PhD Ganso

por Mauro Beting em 05.ago.2010 às 1:14h

O mais sujo no Barradão ao final da justa vitória rubro-negra (que deu no ainda mais justo título alvinegro) era quem joga o mais limpo futebol.

Ele parece ter escovas nas chuteiras.
Clareia, limpa, higieniza e aromatiza o esporte com sua elegância e inteligência.
Com a rapidez e graça de movimentos que, certamente, não lembram o apelido.

Mas, daí, para achar as palavras certas para os movimentos certíssimos dessa fera no gramado, seria preciso ser o Armando Nogueira que nos deixou mais tristes.
E, certamente, o mestre do Jornalismo Esportivo, lá de cima, ainda mais alto que seu ultraleve, deve estar cutucando o Nelson, o Otto, o Didi, o Jair, o Zizinho, tantos estetas e estilistas dos campos e das teclas, para que, juntos, batam palmas e continência reverente ao camisa 10 que honra o número e a função no Santos.

O time de Dorival Júnior (que tem enormes méritos no aproveitamento desses peixinhos todos) tem problemas na meta, a zaga nem sempre é confiável, o nível geral do futebol não é dos mais altos.

Mas esse time que pode ganhar tudo que vier a disputar em 2010 tem ao menos um cara que não se pode discutir. Aquele que talvez não levasse o Brasil além da Holanda, na África do Sul. Mas, certamente, já nos daria a graça e a leveza que não combinam com aquela camisa branca enlameada em Salvador.

Sim, Salvador da Bahia de um só Santos.
O campeão.
De vários senhores jogadores.
Mas um para guardar nos olhos e contar aos bisnetos: “Eu vi um filhote de Ganso botar a cabeça para fora”.

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