Carpegiani, ex-Atlético-PR, agora São Paulo

por Mauro Beting em 04.out.2010 às 15:08h

Em campo, Paulo César Carpegiani foi um dos meio-campistas mais técnicos que vi. Como treinador, um dos mais completos que vi. No gramado, era meia com pés de volante. Ou cabeça-de-área (como foi pelo Brasil-74) com cabeça de armador. Não por acaso referência no maior Inter de todos, nos anos 70, não por acaso iniciando em campo, e depois como treinador campeão do mundo, o melhor Flamengo que vi, no final dos 70, início dos 80.

Ainda seria um excelente treinador para o Paraguai, eliminado na Copa-98 apenas na morte súbita pela futura campeã França, e também pela lesão no ombro de Gamarra. No ano seguinte, não ganhou pelo São Paulo. Mas num ano em que o Corinthians foi bi brasileiro – e seria campeão do mundo em janeiro de 2000 -, e o Palmeiras ainda foi campeão da Libertadores, em 1999, há como se entender. Sempre com o São Paulo de Carpegiani raspando a trave, parando nas semifinais para o rival fatalista. Em pontos, o desempenho dele foi dos melhores no Morumbi, desde Telê (1995), e compatível ao de Cuca – que não ganhou, mas deixou boa base no clube. Faturou 64% dos pontos. Teve mais vitórias, fez mais gols, e sofreu menos gols que o São Paulo de 2000 de Levir Culpi, campeão paulista e vice da Copa do Brasil.

Então, por vezes, exagerou na mão, na dose, nas mexidas (só repetiu escalação em 6 dos 69 jogos no Morumbi). Mas por lesões e outros problemas, apenas em 3 jogos pôde escalar todos os titulares. Quase nada.

Como faria outras vezes até montar o RS Futebol, onde lançou Thiago Silva, Naldo e Ederson. De onde saiu para voltar ao banco e ser infeliz no Corinthians que ajudou a montar para ser rebaixado nas mãos de Nelsinho Baptista, com as impressões digitais do final da era Dualib, em 2007.

Fez bom trabalho no Vitória. Excelente, agora, no Atlético Paranaense que parecia lutar para não cair, e deixou na quinta posição.
Quando também deixou o clube para acertar com o São Paulo.
E, entendo, também com o São Paulo acertando no retorno de treinador capaz, experiente e motivado, antenado no mercado (embora menos que Dorival Júnior).E sabedor que a ética é volátil. Ainda mais para o presidente tricolor.

Juvenal Juvêncio, imperador do Morumbi, o autêntico Soberano. Que não dá a menor pelota e nem satisfação à direção do clube. Só ele pensa, age, fala, manda, desmanda.
Só ele.
Juvenal Primeiro e Único.
Que, agora, até deu para fazer entrevista com ele mesmo, parodiando e parafraseando o palmeirense Palaia.
E, também por isso, ninguém mais sabia do acerto com Carpegiani no Morumbi.
E nem na Baixada.

Muitos treinadores querem que o mundinho da bola continue o mesmo, contratado e demitindo treinador a torto e sem direito.

Não que Carpegiani seja desse tipo.

Mas se sobrar para ele, que não reclame.

Já virou praxe essa praga por aqui.
E, infelizmente, cada vez mais, também no mundo.

Só se espera, no Morumbi, que Carpegiani possa ser cobrado apenas a partir de 2011.
Milagre ele já fez recuperando o Furacão em 2010.
Muito mais do que o São Paulo tem apresentado, convenhamos, é bastante difícil. Com qualquer treinador.

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  • Rodrigo

    Mauro, boa tarde. Até que enfim alguém com uma opinião imparcial. Só pra ter uma noção, na folha de sp de hj tem uma reportagem falando q a primeira passagem do carpegiani no SPFC foi PÍFIA. Pífia?!? Com 64% de aproveitamento? Vai entender…

  • http://rumoatokyo.wordpress.com Alan Bezerra

    Olá Mauro

    Falta escrever o texto do Silas, que acabou de ser demitido do Flamengo.
    Se nem o Zico deu jeitona Gávea, meu Deus, o caso é grave.

  • http://spfcpedia.blogspot.com/ Carlinhos Tricolor

    “Carpegiani: Meu São Paulo dos Sonhos” – Revista São Paulo Notícias, Edição nº 94 / 1999

    Ontem, a diretoria anunciou a contratação e o retorno de Paulo César Carpegiani ao comando técnico da equipe.

    Aos que não lembram, um refresco: Carpegiani foi técnico do SPFC na temporada de 1999.

    E como registro de sua primeira passagem, seguem imagens da revista oficial do SPFC (‘São Paulo Notícias’), edição n º 94, daquele ano.

    O destaque da matéria, de capa e com duas páginas, é um balanço de seus cinco primeiros meses, feito pelo próprio treinador.

    http://spfcpedia.blogspot.com/2010/10/carpegiani-meu-sao-paulo-dos-sonhos.html

  • http://spfcpedia.blogspot.com/ Carlinhos Tricolor

    E na Inauguração do Morumbi…

    … ele também esteve presente.

    http://spfcpedia.blogspot.com/2010/10/e-na-inauguracao-do-morumbi.html

  • http://Curitiba Beto furacão

    Espero que nunca mais volte ao meu Furacão, achei meio sem caracter, mas por falar em carater, São Paulo sempre faz isso, é ciume, inveja sei lá.
    é por estas e outras que Petraglia voltara, só assim pra bater de frente com esses sujeitos.

  • Alberto

    Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br:

    “Caso Carpegiani e ódio pelo São Paulo fazem surgir os ultraéticos”

    O Internacional demitiu Jorge Fossati e tirou Celso Roth do Vasco, que tomou Paulo César Gusmão do Ceará, enquanto o Grêmio contratava Renato Gaúcho, então no Bahia. Isso apenas nesse Campeonato Brasileiro, pouco depois de José Mourinho, o mais caro técnico do mundo, negociar com o Real Madrid seu futuro em meio às finais da Champions League pela Internazionale.

    No futebol é assim. No mercado de trabalho é assim. Quantas pessoas insatisfeitas com seus empregos e/ou salários não sonham com uma proposta melhor? Quem não sorriu uma vez na vida ao saber por intermédio de um amigo que existe uma vaga legal nesta ou naquela empresa? Se o sujeito está feliz ali, diz “não, obrigado” e segue em frente. Caso contrário, estuda a oferta.

    Paulo César Carpegiani recebeu uma proposta de trabalho do São Paulo, a considerou melhor do que aquilo que o Atlético Paranaense lhe proporcionava, pensou no lado financeiro e nas perspectivas profissionais. E aceitou. Foi o bastante para renascer a discussão sobre a ética no futebol em negócios assim. Algo que não se observou nos casos acima citados.

    O São Paulo poderia consultar o Atlético antes? Sim. Mas são clubes com relações complicadas desde a decisão da Libertadores de 2005. Haveria um sinal verde por parte do clube paranaense? Improvável. Fato: os são-paulinos fizeram uma proposta profissional, que um profissional aceitou, como acontece com engenheiros, empregadas domésticas, executivos e pintores.

    Ética? Faltou ética? Sinceramente, acho que não. São as regras do jogo. Empresas procuram os bons e pagam mais para tê-los. É assim no mundo todo e em toda parte. E mais: cobrar ética num episódio desses nessa sociedade em que milhões vão às urnas como se estivessem de sacanagem me parece um pouco demais. Infelizmente estamos longe disso.

    O São Paulo acumulou títulos e ódio dos rivais nos últimos anos, fruto de sua competência e uma certa arrogância em momentos de supremacia, o que não é exclusividade tricolor. Por isso tamanha revolta de tantos defensores da ética. Alguns, provavelmente, votaram no domingo sem o menor compromisso com a seriedade, mas tratam tal assunto como fundamental.

    Pois é, o ódio pelo São Paulo multiplicou o número de ultraéticos.

  • Alberto
  • nelson

    Mauro, nestas trocas de técnicos quem mais saiu prejudicado foi o SANTOS onde além de perder o técnico dificilmente vai conseguir outro de grande porte, pois como ficou claro que lá jogadores que vivem aprontando não sofrem punição, e se o técnico tentar punir será mandado embora não consiguirá grande coisa no mercado…. agora quem realmente ganhou muito mesmo com estas mudanças foi o ATLETICO MINEIRO AFINAL EM 2 JOGOS SÃO 100% DE APROVEITAMENTO, quanto ao FLAMENGO creio que o provável é que acabe sendo rebaixado mesmo… agora tem algo me deixando muito intrigado que está acontecendo com os jogadores dos times que estão disputando este campeonato?? se não me engano nunca houve tantos jogadores se contundindo assim e contusões graves… outras inesplicáveis….. tá muito esquisito tudo isto… será que o maior fator é o de jogarem em gramados na maioria ruins ou péssimos?? é preciso verificar oque esta acontecendo…

  • WANDERLEY SEVERINO

    E aí Maurão? Tu realmente acha que ninguém vai fazer este São Paulo ser menos ruim do que está? Não acha que o desinteresse da diretoria com o atual momento do time em campo tem haver com o momento político vivido pelo Clube em 2010? Não é que é desculpa não, mas com tantos contras devido a escolha do Clube na eleição do presidente do Clube dos treze, coisa que vocês sabem bem melhor que eu, a diretoria resolveu jogar a toalha,tentou dar chances a Baresi, para que o mesmo fizesse uma reformulação no clube, que não foi o esperado em resultados práticos em campo e que acabou levando à contratação do CARPA. Bem se sou Sãopaulino a 44 anos e não conheço meu time me perdoe, mas, o que é lastimável é o que se vem fazendo com tricolor, pois, se querem ser maior que ele, que busquem isso com trabalho e não com trapaças; o que sinto hoje é apenas isso, trapaças, como sei que a diretoria também sabe disso, talvez o motivo de tirar o pé neste final de ano inacreditável para o tricolor, saudações…