MENU DO DIA – Libertadores e Copa do Brasil

por Mauro Beting em 28.jul.2010 às 12:07h

Mendes vai colocar um telão do boteco ligado na semifinal do Beira-Rio, outro na decisão da Vila Belmiro.

– Seu Mário Betti, uma partida vale título nacional, a outra é semifinal continental… Qual o jogo que eu devo estar mais atento?

– Na boa, Mendes, eu ficaria mais com a Libertadores. Embora o Santos tenha sido em 2010 o time mais bacana de ver (e não tem sido tudo isso depois da Copa), pelo que já fizeram na história, pelo “remember” de 2006, eu ficou com o clássico do Beira-Rio.

– Então você está dizendo que o Vitória já foi, que vai dar Santos duas vezes?

– Não, Mendes, não é isso. O Santos já não é tão favorito, por deméritos dele, e também por inegáveis méritos do rubro-negro baiano. O Vitória tem mostrado um sistema defensivo mais consistente, boa saída pelos lados, uma bola parada forte, e um ataque muito interessante. E ninguém é finalista de Copa do Brasil por acaso.

– Sei, seu Mário. O Mano Menezes foi semifinalista com o 15 de Campo Bom, num ano em que o Santo André foi campeão… Juventude em 1999, Criciúma em 1991, Paulista em 2005…. Copa do Brasil é um caixão de surpresas.

– De fato, Mendes. Mas costuma mais dar a lógica que algumas imensas surpresas. O Vitória de hoje não seria um campeão tão surpreendente como foram esses outros. Tem bom time, estrutura. E pega um Santos ainda longe daquele time encantador do primeiro semestre. Os desfalques na zaga santista são mais sensíveis que os do time baiano. Mas, se Dorival apostar no quarteto selecionado do Santos, isto é, atacar com André no comando, e mais a linha de três armadores que pode ser titular com Mano Menezes, é favorito hoje, na Vila. E pode fazer até o resultado mais que favorável para garantir o título no Barradão. Outra parada duríssima para o Santos. Mas ainda favorito.

– No Beira-Rio eu acho que o São Paulo vai jogar muito mais do que tem jogado. Mas vai dar Inter.

– Por aí, Mendes. Se tem um time, ou melhor, um clube que joga mais do que sabe na Libertadores é o São Paulo. Como o Boca Juniors, precisa ser mais do que respeitado. Não precisa ir longe na história. Basta lembrar o duelo contra o Cruzeiro, então o melhor brasileiro na Libertadores-10 (não pela pontuação, mas pela qualidade de jogo). E o Tricolor ganhou os dois jogos, com o Fernandão estreando como se tivesse nascido no Morumbi. Esse São Paulo pode voltar a crescer na hora certa. Ou, no caso, no jogo certo. Ou melhor, no campeonato certíssimo para o Tricolor.

– Mas seu Mário, como é que o São Paulo vai começar a jogar de uma hora para outra? Milagre? Mágica?

– Mendes, o elenco tem potencial. Ficou melhor com a contratação do Ricardo Oliveira – aproveitando a janela antecipada, dever dizer… Parece que, agora, o Ricardo Gomes não vai mexer tanto na estrutura defensiva da equipe. E não é possível que um time com essa qualidade não fique mais atento na hora do vamos ver e vamos jogar.

– OK. Mas e o meio-campo? O time está tão lento, tão previsível…

– É preciso muito mais do time, claro. O problema tricolor é que não parece apenas uma questão de vontade. É também técnica. Todos estão jogando menos do que sabem e do que podem. E também tem a questão física. Dagoberto e Fernandão tiveram lesões. Se Marlos não der o gás para puxar o contragolpe, hoje, já viu…

– Já vi, sim, seu Mário. Vai dar Inter. Enfim você vai acertar tudo que você tem errado com seus palpites com o o Colorado. Todo ano você diz que o Inter vai ganhar tudo, o estadual, o paulista, a Copa do Brasil, a Libertadores, o Mundial de Clubes, a Champions League…

– Menos, Mendes…

– Mas era você que falava tudo isso do Inter?

– Sim. E este ano não estava dando uma bola furada até contra o Banfield…

– Pois é… Acho que a culpa é sua, seu Mário. Foi só você parar de apostar no Inter que ele pode ser bicampeão da Libertadores. E com o Celso Roth!

– As péssimas línguas dizem que ainda não houve tempo inábil para o treinador começar a fazer água no novo time. Mas é maldade. O Roth é bom treinador. Aproveitou um ótimo elenco e vai acertando a mão. No lugar do Tinga, eu começaria com o Andrezinho, que sempre entra bem, deixando o Giuliano para o segundo tempo. Não começaria com o Wilson Mathias, que deixaria o time muito travado na intermediária, e provavelmente mudaria o 4-2-3-1 para um mais precavido 4-3-1-2. Taison voltou a acertar o pé, e até ajudando mais atrás, na recomposição defensiva, os armadores se reencontraram com o ótimo futebol que têm, e está dando tudo certo. O que antes da Copa parecia são-paulino agora virou colorado. Pelo menos hoje, no Sul. É o jogo para o Inter tentar atropelar e aproveitar essa fase que parece péssima do São Paulo.

– Como “parece péssima”, seu Mário? Tá bem o São Paulo agora?

– Claro que não, Mendes. Mas é outro torneio, outra necessidade. E pode ser outro São Paulo, também. Até porque não há outro São Paulo brasileiro em Libertadores. Tem de respeitar qualquer São Paulo em Libertadores, nos últimos 20 anos.

– Sei, sei… Eu vi o que fez o Inter, no Morumbi, em 2006…

– Fato. O Inter foi brilhante. Mas é outra história, apesar de vários daqueles continuarem (ou terem voltado) aos seus clubes.

– Seu palpite, seu Mário.

– Hoje, os mandantes mandam. Na outra semana, me pergunte depois.

– Mureteiro!

– Fazer o quê? Apostava no Chivas e deu um belo empate para a Universidad de Chile, ontem, no México…

– Mais um motivo para dar Vitória e São Paulo!

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