Brasil x Costa do Marfim – O pior rival

por Mauro Beting em 19.jun.2010 às 21:53h

Dunga não vai mudar o Brasil. Não deve. Mesmo que só o Brasil de 1962 tenha sido praticamente o mesmo desde o início da conquista (e por se tratar de um então campeão mundial), ainda não é hora de mexer na equipe. Até porque o principal problema ofensivo (não o único) é a falta de ritmo e de jogo de Kaká. Algo que só é consertado e corrigido com a sequência de jogos. Com a paciência que é necessária ter com Kaká. Por tudo que ele representa. Pelo pouco que Dunga convocou como opção
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A alternativa tática proposta por Dunga nos últimos minutos de Brasil 2 x 1 Coreia do Norte é melhor que a usual entrada de Júlio Baptista no lugar de Kaká: a passagem de Robinho para a armação por dentro, com Nilmar fazendo algumas das funções do meia-atacante santista. Com Dunga, o atacante do Villarreal é muito mais um meia pelo lado esquerdo que o homem de área.

Mas talvez seja melhor apostar, com o tempo, em Nilmar mais próximo a Luís Fabiano. Outro que sente a ausência do melhor de Kaká, e do melhor do próprio atacante. Luís está mais isolado que o normal, pelo mau momento do meia do Real Madrid. E fica ainda mais esquecido pela chegada pouco qualificada de Felipe Melo. Com a opção de Ramires, que marca menos (mas não tanto assim) que Felipe Melo, o Brasil ganharia mais dinâmica e chegada à frente. Desguarnecendo do mesmo modo a lateral esquerda, aberta por natureza pela pouca aptidão de Michel Bastos na marcação.

Daniel Alves é outro que poderia marcar quase tanto quanto Michel (o que ainda não é o suficiente). Mas daria mais qualidade no apoio, e manter o bom nível do ala do Lyon nas bolas paradas. Outra alternativa tática e técnica interessante. Mas que, por ora, fica apenas no campo das especulações.

COSTA DO MARFIM

Desde 1958, em quase todas as Copas, os adversários do Brasil jogam diferente. Ou, no caso, igual: jogam atrás. A Coreia do Norte pela primeira vez atuou com cinco na zaga e três no meio. A Costa do Marfim não deve mudar muito. Manterá o 4-3-3 do empate sem gols com Portugal. Mas com as linhas mais recuadas.

A dupla de zaga é de boa técnica e muita força. Kolo Touré e Zokora tem experiência e qualidade para encaixotarem Luís Fabiano, por baixo e pelo alto. À frente da zaga, Yaya Touré garante a bateria antiaérea, e a saída qualificada de jogo. Os laterais Demel e Tiené tanto atuam na defesa como sabem jogar no meio-campo, pelos lados, num ortodoxo 4-4-2. Mas, por Costa do Marfim, são apenas laterais de marcação.

O lado direito é o mais forte, com a presença de Eboué por ali. Lateral, meia ou mesmo ponta no Arsenal, tem muita velocidade, rodagem e técnica para tanto ajudar no combate a Robinho, quanto armar os lances pela direita para cima de Felipe Melo e Michel Bastos. Do outro lado, com Tioté fazendo a mesma função de Eboué, a saída não é tão qualificada. Melhor para Maicon. Tanto para marcar quanto para fazer parceria com Elano.

A questão é saber quem fará companhia a Eboué para as jogadas ofensivas. Dindane foi o ponta-direita na estreia. Com o retorno de Drogba ao comando de ataque, e a permanência de Kalou na ponta esquerda (marcando, armando e atacando com eficiência), a melhor opção para o treinador Eriksson é Gervinho, meia-atacante que tem o apelido “brasileiro” por motivos óbvios: habilidoso, criativo, vai para cima. Foi centroavante no primeiro jogo, e acabou a partida na ponta esquerda. Pela versatilidade e técnica, é a melhor opção para iniciar a partida. E explorar as deficiências defensivas do lado esquerdo brasileiro.

Mesmo num 4-3-3, Costa do Marfim é um time mais pegador, muito forte fisicamente, e não necessariamente ofensivo. Os três homens do meio dão boa dinâmica, mas não têm criatividade. O Brasil terá de tomar cuidados extras no contragolpe. Mas poderá se aproveitar da superioridade numérica na intermediária para ter a bola por mais tempo. E ter a paciência necessária para tentar, tecnicamente, superar um rival muito forte fisicamente, e muito focado taticamente.

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