MENU DO DIA – 1a. rodada do returno

por Mauro Beting em 08.set.2010 às 11:56h

MENDES me recebe de braços e portas abertas no boteco. Faz tempo que não passo por lá. Tempo de dar minhas bicadas e meus chutes.

– Seu Mário Betti! Quanto tempo! Rincón! Salta o capuccino com nutella pro meu amigo jornalista!

– Parece que a Marília Ruiz andou me difamando por aqui, Mendes… Mas segue o jogo. Gostou do turno do BR-10?

– Não muito, seu Mário. Você sabe que só torço pelo meu 31 de Abril de Presidente Timóteo, mas eu achava que o nível seria melhor… Quem é que vai ser campeão?

– Tá difícil, Mendes. Não acho que pintará uma baita surpresa como foi a ascensão do Flamengo e a queda de produção do Palmeiras, em 2009. Mas não consigo cravar seco, hoje, um favorito. Nem o Fluminense, que deve ganhar suado do Ceará, hoje, nem o Corinthians, que vai passar o sufoco dos sufocos contra o redivivo Atlético Paranaense, na Arena. Das melhores e mais surpreendentes arrancadas do turno a do time do Carpegiani.

– Então, seu Mário… Isso que eu não entendo. O Atlético parecia perdido e se achou. Como é que pode?

– A diferença é cada vez menor no futebol, Mendes. E como esse é um processo que corre à frente dos nossos olhos, quase tão corrido como tem sido o futebol de hoje, fica difícil entender.

– Até porque os tais “entedidos” como você não entendem muita coisa na hora de palpitar, né, seu Mário?

– Também isso, Mendes. Por isso tem cada vez mais gente palpitando. E todos os chutes são válidos.

– Até os do Ronaldo em forma daquele meu barril?

– Maldade, Mendes. Ele já está menos gordo. E precisa entrar num ataque que cria gols e os perde com enorme facilidade. A diferença do Corinthians para o Flamengo é que o time do Silas cria quase igual, mas não faz nenhum. Ou não fazia. Porque o Diogo começou bem, o Deivid vai crescer, e o time inteiro vai subir de produção. Mais ou menos como o São Paulo, no belo clássico que comentarei hoje pela Rádio Bandeirantes.

– Melhor esse jogo que Cruzeiro x Internacional? Eu assistiria esse no João Havelange. Vai ser no Engenhão? Vai ter rodada dupla lá?

– Não, Mendes. Na mesma hora tem o Fluminense provavelmente ganhando do Ceará. E o jogaço entre Cruzeiro x Inter em Uberlândia, em mais um estádio com o nome do eterno presidente da Fifa. Eterno em todos os sentidos… Aliás, a melhor partida que vi nos anos 70, na Libertadores, foi um clássico como esse. Bem que meu amigo Gustavo Roman poderia achar o teipe daquele espetáculo, no Mineirão, pela Libertadores-76. 5 x 4 Cruzeiro. Que jogo! Que partida do Joãozinho, Jairzinho e Palhinha. Na época em que os diminutivos jogavam como gente grande. Não como alguns que hoje têm a bola do mesmo tamanho do nome.

– Ihhhh, seu Mári Betti, eu não vou mostrar aquela Fernet que o Rincón, o chapeiro, queria te apresentar. Você tá muito amargo. Parece jornalista esportivo!

– Mendes, meio saudosista, talvez.

– Vi no seu blog, você homenageando merecidamente o Rogério Ceni, lembrando lá de um jogo do Palmeiras pela Seleção Brasileira. Bons tempos, né? Imagine hoje esse time do Palmeiras vestindo a camisa do Brasil…

– Ué, Mendes? O Brasil jogou de pijama um treino-jogo contra o Barcelona-B. Qualquer um pode falar e vestir a camisa hoje. A CBF nem amistoso consegue, enquanto a Argentina recebe a Espanha e mete 4 a 1 num time que acabou de ser campeão do mundo. Mesmo que com apenas 5 titulares em Núñez.

– Eu vi o jogo. Um alfajor da Argentina, né, seu Mário? Por que o Zanetti e o Cambiasso não foram para a Copa? Não entendo. Aliás, ontem não era feriado no Brasil? Não era dia de Scola…

– Pois é…. E foi o dia do Loco Abreu do basquete argentino. O cara fez 37 pontos dos 93 da Argentina. Uma pena, mas ainda vai demorar para o Brasil voltar a ser o que foi no basquete.

– Não foge do assunto, seu Mário. E o Palmeiras? Quando vai voltar a jogar? Quando o Felipão vai voltar a ser o que é?

– Calma, Mendes. O Felipão não tem sido feliz. Mas tem todo o crédito que o clube e o elenco limitado não tem. Assim como o Renato Portaluppi, no Grêmio. Aliás, jogo chatinho hoje contra o Atlético do Elias e do René Simões, que pode fazer mais um milagre de salvação em Goiânia.

– Acho que também deveriam ter calma com o Toninho Cecílio no Vitória.

– Concordo, Mendes. Com ele, com o Jorginho no Goiás… Está tudo ainda começando. E não tem tanta coisa boa para trabalhar. O que vale também para o Vágner Mancini, no Guarani. Ele pegou um grupo abalado e fraquíssimo, limpou a área, e está fazendo um ótimo BR-10. O Bugre é das boas surpresas do campeonato.

– Vai longe, seu Mário? Ou será como o Ceará ou mesmo o Avaí?

– Mendes, o bom de ser jornalista esportivo nestes dias é que a pataquada que falarmos pode acabar dando certo com tanta coisa errada ou de nível discutível.

– E onde vai ser a abertura da Copa de 2014?

– Cada pergunta, Mendes… Pelo jeito, o primeiro tempo será em Itaquera, e o segundo tempo, no Morumbi. Com o intervalo no Maracanã ou no Mineirão.

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  • Francisco Alves

    Com aquele gol de Douglas,do Grêmio, ontem, no Corinthians, descobri que meu time mesmo é o “Futebol”. Sempre tive inclinação por jogadores de meio campo,que pensam as jogadas,como Gerson,Rivelino,Ademir da Guia, Carlos Alberto Pintinho,Andrade,Clodoaldo,Giovanne, Afonsinho,Zanata,Mário Sergio,Alex do Fernerbhar e outros. Mas experimento especial gosto pelos meias-armadores-cerebrais, “engenheiros e arquitetos”, que percebem o jogo e as jogadas bem antes… No meu Fluminense hoje tem Deco e Conca, no cenário brasileiro tem Ricardinho, Petkovisk, Ganso, Hernanes, Bruno César e outros poucos. Mas nenhum deles tem a arte – a elegância, a habilidade,o toque mágico,particularmente nos micro-detalhes-sutis – do jogador Douglas. Ele vê o jogo de uma maneira surpreendentemente diferente, muito original.Qualquer um pode comprovar, revendo os jogos, os gols, e a epopéia de jogadas em que ele esteve envolvido na carreira. Douglas, traz encanto ao Futebol.