8 ou 80 – 02/10/2002 a 15/10/02

por Mauro Beting em 15.out.2010 às 17:18h

 

O blag retoma textos de 8 anos atrás, publicados na minha coluna diária de então, no jornal “Agora São Paulo”, ou no portal America Online, empregos que acumulava juntamente com a TV Record.

Por que oito anos? São duas Copas. Período em que muda muita coisa. Ou nada muda.

 

15 de outubro de 2002

Uma equipe supera qualquer bloqueio

Giovane brincava com os colegas de Brasil nos treinos. “Eu vou fazer um ace decisivo!”. A sorte não brincou no serviço do campeão olímpico e mundial. Um ace cheio de efeito que nenhum russo acreditou e nenhum brasileiro conseguiu ver a bola no chão. E que solo! Argentino, portenho. Só em sonho.

Mas é real. A prata de 1982 no Luna Park virou ouro no Mundial em 2002. Aquele geração maravilhosa de Bernard e Renan, que deu na de Marcelo Negrão e Tande, deu na de Nalbert e Giba, e deu sempre com Maurício e Giovane.

Foi nos braços de Bernardinho, levantador reserva de William há 20 anos, que Giovane caiu depois do ponto decisivo. Não poderia ter ninguém melhor para levantar esse abraço, essa bola brasileira, esse caneco.

Bernardinho levantou os meninos como erguera as meninas do vôlei. Fez do Brasil um time na melhor acepção. O melhor atacante do Mundial, André Nascimento, e o melhor levantador do mundo, Maurício, ficaram no banco nos sets decisivos. Os reservas Anderson e Ricardinho jogaram por eles, e por nós.

Os dois pontos finais foram do reserva Giovane. Se é que “suplente” existe nesse time de Bernardinho, se é que esse sentimento de “reserva” passa por esse time. Um belíssimo exemplo de equipe para qualquer esporte, especialmente aquele onde todo “craque” se sente um ser especial, único, individual.

Você sabe qual é. Mas eles, não. Poucos são os que fazem como Nalbert, que pediu sempre a bola do jogo, da decisão, da responsabilidade. Um capitão de tarja, de fardo, de taça.

13 de outubro de 2002

Como o 13 de outubro de 1977 para o corintiano. Como o 12 de junho de 1993 para o palmeirense. Em breve, pelo visto e pelo jogado por essa molecada do Santos, saberemos qual será a data do santista.

12 de outubro de 2002

[N.R. em 2010: Suhzy Fraud era uma “pseudóloga” que havia criado para “responder” a leitores atormentados… Pseudóloga era uma falsa especialista em qualquer coisa. E, no texto abaixo, E.M. era Eurico Miranda, todopoderoso vascaíno; N.A.C. era Nabi Abi Chedid, patrono do Bragantino; W.H. era Wadih Helu, ex-todopoderoso corintiano. Todos não reeleitos deputados]

Os esquecidos e a pseudóloga

“Dona Fraud, o que nós vamos fazer agora? E.M., N.A.C., W.H., etc.”

Deputados depostos, pena que não há tapetão em eleição. Também acho que alguns colegas de vocês inventaram esse coeficiente eleitoral. Parece fórmula do Brasileirão! Candidato com 100 mil votos perde pra outro com 275?!

Pensem positivo. São Januário está de portões e alambrados escancarados pra você, E.M. O seu afilhado do Parque São Jorge te espera, W.H. O Bragantino está… bem, o Braga consegue estar pior que você, N.A.C.
Da próxima vez, vossas ex-excelências, façam como o Dualib, o Mustafá e o Farah, os três reis magos: descubram um método sem erros de reeleição. Sei que o eleitor brasileiro é menos conversável que um conselheiro de clube ou um cartola de time de futebol, mas, quem sabe? Ou façam como aquele condenado a 652 anos de cadeia que…

DIREITO DE RESPOSTA: Este texto foi interrompido pelo T.R.E. por conter observações levianas, injuriosas, caluniosas, difamatórias, criminosas, lesivas, conspiratórias, imorais, amorais, discriminatórias e genocidas sobre fatos e/ou pessoas que disputaram as últimas eleições na condição de candidatos.
Ninguém está autorizado a espezinhar pela imprensa deputados que não conseguiram ser reeleitos. Bastam as urnas. Aliás, basta de urnas! Indiretas-já!
Coronel Erasmo. FIM DO DIREITO DE RESPOSTA.
(Suhzy Fraud perdeu algumas linhas do texto, mas não perde a linha com o seu novo milk-shake de soja e aspargo. Ligue já!)

11 de outubro de 2002

Milagres?

Roberval Davino foi demitido do Figueirense com três derrotas e dois empates. Era o lanterna, com reles 13% de aproveitamento, e nenhum gol marcado.

Muricy Ramalho assumiu. Ganhou 6 jogos, perdeu 3, empatou um. Tem 63% de aproveitamento. Com esses números, seria o líder do BR-02.

O time? Chegaram Thiago Gentil, que mal servia ao Palmeiras, e Lino, que tropeçava na bola no São Paulo. O resto é igual. Até a disposição tática. Mas a disposição, no sentido mais amplo, quanta diferença!

O Figueirense que empatou com o Corinthians parecia disputar a própria vida em cada dividida. Melhor: em cada multiplicada. O Figueirense sacou: ou o time se entrega em cada bola, ou a equipe será devolvida depenada à segundona.

De favoritíssimo rebaixável ao delírio da classificação. É o Figueirense.

08 de outubro de 2002

[N.R – Lula ganhava o primeiro turno para ser presidente do Brasil pela primeira vez – mas apenas no segundo turno, semanas depois. E veja como as coisas mudam em 8 anos…]

Todos por todos e ninguém por um só

Não é o velhobobismo dos engajados que torciam contra a seleção em 1970 para não dar força à ditadura, nem o neobobismo dos que torceram contra o penta em 2002 para não dar bola à turma de Ricardo Teixeira.
Muito menos uma tentativa de botequim para analisar a derrota rotunda do malufismo, quercismo, brizolismo e outros caciquismos, com todas as distinções possíveis entre as tabas e tribos.

Mas a política brasileira repete o sucesso da seleção do penta.
Foi a vitória, ou melhor, a goleada do coletivo sobre o individual(ismo).
Não foi uma goleada do Lula, mas do PT.
Ninguém veste a camisa do “sapo barbudo”, segue o rastro da estrela do partido.
Se Lula é um candidato quase tão velho quanto outros caciques destronados, o partido que o carrega é muito maior que o nome que elege.

Voltando à teoria de botequim, é como o Brasil pentacampeão.
Belos nomes que formaram uma belíssima frase, no mínimo uma fase dourada.
Foi o todo que ganhou tudo, não um ou outro que ganharam por todos.
Como nessa urna eletrônica, os números contaram mais que os nomes.

O eleitor repudiou (enterrou?) o bloco do eu-só. Não é o Fulanuf que faz viaduto sozinho, não é só o Beltrola que guia um povo, não é apenas o Sicuércia que muda tudo que aí está.
São todos que entram em campo, que ganham, que empatam, que perdem. Que jogam por todos, não por bandeiras isoladas.

O Brasil irá pra frente quanto todo o time quiser bater o pênalti, e não só o presidente.

Felipão
Candidato pelo PMDB a deputado estadual por São Paulo, um tal de Felipão conseguiu não receber um voto sequer. A família Scolari não é mais a mesma.

Denílson
“Denílson o Amigo do Povo” (sic) era um tal candidato a deputado estadual em São Paulo pelo PDT. Foi driblado pelos “amigos” e não ganhou um votinho de seu povo.

06 de outubro de 2002

4-2-3-1

Ronaldo vai estrear no Real Madrid lugar de Guti. Figo (à direita), Raúl (por dentro) e Zidane (à esquerda) completam o ataque do Real, que joga num 4-2-3-1.

Santos

Em números, o Santos de Leão joga no mesmo 4-2-3-1 merengue. Além da técnica, claro, Figo, Raúl e Zidane se mexem por todos os lados. Elano, Diego e Robinho, não

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