Olho eletrônico, ouvido humano

por Mauro Beting em 27.jun.2010 às 21:46h

Uma bola com chip evitaria a comida de bola do assistente uruguaio Mauricio Espinosa, que devolveu com juros e correção futebolística o erro do gol de Hurst, em 1966, ao não validar um lance ainda menos polêmico, desta vez favorável aos alemães, com uma bola que entrou para burro, digamos assim.

Uma “correção eletrônica” faria com que o italiano Stefano Ayroldi visse o impedimento claro de Tévez antes do primeiro gol argentino. E, se a regra permitisse, aí sim poderia rever o lance no telão. Ou numa cabine ao lado do gramado, sei lá.

Só sei que o que ele tentou, digamos, consertar não poderia ter sido remendado pelo árbitro italiano. Roberto Rosseti acertou ao errar deliberadamente. Isto é, o árbitro italiano fez bem ao não ir na do bandeira que, como quase todo o estádio, viu pelo telão desatento o impedimento do atacante argentino. Se tentasse corrigir o erro, criaria outro descomunal, que melaria o jogo e, por tabela, a própria Copa.

Agora, sábia e sabidamente, nada se pode fazer. Mas, depois da Copa, a discussão é válida: ao menos em competições como a Copa do Mundo, e com a anuência de todos os participantes, a ajuda tecnológica pode valer para casos da bola entrar ou não.

Nos demais, porém, quando entra a interpretação do árbitro, algo que não há tecnologia que resolva, ainda é dever ter paciência com os erros de apito. Naturais como os dos jogadores, treinadores, jornalistas e cartolas.

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