Rodada 19

por Mauro Beting em 06.set.2010 às 14:14h

O turno só vai ser definido em 13 de outubro.

Culpa do Fluminense, que somou apenas dois pontos em nove jogos, e no domingo foi vencido pelo bravo Bugre. O Tricolor mais uma vez abriu o placar em menos de 15 minutos num contragolpe brilhante (Mariano precisa ser ala mais que lateral), mas se fechou demais, não saiu para o jogo, perdeu Emerson lesionado, e sofreu dois gols de falta. Dois gols de dois que erraram bisonhamente todos os chutes que deram com a bola em movimento, e acertaram os decisivos nas bolas paradas: um golaço de Baiano, outro tiro ruim de Fabão no meio da barreira que abriu o suficiente para derrubar o Flu. Culpa de Deco e Conca juntos? Não. Da fatalidade, e de um sistema defensivo discutível até na fase boa.

Mérito do Corinthians, que virou outro jogo na goleada contra o condenado Goiás. Levou um golaço de Júnior aos 7 minutos, mas soube com qualidade, intensidade e velocidade fazer cinco. Até com a sorte de ver um rival com um a menos, e ainda marcar um gol de chute torto desviado. Mas não é apenas fortuna para uma equipe que finalizou 28 vezes. É vontade de brigar pelo título (até mesmo do turno). Mesmo que desfalcado no ataque.

Mas a disputa não está apenas entre Fluminense e Corinthians.

Tem o Internacional, que pode repetir a façanha de 2006, quando conquistou a América, ganhou o mundo, e ainda foi vice brasileiro. Agora, parece mais difícil. Mas um time que tem o elenco que Roth bem tem montado pode sonhar com tudo.

O mesmo vale para o Santos, ainda que sem Ganso até fevereiro, e sem os negociados Robinho, Wesley e André. Mesmo com desfalques, segurou um Flamengo que estreou o novo e promissor ataque, e apresentou a velocidade que vinha faltando como seguem ausentes os gols.

Mas o G-4 virou G-6. Não apenas pelas campanhas de santistas e colorados.

Também pela qualidade do Cruzeiro, cada vez melhor, mais forte e com mais alternativas táticas e técnicas. Tomou dois gols em lances de bobeada e bola parada num primeiro tempo em que era melhor, no Pacaembu. Estranho não foi ter feito 3 a 2 num Palmeiras inconstante. Esquisito foi tomar os gols que sofreu. No segundo tempo, com Roger andando – mas jogando mais que os muitos que só correm -, com Montillo jogando e correndo, o Cruzeiro fez até para vencer por mais. E pode seguir assim no returno.

Também pela força do Botafogo, ainda que tenha aceito o empate do Jonas do Grêmio. Um time que pode crescer. Ou que pode seguir o exemplo do Atlético Paranaense de Carpegiani. Um que parecia ameaçados há cinco rodadas, e termina o turno em sétimo.

Longe do futebol ideal. Mas distante da degola que ainda ameaça todos. Especialmente o Atlético Mineiro. Um time que tem um bom lateral-esquerdo (Eron) que apoia bem. Um bom volante Rafael Jataí que corre por todos que não aguentam mais correr no meio-campo atleticano. Mas quando apenas os muito jovens dão respostas num gigante como o Galo, o futuro próximo é tão preocupante quanto a pífia campanha no turno. Sem o Mineirão para jogar junto, fica ainda mais difícil a recuperação.

Como foi mostrado em Ipatinga. Quando o Galo foi derrotado por um São Paulo que virou a virada e, quem sabe, a fase. Tricolor que completou a vitória contra um desesperado(r) Atlético Mineiro numa bola virada de longe por Casemiro para Marcelinho passar como quis pelo promissor Eron, rolar para trás para o não menos promissor Rafael Jataí falhar, e Fernandão reencontrar o gol, e o São Paulo, a vitória. Virada com raça mais que com futebol. Virada de espírito com gente que briga e se esforça como Richarlyson, com gente que promete como Marcelinho.

Tem todo tipo de virada. E não tem um só motivo para tanta virada no BR-10.

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