Internacional 1 x 0 São Paulo

por Mauro Beting em 29.jul.2010 às 10:03h

Futebol tem lógica.

O melhor time vence. O mandante vence. O time que quis atacar vence. A equipe em melhor fase vence. Quem joga com ousadia é premiado. Quem também tem história na competição sabe refazê-la. Quem começa com Andrezinho para articular e finaliza o clássico com Giuliano para concluir ganha. Quem tem elenco faz diferença. Quem pode explorar uma banda esquerda com Kléber e Taison (o melhor colorado) tem chances de causar estragos. Quem tem pelo outro lado Nei na fase atual e D’Alessandro pode vencer um tricampeão da América. Quem marca e ainda joga com Sandro e Guiñazú tem bola para reconquistar o mundo, se repetir o desempenho como visitante. Quem tem um goleiro de nível como Renan, e que poderia ter assistido à vitória por 1 a 0 diante do São Paulo nas arquibancadas do Beira-Rio até trabalhar aos 45 do segundo tempo, também pode achar tudo isso. E mais um pouco.

Até porque, do outro lado, o São Paulo atacava com a vontade de um Felipe Massa para ultrapassar Fernando Alonso. Parecia que as ordens de Ricardo Gomes para os tricolores eram “o Inter está mais veloz que vocês. Entenderam a mensagem?”. E ela teve lógica infeliz para os paulistas. Tudo que o São Paulo desaprendeu durante a Copa voltou a campo. Um time enfurnado no próprio campo, sem vontade e sem contragolpe, encasteladoi num 3-4-1-2 que mais parecia um 10-0-0 (ou melhor, num Rogério-0-0-0), com Marlos e Dagoberto perdidos, Fernandão flanando pelo Beira-Rio, Hernanes e Souto não marcando e não armando, os alas presos, os zagueiros que ganhavam a companhia de outros sete “zagueiros”. Todos, de fato, salvos por atuação de Ceni de Rogério. Que impediu que o 1 a 0 se tornasse uns quatro. Tal a superioridade colorada. Tal a premeditada inferioridade tricolor.

O Inter quis vencer, e merecia muito mais. O São Paulo não quis ganhar, não quis jogar, e merecia perder pior. Pela história da Libertadores, pelas circustâncias de um jogo todo gaúcho, pela fase das equipes, 1 a 0 foi um resultado espetacular para os paulistas. Mas um tri sul-americano não pode se contentar só com isso. Pensando e jogando pequeno, o São Paulo não passa. Pensando e jogando como grande, o Inter vai longe.

Ainda tem um outro jogo, uma outra história, uma outra geografia. Mas parece difícil acreditar que o São Paulo seja outro em tão pouco tempo. Ou, no caso, volte a ser São Paulo. Até porque, do outro lado, foi um Inter inteiramente Colorado. Usando o seu solidificado 4-2-3-1 com categoria, inteligência, ritmo e, sobretudo, conhecimento de causa. O Inter sabia o que estava fazendo. O São Paulo parecia não saber nem que jogo era aquele.

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