID. PUSKÁS. ESQUERDA. FORA DA ÁREA. Falta na intermediária de ataque batida rapidamente para Puskás. Ele recebe sem a marcação nem do médio-direito Cavém (que havia sido ponta-esquerda um ano antes, na decisão de Berna), nem do médio-esquerdo Cruz. Aí fica fácil. Ainda mais para o destrutivo talento do craque hispano-húngaro. Antes da chegada do excelente central Germano, Puskás avança e bate cruzado, no canto esquerdo de Costa Pereira. Ele foi mal e foi tarde à bola, que ainda quicou no gramado holandês e o matou de vez.

24min – Benfica não merecia estar perdendo por 2 a 0. E começou a domar a bola e o jogo com Coluna. Passou por três, na raça, força e técnica. Time português se atira ao ataque, e Real recua todo.

25min – GOL. 1 X 2 BENFICA. ÁGUAS. CANHOTA. DENTRO DA ÁREA. O popular gol na hora certa. Falta na meia esquerda, Coluna rolou para Eusébio chegar de longe e mandar ver a perna direita na bola. Ela bateu na trave esquerda e, no rebote, meio sem jeito, Águas diminuiu o placar, em condição legal, também se aproveitando do goleiro que foi tarde para a bola. Como de costume, os flashs dos fotógrafos atrapalhavam a visão dos atletas. E não se coibia a prática.

26miun – Um jogaço, o Benfica é todo ataque, o Real Madrid se defende como dá. E como dá gosto de ver a aplicação tática de Di Stéfano! Jogou como poucos na história, e marcou como raríssimos entre os craques de ataque.

Di Stéfano, La Saeta Rubia, com a camisa escura usada na final de 1962

 

28min – Benfica marca pressão lá na frente, no ataque. Eusébio atua mais à esquerda, próximo ao atacante Águas, e fazendo eventualmente sensacional parceria com o ponta Simões. Coluna recua para organizar o time desde atrás, e dar um pé aos médios Cavém e Cruz. Só dá Benfica.

30min – Eusébio vem para o jogo e arruma contragolpe com Simões. Na tabela, o Pantera Negra manda por sobre a meta. O médio0-direito espanhol Felo não consegue conter Eusébio. E não apenas porque não era grande coisa. Também porque Eusébio era demais.

31min – Mais um passe errado de Gento. O 2 x 1 é muito para a atuação madridista.

32min – Puskás se atira mais uma vez tentando cavar faltas. Mesmo batendo mais que o rival, o Benfica também joga mais.

35min – GOL. 2 X 2 BENFICA. CAVÉM. CANHOTA. MEIA DIREITA. Cavém toca para Águas chutar de trivela. Eusébio ajeita no peito e recua para Cavém acertar belo chute no ângulo direito da meta de traves quadradas do Heysel. Goleirinho espanhol foi andando até a bola… Festa no estádio de Bruxelas pelo empate português.  Um gol mais que justo.

No álbum de figurinhas dos bicampeões europeus, destaque para o polivalente Cavém, que jogou em 9 posições pela camisa encarnada em sua rica passagem pelo clube

34min – Costa Pereira continua mal no jogo. Sai (mais uma vez) sem necessidade da meta (e quando poderia ter fechado o ângulo para Puskás, no primeiro gol,nada fez…), e toca a mão na bola, fora da área. A tempestade de gols na Bélgica também se explica pela má jornada dos dois goleiros. O espanhol também sai muito de sua meta. E muito mal.

36min – Gento, livre pela esquerda, pega mal na bola, depois do primeiro bom lance do meia Del Sol.

38min – GOL. 3 X 2 REAL MADRID. PUSKÁS. CANHOTA. DENTRO DA ÁREA. Contragolpe de Puskás, ainda na intermediária. Tejada tabelou com Felo, hoube um bate-rebate, e a sobra com Puskás, que mandou um canhotaço indefensável para Costa Pereira. Gol de centroavante, de artilheiro, de craque. Golaço num jogaço.

40min -Lindo chapéu de Gento em Mário João. Para delírio dos fotógrafos e, provavelmente, dos poucos patrocinadores de placas estáticas. Entre eles, Pepsi e Martini.

41min – Gento escapa pela esquerda e cruza no segundo pau para Di Stéfano cabecear na “barra do Benfica”, como se desesperou o narrador português. Melhor bastante o Real Madrid no fim da ótima primeira etapa.

INTERVALO – Grande e equilibrado primeiro tempo. Benfica teve mais a bola, jogou melhor a maior parte do tempo, mas o Real Madrid foi mais contundente e preciso. Primeiro tempo nota 8. Puskás, o melhor (nota 10), Simões (9), o melhor benfiquista

PLACAR VIRTUAL 1O.TEMPO – REAL MADRID 7 X 5 BENFICA

Charge da equipe bicampeã  da Europa

SEGUNDO TEMPO

2min – Melhora o Benfica. Também pelo crescimento técnico de Coluna e Simões, dois monstros. A blitz faz com que o Real Madrid só consiga dar “pontapés de baliza”, os tiros de meta.

5min – Gento corre e recebe algumas bolas longas desde a defesa. É pouco para a enorme pressão benfiquista. Um time melhor que o campeão de 1961. Muito melhor.

5min – GOL. 3 x 3 BENFICA. COLUNA. PÉ DIREITO. Puskás tenta dar um pé atrás mas tem a bola tomada por Coluna. Ele avança pela meia direita e manda um “pontapé fortíssimo”, na rede lateral direita do goleiro, que caiu tarde na bola. Justo. Para não escrever que seria ainda mais se tivesse virado o time português.

6min – Falta feia do lateral-esquerdo Ângelo sobre o bom ponta-direita Tejada. Hoje seria lance para cartão amarelo.

8min – Coluna é o senhor do gramado. Joga demais, em todas as áres e cantos do campo.  José Augusto sai da direita e articula por dentro, e só dá Benfica, com o Real Madrid não conseguindo articular o contragolpe.

10min -Puskás esquecido na frente. Mas faz belo lance com Gento, que passa por dois, só que o disperso Del Sol desperdiçou.

12min – Melê na área depois de lindo lance de Zé Augusto. Simões só não virou o jogo porque a zaga salvou. Parece pregado fisicamente o Real Madrid.

14min – Num lance isolado, o lateral-direito Casado cai e se machuca.

16min – Coluna desarma Del Sol, dribla um rival, e lança Simões que voa para cima do cambaleante Casado. Mais que nunca o caminho é pela esquerda. Não havia substituição à época.

16min – Benfica prejudicado pelo árbitro. Gol mal anulado de José Augusto por impedimento do ataque benfiquista. Belo lance de Eusébio. Lance era do árbitro, que deixou o bandeirinha 2 na linha de fundo. Mais um erro do sempre complicado árbitro holandês Leo Horn.

17min – Pênalti muito mal marcado a favor do Benfica. Quase tão absurdo quanto o marcado a favor do Real Madrid na decisão de 1960. Mário João desarmou Gento e tocou para Eusébio, rente à linha lateral direita, escapar desde o próprio campo, passar por Di Stéfano, desacelerar como craque que era, entrar na área pela direita e se atirar sobre o lateral-esquerdo Miera. O juizinho Leo Horn caiu na manha da Pantera Negra de Moçambique e marcou um pênalti absurdo. Não foi nada. Alias, quase Eusébio se machucou ao cair. Hoje, ainda seria amarelo por simulação. Não adiantaram os merengues reclamarem muito – para a época.

17min – GOL. 4 X 3 BENFICA. EUSÉBIO. PÊNALTI. PÉ DIREITO. No canto direito do goleiro, na barra de sustenção. O goleiro madridista caiu para o outro lado. Apesar do pênalti inexistente, virada merecida.

20min – Primeiro lance do nível do Real, com jogada envolvendo Puskás e Di Stéfano, que bateu de canhota, por cima. Primeira boa chance espanhola na segunda etapa. Mérito também da marcação mais adiantada e forte de Cavém em Di Stéfano.

21min – Falta bizarra do central Santamaría, que meteu a mão na bola na entrada da área. Parece mais que perdido o Real Madrid.

21min – GOL. 5 X 3 BENFICA. EUSÉBIO. FALTA. PÉ DIREITO. Coluna rola para Eusébio encher o pé direito e acertar rasteiro a mesma barra de sustenção do canto direito da meta rival. Ninguém marcou Eusébio no lance manjado do Benfica. Só Di Stéfano tentou chegar perto.

22min – Eusébio voa em campo. Passou por três e só parou no goleiro rival. Só dá Benfica. Cheiro de goleada em Bruxelas.

23min – Casado segue mancando em campo. Benfica realmente com praticamente um a mais.

24min – Gento acerta uma bomba, de sem-pulo, para ótima defesa de Costa Pereira. Apenas a segunda chance do Real no segundo tempo. São 4 oportunidades do Benfica.

25min – Não dá mais para Casado. Real Madrid com 10. O médio-direito Felo vira lateral pela direita.  Del Sol vira um médio pela direita, dando um pé ao médio-esquerdo Pachín. Di Stéfano fica à frente deles, como vértice de um triângulo. Puskás segue como centroavante. O WM (3-2-2-3) vira algo próximo a um 3-3-3. Ou 3-2-1-3.

Sem o machucado Casado, Real passou a adotar um 3-2-1-3, ou mesmo um 3-3-3

26min – “Grandes combinações do Benfica”, exulta o narrador português. Com razão. Joga muito o campeão português. Ainda mais com a movimentação de Eusébio, agora ocupando mais o lado direito da armação, dando mais espaço e saída para o gigante Coluna.

28min – Di Stéfano tentou cavar um pênalti. Na confusão estabelecida, o árbitro tentou afastar o bolo de jogadores e o apito saiu voando da mão dele. Del Sol estava esperto e o devolveu ao juiz.

30min – Simões joga e dribla muito e apanha demais. Juizão nada marca. E a partida fica ainda mais violenta, também por conta do mau apito.

32min – Puskás recebeu livre de Di Stéfano e perdeu boa chance. Como destacou o narrador português, “La Saeta Rubia (a Flecha Loira) é um poço de energia”. Não para Di Stéfano. Mas o time dele, sim.

34min – Gento também não para. Corre demais. Mas a ausência de Casado, com um a menos diante de um gigante como o Benfica, deixa o envelhecido Real Madrid prostrado.

37min – Mais uma bobagem da muralha uruguaia Santamaría deixa Coluna pronto para marcar. Mas goleiro merengue salva gol certo.

44min – Cinco fotógrafos tiram fotos do banco do Benfica, esperando de costas para o gramado a festa que acontece segundos depois, quando o árbitro toma a bola antes que o goleiro Costa Pereira pudesse bater um tiro de meta, iniciando a invasão do gramado.

FIM DE JOGO – Uma bela atuação encarnada na segunda etapa, criada por Coluna e executada por Eusébio garante a justa festa do Benfica, a despeito do quarto gol nascido em pênalti inexistente (compensando o gol mal anulado encarnado, no lance anterior). O melhor e mais jovem time venceu em Bruxelas.

PLACAR VIRTUAL 2O. TEMPO – BENFICA 5 X 3 REAL MADRID

PLACAR VIRTUAL – BENFICA 10 X 10 REAL MADRID

 

Site do Benfica

O time bicampeão na Holanda. Um show de técnica e juventude: Angelo, Cruz, Cavém, Mário João, Germano e Costa Pereira; José Augusto, Eusébio, Águas, Coluna e Simões

ATUAÇÕES

BENFICA – Um primeiro tempo com marcação deficiente, mas com grande qualidade na armação e na intensidade do jogo. Coluna por vezes disputava o mesmo espaço com Eusébio; mas, na segunda etapa, com o definhamento físico do Real Madrid, e com a perda de Casado, a tarefa ficou facilitada para o melhor time da história benfiquista. NOTA 9

COSTA PEREIRA – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Uma grande atuação. Se demorou a sair no primeiro gol merengue, onde também pouco poderia fazer, foi essencial na sequência da partida. NOTA 8

MÁRIO JOÃO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Vida dura ter de marcar Gento. Mas, na primeira etapa, até que não se saiu mal. NOTA 5

GERMANO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Um dos maiores zagueiros da história do futebol europeu. Se teve problemas com Puskás no primeiro tempo, na segunda etapa garantiu a invencibilidade da meta lusitana. NOTA 8

ÂNGELO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Deu pouco espaço ao perigoso Tejada. NOTA 6

CAVÉM – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Um golaço no primeiro tempo, e marcação eficiente sobre Di Stéfano na segunda etapa. Foi ponta-esquerda em 1961, e médio-direito em 1962. NOTA 8

CRUZ – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Del Sol não deu muito trabalho. Também por isso poderia ter sido menos discreto o médio-esquerdo. NOTA 6

COLUNA – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). O Monstro fez de tudo. No primeiro tempo, um tanto menos. Como Eusébio atuou mais à esquerda, teve menos espaço. Na segunda etapa, rodou mais. E, de novo, foi seminal. NOTA 9

EUSÉBIO – A Pantera Negra de Moçambique (então colônia portuguesa, quando ele nasceu, em 1942), foi o novo Pelé da Copa de 1966, quando terminou em terceiro lugar, defendendo Portugal. Ponta-de-lança (e não centroavante), foi artilheiro da competição. Se não chegou a tanto quanto o E.T. Pelé, Eusébio não esteve tão longe. Até pela posição, estilo, instinto, força, velocidade (fazia os 100 metros em 11 segundos) e técnica. Um assombro. Craque europeu de 1965, na decisão de 1962 tinha apenas 19 anos. Para o excelente ponta-esquerda Simões, “com Eusébio em campo o Benfica poderia ter sido tricampeão europeu; sem ele, talvez não tivéssemos sido nem campeões nacionais”.  Eusébio quase jogou no São Paulo, que não o quis contratar, em 1960. Bauer, o Monstro do Maracanã, que o havia visto atuar em Moçambique, então o indicou ao amigo Béla Guttman, que trabalhou no Tricolor, em 1957. No Benfica jogou de 1960 a 1975 pelo Benfica. Na seleção portuguesa, de 1961 a 1973. Na decisão, definiu tudo no segundo tempo, com seu chute forte e chegada à área impressionantes. Era um assombro pela objetividade e ofensividade. NOTA 9

O maior jogador da história da Península Ibérica nasceu na África

JOSÉ AUGUSTO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Não tão brilhante quanto na decisão de Berna, mas ainda muito importante taticamente. Não era o “Garrincha português” como diziam. Mas era um baita jogador. Moderno até hoje. NOTA 8.

ÁGUAS –  (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Meio tosco, mas bom de área. Destoava pela qualidade do restante da formação ofensiva. NOTA 7

SIMÕES – Ponta-esquerda brilhante. Veloz, técnico, driblador, inteligente, de bom chute e faro de gol. Completo. Foi Benfica de 1961 a 1975. Tinha apenas 18 anos na decisão de Amsterdã. Jogou de 1962 a 1973 por Portugal. Fez o primeiro gol contra o Brasil na vitóriapor 3 x 1, na Copa de 1966, e não pôde ajudar os Tugas na decisão da Minicopa de 1972, vencida pela Seleção de Zagallo e Jairzinho. Foi o melhor do Benfica no primeiro tempo. NOTA 9

BÉLA GUTTMAN – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Mais do mesmo mago em Amsterdã. Fundamental no intervalo para melhorar a marcação e ganhar o jogo, abusando da qualidade e juventude da equipe. NOTA 8

REAL MADRID – Nenhum time com Puskás e Di Stéfano pode ser desprezado. O Benfica jogou tanto que superou um rival com Puskás marcando três gols, e Di Stéfano jogando tanto, marcando tanto, fazendo tudo. Mas até Gento, no primeiro tempo, não foi o craque que foi. Uma equipe envelhecida, e com uma defesa sem muita qualidade.

ARAQUISTÁIN – O goleiro merengue pulava tarde, não pulava… Basco, jogou apenas por dois anos pela seleção espanhola. Foram 7 anos de Real Madrid, com seis títulos nacionais conquistados. NOTA 5

CASADO – O lateral-direito merengue atuou por 10 anos do Real Madrid. Uma só vez defendeu a Fúria. Na decisão de Amsterdã, fez número em quase todo o segundo tempo, por se lesionar sozinho. Antes disso, levou um baile de Simões. NOTA 4

SANTAMARÍA – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Até o grande zagueiro central uruguaio não foi o de sempre. Se não teve tanto trabalho com o centroavante Águas, sofreu demais com Eusébio. NOTA 6

MIERA – O lateral-esquerdo madridista atuou 8 anos pelo clube, e fez um só jogo pela seleção. Foi treinador de 1974 a 1998. Treinou a seleção espanhola em 1991, e foi campeão olímpico em 1992, em Barcelona. Em campo, um bom primeiro tempo, tapando José Augusto, também pela impostação física. Depois, foi atropelado pela avalanche encarnada. NOTA 5

FELO – Foram quatro anos de Real. Em Amsterdã, foi médio direito e, depois, com o problema de Casado, virou lateral-direito. Pelo sacrifício, NOTA 5. Até porque tentar marcar Eusébio, com Coluna vindo de trás, no primeiro tempo, e, depois, Simões, é tarefa hercúlea. Mas, na primeira etapa, mais à frente, deixou espaço demais para Eusébio.

PACHÍN – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Lateral-esquerdo em 1960, foi o médio-esquerdo em 1962. Se só foi sofrer com Eusébio na segunda etapa, não aportou grandes soluções. NOTA 5

DEL SOL – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Partida discretíssima. Teria de acompanhar Coluna. Não o fez. E pouco ajudou na armação com sua boa dinâmica. NOTA 5

DI STÉFANO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Um monstro. Até porque foi muito mais um meia-esquerda que o centroavante que rodava o campo. Para não dizer que não foi mesmo um terceiro volante. Na segunda etapa, teve dificuldades com Cavém, que o marcou melhor. NOTA 7

TEJADA – Nove anos de Barcelona (incluindo um gol na inauguração do Camp Nou, em 1957) antes de passar três temporadas em Madri, e ainda encerrar a carreira no Espanyol. Jogou apenas 8 vezes pela Espanha, marcando 4 gols (todos num 6 x 2 contra a Irlanda do Norte). Era um ponta-direita goleador, de bom drible e velocidade. NOTA 7.

PUSKÁS – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Outro gênio. E goleador. Foi centroavante em Amsterdã. E foi nota 10 no primeiro tempo. Na segunda etapa, isolado pelo time, poderia ter assumido mais a bronca e responsabilibade. Mas fica, claro, com a NOTA 9.

GENTO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Jogou pouco do muito que sabia na primeira etapa. No segundo tempo, o craque de sempre. NOTA 7

Um dos maiores pontas de todos os tempos: Gento. Seis vezes campeão europeu de clubes

MIGUEL MUÑOZ – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Montou e remontou um senhor time. Talvez pudesse ter caprichado mais no sistema defensivo. Algo que sabia fazer como homem de meio-campo, enquanto jogador.

LEO HORN (Holanda) – Árbitro anulou um gol legal do Benfica e, logo depois, criou um pênalti para Eusébio. Mal no aspecto disciplinar. NOTA 3

PARTIDA – Outro jogo espetacular. Oito gols, Eusébio + Coluna x Puskás + Di Stéfano. Um show. NOTA 9

 

A ideia desta série é de ANDRÉ ROCHA e de GUSTAVO ROMAN, que providenciaram análises, informações e imagens.

Quer ver o jogo na íntegra?

Procure gugaroman@hotmail.com

 

Tags: , , , ,

  • Flávio

    Bela iniciativa esta série. Eu sei que é outra competição, mas seria legal ver também a final do Mundial de Interclubes de 1962, quando o Santos arrasou esse mesmo Benfica em Lisboa, naquela que talvez tenha sido a maior atuação de Pelé.

  • http://globoesporte.globo.com/platb/olhotatico André Rocha

    Mauro, lendo o relato do jogo dá até para entender a empáfia dos encarnados quando foram encarar o Santos no Mundial daquele ano.

    Uma curiosidade: já reparou que alguns dos grandes times da Europa têm suas vitória mais emblemáticas do período de auge sobre o Real Madrid? Essa do Benfica, os 5 a 0 do Milan em 1989…Com o Barcelona foram várias: a goleada do time do Cruyff e Michels em 1973, os 5 a 0 do dream team em 1994, os 3 a 0 do Ronaldinho no time do Luxa, os 6 a 2 de 2009…Pobres merengues! Hehe

    ANDRÉ, os maiores times, de fato, sempre chamam as maiores responsabilidades.
    Abraço!

  • http://rumoatokyo.wordpress.com Alan Bezerra

    Mais um belo texto, Mauro. Ótima ideia, e prova de que a internet não vive só de lides (ainda bem!).
    Como sugestão, você poderia fazer o mesmo com a série de conquistas do Ajax do Cruyff e Michels na década de 70?

    ALAN, a série vai até a final de 2010. Serão todas as edições da Liga dos Campeões, passando, claro, pelo AJAX. já retratado no meu último livro, AS MELHORES SELEÇÕES ESTRANGEIRAS DE TODOS OS TEMPOS.

  • Teodoro

    Mauro, parabéns pela iniciativa de contar a história das finais da Liga dos Campeões, desde seu início. Muito bom mesmo. Assim, nossa geração tem a ideia de como os craques do passado jogavam… Posso dizer que, pelos vídeos listados, os caras jogavam muito mesmo. Puskas, Gento, no Real, Evaristo, Luis Suarez, Kocsis e Czibor no Barça, Eusébio e Coluna no Benfica, enfim, muitos que a gente só ouvia tem agora a chance de ver e matar a curiosidade… Parabéns Mesmo !!!!

  • http://WWW.GOOGLE.COM.BR PEDRO

    E UMA COISA QUE EU QUERIA AQEULE CARRINHO ERA ESSE CARRINHO QUE EU GOSTARIA

  • http://barcelona justo

    el cabezazo del final del primer tiempo lo hace justo tejada no diestefano como dice el comentarisita

  • http://benfica fabio

    adoro o benfica