MANO A MANO – Raio X de BRASIL X HOLANDA

por Mauro Beting em 30.jun.2010 às 10:53h

LUÍS FABIANO X HEITINGA + MATHIJSEN – Vantagem absoluta do atacante brasileiro sobre a baixa e lenta zaga holandesa. Heitinga (número 3, apenas 1m80, Everton, 27 anos) pode atuar como volante ou como zagueiro pela direita. É um bom jogador. Como o zagueiro-esquero Mathijsen (4, 30 anos, 1m85, Hamburgo) também é eficiente. Mas nada demais. Sabe jogar como lateral-esquerdo, mas é no miolo de zaga que é mais eficiente. Mas nem tanto no jogo aéreo, muito menos por baixo. As triangulações de Kaká com Luís Fabiano que criaram belos gols contra Costa do Marfim e Chile terão espaço contra os holandeses. Pela fragilidade do miolo de zaga, e também pela pouca proteção dos volantes Van Bommel (muito mais um armador recuado) e De Jong.

ROBINHO X VAN DER WIEL – O lateral-direito do Ajax (2, 22 anos) sabe apoiar, na mesma escola e estilo de Reiziger. Mas marca menos. Com a bola, Robinho precisará ficar esperto no cerco, como tem feito pelo Brasil – como muito bem fez Nilmar contra Portugal. Marcando, porém, a vantagem será do brasileiro. Principalmente se mantiver a intensa movimentação a partir da esquerda, trocando de lado com Kaká, que tem saído bem pela esquerda, no segundo tempo dos jogos.

KAKÁ X DE JONG – Volante de 25 anos do Manchester City, marca duro, tem um passe correto, mas nada demais. Baixo (1m74), desde a Euro de 2008 atua na função. Antes com Engelaar, agora com Van Bommel. Ainda um problemático meio-campo, que não dá segurança à discutível dupla de zaga, e a um goleiro igualmente instável. É mais provável que ele, que joga mais à esquerda, e, por vezes, um tanto mais atrás que Van Bommel, quem deverá seguir Kaká, no primeiro tempo. Ou Robinho, no segundo tempo.

DANIEL ALVES X VAN BRONCKHORST – Sem Elano, daqueles casos raros de jogadores que atuam melhor pela Seleção que pelo clube, a alternativa mais equilibrada e entrosada é Daniel Alves. Mesmo que o lateral baiano não esteja tão bem assim das bolas. Ainda não foi o que tem sido usualmente pelo Brasil. Uma alternativa seria o suspenso Ramires. Nilmar entrou bem em Portugal e saberia desempenhar a função de terceiro meia à direita, ainda que mais à frente que Elano. Mas Dunga está correto em manter Daniel Alves. Contra o veterano lateral-esquerdo Van Bronckhorst (5), 35 anos, do Feyenoord. Ele virou lateral no Barcelona de Rijkaard. Poderia ser o volante pela esquerda que já foi, mas não mais o meia que tentou ser. Sem tanta velocidade, mas ainda com boa técnica e experiência, pode travar bom duelo com o baiano. Mas se Daniel não afunilar tanto, se apostar na velocidade, é mais um duelo a ser vencido pelo brasileiro.

GILBERTO SILVA X SNEIJDER – O volante brasileiro tem atuado cada vez melhor. Colocou no bolso Mark González, no primeiro tempo, e ajudou a blindar Valdivia, na segunda etapa. Está muito bem. E precisará estar nos cascos para segurar um dos principais armadores da Copa e do mundo. O holandês Sneijder (26 anos, campeoníssimo em 2009-10 pela Internazionale) vive grande fase. Movimenta-se muito – e bem-, pensa e passa o jogo, finaliza cada vez melhor. Pela dinâmica, pode cansar o veterano Gilberto Silva. É um nome para desequilibrar o clássico.

FELIPE MELO OU JOSUÉ OU KLEBERSON X VAN BOMMEL – Ramires entrou muito bem como volante pela esquerda. Pena que fez falta tão tola e infantil quanto a teima de Dunga em deixá-lo em campo com 3 a 0 no placar contra o Chile. Sem ele, Felipe Melo é a melhor – ou menos pior – alternativa. Porque não precisa só ficar de olho no volante-direito holandês. É preciso ser o back-up para Michel Bastos na contenção a Robben. Talvez por isso Felipe seja melhor que Josué, que não é mais o mesmo. E, mesmo quando não estava no auge, não era todo esse volante. Se Felipe conter o pé e não se perder e não pedir para ser expulso, é o menos pior nome. Já que Kleberson não vive grande momento, e é muito mais um armador para sair para o jogo que o necessário segundo volante.

MICHEL BASTOS X ROBBEN – Um dos piores negócios da história do Real Madrid (ao vendê-lo por apenas 25 milhões de dólares para o Bayern de Munique), o ponta-direita Robben é dos melhores jogadores do mundo em 2010. E já era dos melhores do planeta desde que estourou na Euro-04. Não fossem tantas lesões, já seria tudo que tem sido. Aquele cara que, ao receber a bola no primeiro tempo, contra a Eslováquia, recebeu um comentário do narrador Carlos Fernando, no Bandsports, que cantou a bola antes do golaço. Lance que ele mesmo já havia dito que aconteceria. Jogada que eu e o repórter André Coutinho, da Band News FM, cantamos como gol no início da jogada. Batata. Todo mundo sabe que Robben faz isso. Mas quem é que sabe como pará-lo quando ele deriva da direita para o centro e bate com imensa categoria, precisão e força? Só Messi tem sido tão letal. Só a dupla tem sido mais “previsível”. O duro é evitar tudo isso com Felipe Melo na cobertura, e apenas Michel Bastos na lateral. Mesmo que o lateral discutível adpatado por Dunga tenha se saído muito bem contra o ótimo Alexis Sánchez.

MAICON X KUYT – Corre muito, marca bastante, chega bem ao fundo, mas finaliza como se fosse o fim do planeta. Pela esquerda, foi bem contra os eslovacos, e pode aportar boas jogadas em diagonal. Também deve seguir Maicon até o fim. O atacante do Liverpool dá velocidade ao ataque, e ajuda na contenção. Mas perde o duelo para Maicon. Fácil.

LÚCIO + JUAN X VAN PERSIE – A melhor dupla de zaga da Copa deve engolir o perigoso Van Persie. Excelente atacante, mas não um grande centroavante do 4-2-3-1 holandês. Por vezes, contra os eslovacos, trocou de função com Kuyt, explorando bem a pancada de canhota. Não tivesse se machucado tanto pelo Arsenal, talvez estivesse em melhor momento na carreira. Mas é alto, tem boa velocidade, e não pode ter espaço. O que normalmente não concedem Lúcio e Juan. Este também atento a Robben. Na categoria e entrosamento, mais uma vitória brasileiro no mano a mano.

JÚLIO CÉSAR X STEKELENBURG – O goleiro do Ajax não é ruim. Mas não é tão bom como foi contra a Eslováquia. É um goleiro comum. Diferente do cada vez melhor e mais confiável Júlio César, mesmo com as costas daquele jeito.

SALDO FINAL – O Brasil tem mais time e entrosamento. Pode não ter hoje dois jogadores em grande fase como Robben e Sneijder, mas é uma equipe mais equilibrada. E sabe explorar muito bem o contragolpe que a Holanda, tradicionalmente, concede a qualquer time brasileiro – para não dizer qualquer rival. Como a defesa holandesa não é boa como a nossa, o Brasil está um nível acima dos rivais.

Ambas as equipes atuam no 4-2-3-1