Respeitáveis tetracampeões

por Mauro Beting em 09.jun.2010 às 5:45h

 

Só o Brasil de 1958-62 foi bicampeão mundial, com 14 remanescentes de 1958 – mas sem Pelé nos quatro jogos finais.

Só a Itália foi a primeira bi, em 1934-38, mas com apenas dois titulares da campanha campeã mantidos.

Mais difícil que ser o que apenas sete países conseguiram foi ter sido duas vezes seguidas o bamba.

Algo muito difícil de se repetir com a Itália envelhecida e carcomida de 2010. Com o mesmo comandante que retornou depois do insucesso de Donadoni. Nove dos tetracampeões mundiais em 2006. Mas sem peças essenciais como Totti, Toni, Grosso, Del Piero, Nesta e o impressionante Materazzi daquela Copa. Sem o melhor Pirlo. Sem a mesma firmeza de Buffon e Cannavaro. Sem o mesmo nível de Gattuso e Camoranesi.

Mas ainda é Itália. Uma tetracampeã que, então, nove dias antes da Copa, em minha coluna no jornal “Agora São Paulo”, eu apresentava do segundo modo:  

Na Itália-82, Paol Rossi havia ficado quase dois anos suspenso pelo escândalo da loteria na Itália, em 1980. Iniciou a Copa-82 como um “fantasma desgovernado” -segunda a “prensa” italiana. Em 2006, o “totonero” (escândalo de manipulação de resultados no Calcio) de 1980 parece treta adolescente perto da maior crise institucional da história do futebol italiano, que afeta Marcelo Lippi, Buffon e bela companhia.

Na Espanha, as críticas técnicas e táticas, e até mesmo insinuações sobre a sexualidade dos atletas da equipe de 1982, fizeram com que a equipe fechasse a boca durante a Copa e falasse apenas pela bola. Em silêncio, soltaram o grito de campeão. Depois de medíocre primeira fase, onde se classificaram depois de três empates, a Itália-82 venceu e virou todos os prognósticos. Bateu a favorita Argentina, o favoritíssimo Brasil, e a não menos favorita Alemanha, campeã da Euro-80. Sem abrir o bico. Mais ou menos como pode fazer agora, em 2006.

Gattuso, aquele que dá carrinho por trás quando joga com o filho no quintal de casa, não joga (no mínimo) as duas primeiras. Nesta (o melhor zagueiro do mundo) não estréia. Del Piero não está bem, Totti vem baleado, Lippi não definiu o time e o esquema. O Moggigate dilacera o “mondo calcistico” com escândalo ainda maior que o Totonero de 1980, que quase acabou com a Itália… Em 1982…

Só falta o elenco atual brigar com a imprensa e não falar mais nada. O resto é tudo igual. E péssimo: a Itália pode nos enfrentar já nas oitavas.

Foi o que aconteceu, então. Mas, confesso, mais relembrei 1982 em 2006 para fazer aquelas comparações nem sempre pertinentes a uma Copa. Mas ótimas para preencher espaço. E depois rememorar algo que havia escrito, e já profundamente esquecido.

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  • Eduardo Sergio de Carvalho

    Caríssimo Mauro Betting,

    Você se lembra se, quando do escândalo da loteria, o campeonato italiano era de pontos corridos ou “mata-mata”? Essa discussão sobre o tipo de campeonato no Brasil, e esse “entrega-entrega” me lembrou desse caso.

    Grande abraço

    Eduardo

  • xumbrega

    muito obivio