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Palmeiras foi Brasil em 7 de setembro de 1965

por Mauro Beting em 07.set.2010 às 18:37h

O Palestra Itália teve de absurdamente mudar de nome em 1942 sob a infundada acusação de ser traidor da pátria em guerra contra o Eixo.
Justamente o clube que foi o Brasil como nenhum outro time em torneio internacional, na decisão da Copa Rio contra a Juventus italiana, em 1951.
Justamente a Academia que vestiu a camisa brasileira há 45 anos, nos festejos de inauguração do Mineirão.

Timaço que era a própria seleção, convidada pela CBD para representá-la:
Brasil 3 x 0 Uruguai, no Mineirão.
Ou melhor: Palmeiras 3 x 0 Uruguai.

O único argentino a dirigir o Brasil, Filpo Núñez, armou o time para jogar com velocidade e toque de bola, evitando o jogo duro uruguaio – de uma seleção que faria bom papel em 1966, na Copa, e cuja base era o Peñarol, campeão do mundo naquele mesmo ano.
Rinaldo fez 1 a 0, aos 27, depois de Cincunegui meter a mão na bola em lance de Julinho Botelho. Pênalti que também poderia ser marcado sobre Rinaldo, três minutos depois, mas o juiz não marcou em consideração ao convidado.
Aos 35, Tupãzinho ampliou, depois de lance de Rinaldo e confusão na área.
Com reservas (Picasso no lugar de Valdir, Procópio substituindo Carabina, Zequinha marcando por Dudu, Ademar Pantera no comando de ataque no lugar de Tupãzinho – e mais tarde Germano e Dario entrando nos lugares de Julinho e Rinaldo), o Palmeiras diminuiu o ritmo e ainda assim fez 3 a 0, aos 29 do segundo tempo, num rebote completado pelo ponta Germano.

Além do reconhecimento histórico e inestimável, o Palmeiras ficou com Cr$ 18 milhões pelo prêmio da vitória.
Era um time que não tinha preço, a Primeira Academia palmeirense.
Valdir era um goleiro notável, de colocação, segurança e tranquilidade que não cabiam em apenas 1,72 m;
Djalma Santos fazia a sua partida 90 pelo Brasil como se fosse a mesma, sempre regular;
o raçudo (porém técnico) capitão Valdemar Carabina espanava a área;
o hábil Djalma Dias (pai do ainda mais genial Djalminha) limpava e brilhava o jogo;
o veloz ex-ponta-esquerda Ferrari completava a defesa pela qual ninguém passava;
Djalma avançava, mas sem desguarnecer a direita. O incansável “vovô” e volante Dudu o cobria quando necessário; mais rápido, Ferrari também gostava de atacar, até por ter sido ponta, no Guarani. Se Julinho caía por dentro, na diagonal, Djalma aproveitava (sem ir ao fundo). Ferrari também tinha espaço para se projetar, porque o ponta-esquerda Rinaldo gostava de fechar, sabia armar e batia muito bem na bola.
Só não era meia porque o 10 era Ademir da Guia.

Quando avançava, Djalma Santos trabalhava com Julinho, até pelo entrosamento dos tempos de Portuguesa. Ele não atropelava o ponta-direita. Sabia a hora. Conhecia o espaço. Dudu e Ademir compunham o meio-campo histórico. Servílio os ajudava sem a bola e se aproximava do centroavante (Tupãzinho ou Ademar Pantera) quando o time saía para o jogo. Era um 4-3-3 que se transformava em 4-2-4 com a bola.

O entrosamento perfeito da equipe também se deu pelo trabalho de Filpo Núñez, o condutor da Primeira Academia, como explica o goleiro Valdir Joaquim de Moraes: “Ele era muito bom treinador. Sabia tudo. Conhecia o futebol, e a alma dos jogadores. Ele falava muito com a gente. E também ouvia.
Djalma Santos lembra o porquê do sucesso do melhor time em que atuou: “Era um time de bons jogadores, unido, valente, sem estrelismo. Todo mundo perdia, todo mundo ganhava. Funcionava assim. E por isso funcionava”.

E funcionou demais há 45 anos. Foi 3 a 0. E foi muito pouco. Nas palavras do zagueiro Manicera ao jornalista Juarez Soares, ainda no gramado, a melhor tradução do que fez o Palmeiras contra o desfalcado (mas forte) time uruguaio: “Se vocês brasileiros quiserem ganhar a Copa na Inglaterra, é só colocar esse time aí. Ninguém vai aguentá-los. Ah, e reforça com o Pelé, claro. Mas não tira nunca esse Ademir do time.”
E ele não foi para a Inglaterra, como Servílio (o melhor jogador da Seleção no pré-Copa, absurdamente cortado por Vicente Feola), e Djalma Dias, e Dudu, e Valdir. E o Brasil veio mais cedo para casa, também.

Dos 17 que atuaram em Belo Horizonte (Santo ficou no banco), apenas Ferrari, Dario e Tupãzinho não haviam jogado ou não atuariam mais pela Seleção.
Como nenhuma outra equipe tão poderosa representou tão bem o Brasil como aquele Palmeiras que soube ser brasileiro há 45 anos.

  • mauro de brito chaves

    nao sou dessa epoca mas ja vivarios lances e jogadas gol desses extraordinarios jogadores pena que hoje qualquer jogadorzinho mediocle se torna profissional inclusive no meu querido alviverde.

  • mauro de brito chaves.

    Nao sou dessa epoca mas ja vi varios lances jogadas incriveis gols etc hoje nao da pra entender esses jogadorzinhos medilcres sao profissionais nao so no meu querido verdao por esse Brasil a fora quanta saudade do palmeiras ja no meu tempo anos 1970 e aquele time de 93-a 96.

  • http://naotenho benedito martins de oliveira

    MAUIRO,, SOU SEU FÁ, DESDE OS TEMPOS DO JORNAL AGORA SAO PAULO. E COMO SOU DA VELHA GUARDA,, SE VC TIVER E PUDER, ME MANDE UMA FOTO DO TIME DO PALMEIRAS, ESTA QUE ESTA NOS EU BLOG,,, EM PÉ..

    GRATO ,

    VALEU CARA,, MARTINS

  • Alex “Belfor” Pereira

    Já dizia “Que tempo bom que volta nunca mais…” !! Hoje vemos vários jogadores em nosso elenco que não serviria para ser roupeiro do time do passado.
    O que fizeram com meu Palmeiras???

  • Silvio Teixeira

    Honra e Orgulho para poucos, ou para ninguém na história do futebol Brasileiro.