Brasil 2 x 1 Coreia do Norte

por Mauro Beting em 15.jun.2010 às 18:10h

Ri quem pode

Maicon e Elano fizeram no goleiro Ri Myung Guk, às costas do zagueiro Ri Kwang Cho e do lateral Ji, os gols de uma vitória para celebrar pelos pontos, mas lamentar pelo gol sofrido, e pela atuação sofrível no primeiro tempo

Kaká ainda está longe da forma ideal, e Brasil mostrou a mesma falta de inspiração dos jogos antes da Copa

De tanto treinar secreto contra um rival que “joga secreto”, os dois times esconderam mais um futebol ruim no Mundial

A alegria dos norte-coreanos ao marcaram um gol com Ji, no último minuto de um jogo perdido contra os pentacampeões mundiais, foi a mais bonita celebração de mais um jogo feio da pior Copa de todas em gols e futebol. Se eles podem e devem se sentir honrados por terem feito o que fizeram com cinco zagueiros, três homens no meio e dois esquecidos atacantes, os brasileiros (torcedores) podem cobrar muito mais dos brasileiros (jogadores) que pouco criaram, fizeram e mostraram numa estreia mais fria que a noite de Joanesburgo.

Não foram poucas as chances. O Brasil, com boa vontade, teve 11. É um bom índice. Foram 26 conclusões, muito acima da média do Mundial com a pior média de gols. Mas o jogo brasileiro foi lamentável na primeira etapa. Kaká está longe do ideal, e precisa mesmo seguir em campo, até pela ausência de opções mais criativas – sem querer ligar a vuvuzela, mas um dos comerciais apresentados antes, durante e depois de todos os jogos da Copa, nos estádios, apresentava duas boas opções santistas que nem lembradas foram, dançando Beyoncé com Robinho.

Há como enaltecer Dunga por tentar dar mais poder de fogo. Quando Kaká saiu, quem apareceu foi Nilmar, com Robinho (que foi bem, como Maicon e Juan) atuando ainda mais por dentro, pedindo a bola, se mexendo, assumindo a responsabilidade – ainda que embolando, por vezes. Júlio Baptista ficou no banco. De onde saiu mais uma vez Ramires para sair mais para o jogo que Felipe Melo – e bater mais, também, recebendo o único amarelo da noite.
Mas o saldo é pequeno. Portugal e Costa do Marfim podem ganhar de mais de um time potencialmente eliminado e limitado. E só depender de um gol de Josimar-86 ou de Amarildo-62 é pouco. Mas pode ser o suficiente numa Copa medíocre se Robinho e Elano repetirem não só o Santos-02. Mas um pouco daquele time de Felipão, no mesmo ano.