Marcos 500, Felipão 1999, Palmeiras 3 x 0 Vitória

por Mauro Beting em 20.ago..2010 às 0:30h

Parecia óbvio. 2 x 0 Palmeiras, com um gol doado por Schwenck a Tadeu no fim do primeiro tempo, outro com autoria pouco intelectual do goleiro colombiano (mais colombiano que goleiro) Viáfara entregando o segundo gol a Tadeu.
Era jogo para pênaltis.
O Vitória foi melhor (e está melhor no momento) nos primeiros 30 minutos. O Verdão cresceu a la Felipão no fim da primeira etapa; com o gol aos 12 do segundo tempo, o treinador palmeirense mexeu bem, o Vitória perdeu o cansado Ramón, mas os times se respeitaram. Aguardaram o óbvio: pênaltis.

E, no dia dos 500 jogos de Marcos, as manchetes pareciam feitas. Perfeitas: o homem dos 33 pênaltis que não entraram em 18 anos de Palmeiras (14 efetivos) defenderia muitas cobranças, os palmeirenses que não têm batido bem os pênaltis em 2010 perderiam outros tantos para um Viáfara que vai bem nesse tipo de lance, e a Conmebol teria de criar outro critério de desempate para uma disputa de pênaltis sem gols.

Piada e roteito pronto.

Mas Marcos Assunção foi bater a falta lá da intermediária. Daquelas que Ramón costuma guardar, como fez no Barradão. Daquelas que Assunção, também. E lá foi a bola no ângulo. Na gaveta da meta do tobogã. Na classificação palmeirense contra o bravo Vitória.

Parece que algumas coisas acontecem demais de mal para o time baiano. Ele não merecia isso.

Mas Marcos merecia.
Felipão merecia.
Os mais de 23 mil palmeirenses que atenderam ao chamado e ao treinamento do treinador, também.

Ficaria muito fácil imaginar que Marcos seria pela enésima vez o herói que será até quando for vilão – como foi Viáfara.

E fica ainda mais fácil cogitar que, na última bola, um time de Felipão vai fazer o que fez Assunção. “Uma ação de formular ou escolher uma proposição que funcione como premissa de um raciocínio”, como explica o Dicionário Houaiss. Se é que há como explicar um time de Felipão.

Um treinador que treina até a torcida. Que a convoca e ela comparece. Que cantou aqui no Pacaembu como raras vezes fizera nos últimos tempos. Também porque o time não vinha ajudando. E ainda não ajudou, sem Kléber, Lincoln e Valdivia, e com Rivaldo, Luan e Tadeu.

Sim, Tadeu. Que apanhou da bola mais uma vez, e, pela primeira vez, fez dois gols.

Coisa de Felipão.

E de Marcão.

Aquele que sugeriu a contratação do limitadíssimo atacante.

Aquele que parecia, enfim, ter feito algo indefensável em 18 anos de Palmeiras.

Mas Marcos é santos.

E Felipão é o diabo.
Reclama o que não deve e o que não pode do árbitro. Esbraveja. Corneta. Mas faz.

E fez com que seu time ainda limitado, depois da virada impressionante no astral e no placar agregado, fosse inteiro pular as placas e celebrar com a torcida organizada. Agradecendo a eles e aos milhões de palmeirenses pelo apoio incondicional. O mesmo que a bola dá a quem merece. Como Marcos. Como Felipão.

Dois que refizeram o espírito de 1999, ainda que longe daquele elenco e daquele futebol.

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