MANO A MANO – Raio X Brasil x Portugal

por Mauro Beting em 23.jun.2010 às 8:26h

LUÍS FABIANO X RICARDO CARVALHO + BRUNO ALVES – O Fabuloso fez o jogo que havia meses não realizava pelo Brasil. Com os pés e com os braços. Merece mais do que atenção da boa dupla portuguesa. Ricardo Carvalho (Chelsea) bate demais. Sabe jogar, é bom pelo alto, tem boa velocidade. Mas é muito violento. Entra duro de modo desnecessário. Não muito diferente de Bruno Alvez, zagueiro-esquerdo do Porto. Alto (1m90), forte, para Felipão é um dos melhorez centrais do mundo. Filho de pai brasileiro, é sobrinho de Geraldo, grande meia brasileiro revelado pelo Flamengo, que morreu aos 22 anos, durante uma operação de amígdalas. Geraldo era da mesma geração de Zico, e havia sido campeão do Rio em 1974, já como titular. Atuara pela Seleção, e tinha um estilo elegante e inteligente. Diferente do sobrinho, que promete pau puro contra Luís Fabiano. Pelo alto, será difícil vencê-los. Por baixo, há como causar estragos.

NILMAR X MIGUEL (OU PAULO FERREIRA) – Se Dunga repetir o que fez nos últimos minutos contra a Coreia do Norte, mandará a campo em Durban um time mais ofensivo, mais brasileiro, não menos competitivo. Se vier com Nilmar com o terceiro meia pela esquerda, quase um segundo atacante, Portugal precisará marcar mais. Talvez o treinador Carlos Queiróz opte por Paulo Ferreira (31 anos, lateral-direito, Chelsea, camisa 3), que marca melhor que Miguel (Valencia, 30 anos, lateral-direito), jogador que era ponta e virou lateral. Para José Mourinho, que levou Ferreira do Porto para a Inglaterra, “ele nunca será o craque de um jogo, mas sempre irá tirar nota 7). É por aí. Mas, com a bola, melhor para os Tugas se atuar Miguel, mais contudente, e em melhor forma. Para o Brasil, defensivamente, Paulo Ferreira criaria menos problemas a Michel Bastos.

ROBINHO X PEDRO MENDES – Existe a opção mais conservadora, ortodoxa, mais Dunga de entrar com Júlio Baptista como meia-atacante central do 4-2-3-1 do Brasil. Seria um embate mais físico com o volante Pedro Mendes (31 anos, Sporting, camisa 8, apenas 1m73), que perderia no corpo, mas poderia compensar com o bom posicionamento e dinâmica, apurados na sua passagem pelo futebol inglês. Não é só um meio-campista de marcação. Sabe o que fazer com a bola, e como finalizar. Mas a melhor opção mesmo para o Brasil parece mesmo ser Robinho centralizado, ganhando na técnica e na velocidade, mais que na força de Júlio Baptista.

RAMIRES X FÁBIO COENTRÃO – Ambos atuam, e bem, pelo Benfica. O jovem meia e lateral-esquerdo do Benfica (22 anos, camisa 23) é muito mais um homem de frente que o adaptado lateral português. Ataca muito melhor que marca. Por ali, no primeiro tempo contra a Coreia do Norte, Mun e Hong quase causaram estragos. Mas, com a bola, sabe apoiar, como muito bem fez na segunda etapa. Bem mal comparando, é quase o Michel Bastos dos patrícios. A opção por Ramires é interessante por ele conhecer Coentrão do clube, jogos e treinamentos. Com Daniel Alves, a experiência pelo lado direito, e o fato de abusar do jogo vertical, também podem ser muito interessantes para vencer o “Figo das Caxinas”, como é chamado em sua terrinha.

FELIPE MELO X TIAGO – O volante pela esquerda do Brasil fez uma partida mais interessante e eficiente contra Costa do Marfim. Terá de jogar ainda mais contra os portugueses. Especialmente Tiago, que fez dois gols, e deu a belíssima bola para Raul Meireles abrir o placar na goleada contra os norte-coreanos. O volante-meia pela direita no 4-3-3 luso chegou com qualidade e intensidade à frente, distribuindo bolas com inteligência. O camisa 19 de 29 anos, do Atlético de Madri, teve atuação que deve garanti-lo no time. Ele tanto pode atuar como um volante mais recuado, como bem fez pelo Lyon e Chelsea, como assumir funções mais criativas, como no segundo tempo contra a Coreia do Norte. Contra o Brasil, deverá estar de olho no lado esquerdo de ataque do Brasil. Mas, com a bola, alternadamente, dividirá com Rau Meireles a função de criação.

GILBERTO SILVA X RAUL MEIRELES – 27 anos, meio-campista do Porto, o camisa 16 português, para mim, jogou mais que Tiago e Cristiano Ronaldo nos 7 a 0 contra os norte-coreanos. A partir da esquerda, entra em diagonal na área, com muita disposição e raça, além de técnica apreciável. Sem a bola, irá blindar o lado esquerdo português, dando um pé a Coentrão. Com a bola, armará o jogo com muita intensidade e chegada à área. Além do bom chute de longa distância. A marcação de Gilberto Silva não será desde a intermediária. Mas tanto ele quanto Felipe precisam ficar espertos com as incursões em diagonal de Raul, sobretudo às costas de Michel Bastos.

Um dos esquemas possíveis do clássico. Brasil deve manter o 4-2-3-1. Portugal pode variar os nomes da goleada contra a Coreia do Norte. Ou mantê-los, mas mudando os números: do 4-3-3 para um 4-3-2-1, recuando os pontas para o meio-campo

MICHEL BASTOS X SIMÃO – O lateral brasileiro até se saiu melhor contra Dindane (não contra Gervinho), na ótima vitória sobre a Costa do Marfim. Mas terá de se sair ainda melhor contra o 4-3-3- luso. Ainda mais contra Simão, o camisa 11, de 30 anos, Atlético de Madri. Se quase todos os rivais jogam diferente contra o Brasil, sempre mais recuados, talvez Portugal não recue tanto os dois pontas. No máximo é capaz de o treinador Carlos Queiróz usar um 4-3-2-1, trazendo mais para trás os pontas Simão e Cristiano Ronaldo. Sorte nossa que Nani, o titular, se machucou. Mas Simão é rápido, bom driblador e cruzador, e bastante experiente. Pode levar vantagem no confronto, e estabelecer ótima parceria com Miguel.

MAICON X CRISTIANO RONALDO. Se Portugal vier num 4-3-3, Maicon dará o primeiro combate, na lateral direita. Se for um 4-3-2-1, Ramires (ou Daniel Alves) também terão de ajudar, sem a bola, no cerco ao craque português. O último combate também terá de ser de Gilberto Silva, pela experiência e posicionamento. Isso, claro, se Cristiano se restringir apenas à faixa esquerda. Se quiser o jogo que está parecendo querer, o problema é de todo o Brasil. Por melhor que seja Maicon, e está marcando cada vez melhor, ainda assim é encrenca. Até porque o português, destro, corta sempre para dentro, explorando o pé esquerdo do lateral brasileiro, o menos forte.

LÚCIO + JUAN X HUGO ALMEIDA – Carlos Queiróz é um treinador que dá para discutir bastante. Se escolher Hugo Almeida em detrimento a Liedson, mais ainda. O centroavante do Werder Bremen, de 26 anos, de 1m91, que fez um gol contra a Coreia do Norte é um tanto tosco. Melhor para os tugas seria começar com Liedson, também por conhecer o Brasil, e ter mais velocidade e qualidade na frente que Hugo, bom apenas para o jogo aéreo. Isso se o melhor desse time, sua dupla de zaga, der mole. Como, infelizmente, deram duas vezes até agora, nos gols sofridos.

JÚLIO CÉSAR X EDUARDO – É bom o goleiro do Braga, de 27 anos. Muito melhor que Ricardo, o dileto de Felipão. Discreto, bem colocado, passa tranquilidade e segurança. Mas não é JC. Ainda uma garantia em qualquer bola e em qualquer jogo. Ainda mais um tão complicado como deverá ser contra os portugueses.

DUNGA X CARLOS QUEIRÓZ – Para um iniciante, e ainda mais num Brasil macambúzio pela decepção de 2006, Dunga se saiu muito melhor que a encomenda. Enfrenta um treinador que ajudou a revelar a excelente geração de Figo e Rui Costa. Nascido em Moçambique, teve ótimos trabalhos como treinador na base, e uma carreira de idas e vindas como auxiliar de Alex Ferguson, no Manchester, e trabalhos como treinador do Real Madri e da seleção portuguesa. Sofreu demais para classificar Portugal para a Copa. Há como também discutir seu trabalho. Mas, ao menos, está buscando o ataque, e soltando um time que pode crescer na Copa – se fugir da Espanha.

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